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Leia o trecho a seguir. Seres humanos se formam em mundos simbólicos e linguísticos variados. Os diferentes modos de conhecimento e as variadas formas de se relacionar com o mundo e com a Terra não podem ser medidos pelos avanços na ciência e na tecnologia modernas. (...) Precisaremos entender o poder transformativo da heterogeneidade em vez de regredir para um certo Volk [povo] e continuar a depender da empatia e da sensibilidade como formas de resolução de tensões no interior de agrupamentos cada vez mais isolados. HUI , Yuk. Tecnodiversidade . São Paulo: Ubu Editora, 2020. O trecho acima enfatiza a diversidade de culturas humanas e chama atenção para o fato de que há modos distintos de considerá-la. Ele aponta para os riscos de tomar a diversidade como

A um fenômeno que reforça barreiras e promove o isolamento entre diferentes agrupamentos humanos.
B uma característica que deve ser preservada para garantir a coexistência entre humanos.
C um dado cultural que pode subsistir mesmo quando os grupos estão abertos à influência externa.
D uma realidade que prescinde da empatia como forma de garantir a convivência entre humanos.
E um obstáculo à criação de novas tecnologias que promovam a igualdade em âmbito global.

O Projeto Mnemosyne é uma iniciativa implementada pelo Museu Bargello, em Florença. Câmeras interconectadas e com visão computacional rastreiam os movimentos dos frequentadores e medem o tempo de observação de cada obra, identificando interesses específicos. Com base nesses dados, o museu fornece informações detalhadas sobre os pontos de interesse e recomendações de outras peças relacionadas. Nesse projeto, o aspecto que diz respeito especificamente ao conceito de IoT (Internet das Coisas) é

A a aplicação de ferramentas de inteligência artificial para processar dados a respeito dos visitantes.
B o emprego de algoritmos avançados que analisam as obras para predizer quais atrairão maior interesse.
C a criação tecnológica de ambientes híbridos entre realidades físicas e realidades virtuais.
D o uso de dispositivos inteligentes, interconectados e capazes de analisar dados em tempo real.
E a mobilização de computadores capazes de processar eficazmente grandes volumes de dados.

Em uma entrevista com o crítico Paul Gilroy para sua antologia Small Acts: Thoughts on the Politics of Black Cultures [Pequenos atos: reflexões sobre a política das culturas negras]

( 1994 ), a romancista Toni Morrison (1931-2019) argumentou que os sujeitos africanos que vivenciaram a captura, o roubo, o rapto, a mutilação e a escravidão foram os primeiros modernos. ESHUN , Kodwo. Outras considerações sobre o Afrofuturismo . In: Histórias afroatlânticas: antologia . São Paulo: MASP, 2022. O trecho acima apresenta uma relação entre a experiência das populações negras escravizadas e a condição do indivíduo na modernidade. Assinale a opção que apresenta o aspecto que justifica esta afirmação.

A A capacidade de manutenção de tradições ancestrais, mesmo sob violência extrema.
B A vivência de desenraizamento e fratura, que prefigura a alienação típica da modernidade.
C A adequação dos indivíduos a novas dinâmicas sociais, facilitando sua incorporação às estruturas modernas.
D A transformação dos negros em atores fundamentais da expansão colonial e econômica moderna.
E A rejeição cultural das populações escravizadas à integração no sistema global moderno.

[O] cenário muda radicalmente com a constatação de que os TupiGuarani eram capazes de produzir muito além dos níveis vitais. No que se refere a desenvolvimento, isso obriga a pensar nos nativos como produtores de excedentes, como produtores de riqueza – a tomá-los como base para a história [da riqueza no Brasil]. CALDEIRA , Jorge. História da riqueza no Brasil. Rio de Janeiro: Estação Brasil, 2017. O texto refere-se à mudança de entendimento sobre aspectos econômicos dos povos indígenas brasileiros, o qual carregava valor paradigmático. O trecho acima desafia o entendimento de que

A os indígenas viviam em uma economia voltada para a própria subsistência por incapacidade produtiva.
B a dinâmica social indígena era nômade, com migrações constantes em busca de novos recursos naturais.
C os povos nativos não possuíam técnicas agrícolas avançadas que desembocam em sociedades estratificadas.
D a relação entre indígenas e colonizadores foi marcada por trocas simbólicas mais do que por intercâmbio econômico.
E os Tupi-Guarani entendiam a terra como território coletivo, sem noção de propriedade individual.

Leia o trecho a seguir. “Aquela noite foi inesquecível, pois nossa casa foi inundada em minutos. Não tínhamos outra opção a não ser partir imediatamente”, relembra Bahadur Khan, um refugiado afegão de 60 anos que vive na província de Khyber Pakhtunkhwa, no Paquistão, sobre as enchentes de 2022. Bahadur e sua família haviam suportado as implacáveis chuvas de monção que começaram em junho, mas não estavam preparados para a violenta subida do Rio Cabul meses depois. Em apenas 10 minutos, Bahadur foi forçado a pegar o pouco que podia e fugir com sua família para um terreno mais alto. ACNUR. Sem Escapatória: Na Linha de Frente das Mudanças Climáticas, Conflitos e Deslocamento Forçado . Disponível em: https://www.acnur.org/br/media/semescapatoria-na-linha-de-frente-das-mudancas-climaticas-conflitos-e-deslocamentoforcado. O trecho acima exemplifica o problema dos refugiados climáticos. O prognóstico atual é de que esse tipo de situação tenderá a se disseminar no planeta. Sobre esse tema, assinale a opção incorreta .

A Populações deslocadas por eventos climáticos são impactadas de forma desigual, com maior gravidade em países de baixa e média renda.
B Não há um arcabouço jurídico internacional que reconheça oficialmente os “refugiados climáticos” ou garanta direitos específicos a essa categoria.
C O deslocamento forçado por motivos climáticos é um evento de países tropicais, onde fenômenos extremos são mais frequentes.
D Crises climáticas intensificam-se em regiões com conflitos políticos, instabilidade econômica ou tensões sociais já existentes.
E A maioria dos deslocamentosligados ao clima acontece dentro do mesmo país, sem atravessar fronteiras internacionais.

Leia o trecho a seguir. Não foram apenas os intelectuais racistas formuladores das propostas de branqueamento racial ou os propagadores da mestiçagem hierarquizada e cordial que viram os povos bantos como dotados de um conjunto de práticas desprovidas de maior profundidade. Até mesmo intelectuais comprometidos com a valorização das culturas africanas para a formação da identidade brasileira consideraram os saberes e espiritualidades dos bantos menos sofisticados, complexos e elaborados do que os dos iorubás, trouxeram ao Brasil o culto dos orixás. SIMAS , Luiz Antonio. Umbandas: uma história do Brasil . Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2022. Com base no trecho, que aborda as tensões em torno das culturas africanas no Brasil, assinale a afirmativa correta.

A A categorização das culturas africanas reproduziu uma lógica de dominação mesmo em discursos que buscaram exaltar a herança cultural dos subalternizados.
B Os ideólogos conservadores da mestiçagem tomaram as culturas banto como exemplares das características então desejadas para a sociedade brasileira.
C A hierarquização das culturas africanas foi uma estratégia deliberada das elites coloniais para dividir as populações escravizadas e enfraquecer a resistência cultural.
D Os intelectuais reconhecedores da influência positiva das culturas africanas no Brasil tomaram a simplicidade das culturas banto como modelo.
E A predominância dos cultos de matriz iorubá no imaginário brasileiro reflete imparcialidade na valorização das diferentes culturas trazidas ao Brasil.

No trecho a seguir, Pierre Clastres apresenta uma leitura sobre a organização política das sociedades sem Estado. [O] que os selvagens [sic] nos mostram é o esforço permanente para impedir os chefes de serem chefes, é a recusa da unificação, é o trabalho de conjuração do Um, do Estado. A história dos povos que têm uma história é, diz-se, a história da luta de classes. A história dos povos sem história é, dir-se-á com ao menos tanta verdade, a história da sua luta contra o Estado. CLASTRES , Pierre. A sociedade contra o Estado . São Paulo: Cosac Naify, 2003. Assinale a opção que melhor representa a concepção do autor.

A A luta dessas sociedades é uma etapa primitiva da dialética histórica que culminará no conflito de classes moderno.
B A inexistência de um Estado decorre da imaturidade de suas instituições políticas, ainda em processo de formação.
C A oposição à unificação do poder está enraizada em sistemas mitológicos que associam chefes a forças cósmicas perigosas.
D A negação do Estado se opera por meio de estratégias coletivas que bloqueiam a formação do poder coercitivo.
E A organização política baseia-se em lideranças consensuais, nas quais o governo existe sem hierarquia fixa.

Os movimentos feministas são frequentemente concebidos em ondas, cada uma marcando um momento distinto das lutas das mulheres, com reivindicações, pautas e estratégias próprias. Assinale a opção que apresenta a característica distintiva da chamada quarta onda do feminismo.

A A crítica às representações midiáticas hegemônicas e a demanda por pluralidade representacional.
B A problematização estrutural das disparidades laborais, com ênfase na equiparação remuneratória.
C A insurgência por meio de ciberativismo, utilizando redes sociais para a exposição sistemática de violências estruturais.
D A subversão crítica de arquétipos normativos de gênero, com foco na despatologização das corporeidades.
E A consolidação de direitos políticos e civis, articulando-se em torno da universalização de garantias jurídicas.

O trecho a seguir discorre sobre os desafios que os movimentos indígenas enfrentam na luta pelo reconhecimento institucional dos conhecimentos tradicionais. A influência das ideias dominantes opera em dois sentidos aparentemente contraditórios. De um lado, os movimentos indígenas formulam reivindicações nos termos de uma linguagem de direitos dominante, passível de ser reconhecida e, portanto, de ser bem-sucedida. De outro, esses conceitos supõem, ao falar em “conhecimento tradicional” no singular, que um único regime possa representar uma miríade de diferentes regimes históricas e sociais de conhecimento tradicional. CARNEIRO DA CUNHA , Manuela. “Cultura” e cultura. Conhecimentos tradicionais e direitos intelectuais . Lisboa: Oca Editorial, 2020. (Adaptado.) Assinale a opção que descreve corretamente a situação descrita.

A O conhecimento tradicional indígena faz parte de um corpo unificado de saberes e práticas que o Estado falha em reconhecer como válido.
B Os conhecimentos tradicionais precisam ser examinados e transpostos para o método científico dominante para alcançar o reconhecimento.
C A interferência dos conceitos e práticas dominantes sobre os conhecimentos indígenas os afastaram de suas matrizes tradicionais.
D Os conhecimentos tradicionais são de tal forma variados e diversos que é inviável o seu reconhecimento pelas instituições dominantes.
E O reconhecimento oficial dos conhecimentos tradicionais depende de sua tradução em um vocabulário conceitual e jurídico que, muitas vezes, é inadequado.

No texto a seguir, o autor apresenta uma aparente contradição no discurso da modernidade. Se o “espírito” era “moderno”, ele o era na medida em que estava determinado que a realidade deveria ser emancipada da “mão morta” de sua própria história — e isso só poderia ser feito derretendo os sólidos (isto é, por definição, dissolvendo o que quer que persistisse no tempo e fosse infenso à sua passagem ou imune a seu fluxo). Lembremos, no entanto, que tudo isso seria feito não para acabar de uma vez por todas com os sólidos e construir um admirável mundo novo livre deles para sempre, mas para limpar a área para novos e aperfeiçoados sólidos. BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2000. Nesse trecho, ele sugere que a modernidade

A rejeita as permanências e acaba criando um estado de fluxo contínuo sem criação de novas estruturas.
B define-se pela destruição das estruturas consolidadas do passado, mas acaba estabelecendo novas permanências.
C reafirma as estruturas tradicionais ao invés de transformá-las, ao contrário do que afirmam seus ideólogos.
D caracteriza-se pela criação de novas formas institucionais que reforçam a estabilidade social sem eliminar a tradição.
E objetiva a emancipação do homem, mas acaba criando uma servidão ainda maior do que a tradicional.