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Conto: uma morada

O sonho de uma velha
senhora

Juremir Machado da
Silva

Contava-se que ela havia passado a vida lutando
contra homens, doenças e intempéries. Dizia-se
que criara sozinha onze filhos e enfrentara oito
tormentas de derrubar casas e deixar muita gente
desesperada. Durante muito tempo, teve um
apelido: a flagelada. Era alta, magérrima e de
olhos muito negros, duas bolas escuras que
pareciam cintilar à beira do abismo. Era uma
mulher de fala forte, voz rouca, agravada pelo
cigarro, não menos de trinta por dia, do palheiro ao
sem filtro, o que viesse, qualquer coisa que lhe
permitisse sair do ar.
– Meu silêncio diz tudo – era o máximo que
concedia a algum vizinho.
Apesar do seu jeito esquisito, era amada por
quase todos. Gostava-se da sua coragem, da sua
franqueza, alguns até falavam de uma ternura
escondida por trás dos gestos de fera indomável.
Muitos nem sabiam mais o nome dela. Era
chamada simplesmente de “a velha”. Contava-se
que prometera a si mesma viver cem anos para
debochar das agruras da vida. Servira durante
décadas de parteira, de benzedeira e até de
responsável pela ordem nas redondezas. Impunha
respeito, resolvia litígios, dava bons conselhos,
sentia pena das jovens apaixonadas. Com o
passar do tempo, ficou mais impaciente e menos
propensa a ouvir longas e repetitivas histórias.
(...)

Destino – Não se contava, porém, quando havia
perdido tudo. Ficara sem casa. Vivia na cidade
num quarto emprestado por um velho conhecido.
Quando se imaginava que estava esgotada, que
só esperava o fim para se livrar dos tormentos, ela
se revelou mais firme do que nunca. Queria viver.
Mais do que isso, deu para dizer a quem quisesse
ouvir que tinha um sonho.
– Um sonho?
– Sim, a Velha tem um
sonho.
A notícia espalhou-se como um acontecimento
improvável. Com o que podia sonhar a velha?
Contava-se que homens faziam apostas enquanto
jogavam cartas ou discutiam futebol, mulheres
especulavam sobre esse sonho, crianças se
interessavam pelo assunto, todos queriam entender como podia aquela mulher árida ter um
sonho, algo que a maioria, mais nova, já não tinha.
Por alguns meses, pois
ela fazia do seu novo
silêncio um trunfo, foi cercada de atenção na
busca obsessiva por uma resposta. Teriam até lhe
oferecido dinheiro para revelar o seu sonho num
programa de rádio.
Conta-se que numa tarde mormacenta de janeiro,
com um temporal prestes a desabar, ela disse com
a sua voz grave um pouco mais vibrante para
quem pudesse ouvir (nunca se soube quem foi o
primeiro saber):
– Quero voltar para casa.
Que casa era
essa? A velha queria retornar ao
lugar onde havia nascido, um lugar perdido na
campanha onde vicejava solitário um cinamomo.
Sonhava em ter uma casinha ali para viver os seus
últimos anos. Desse ponto de observação, podia-se
enxergar um enorme vazio. A comunidade,
sempre tão dispersa, mobilizou-se como se, de
repente, tudo fizesse sentido. O dono da terra
aceitou que lhe erguessem um rancho no meio do
nada para que ela fincasse suas raízes por alguns
anos. Um mutirão foi organizado para erguer a
morada. Até políticos contribuíram para a compra
do modesto material – tábuas, pregos, latas –
necessário à construção da residência. Num final
de semana de fevereiro, a casa foi erguida.
Um rancho de duas peças: quarto
e cozinha. Uma
latrina a dez passos do cinamomo. Caía a noite
quando tudo ficou pronto. Os homens
embarcaram na carroceria de um velho caminhão
e partiram. Ela ficou só no lugar que escolhera
para viver depois de tantas lutas encarniçadas
com o destino. Sentia-se vitoriosa. A lua cheia
banhou os campos naquela noite. Ela passeou até
onde as velhas pernas lhe permitiram. Deitou-se
no catre com colchão novo. Fez questão de
manter a sua cama. Morreu ao amanhecer com o
sol faiscando na cobertura de lata reluzindo de tão
nova e duradoura.

Adaptado de:
< https://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/contouma-
morada-1.392657 >. Acesso em 26 jan. 2020.

Ao analisar o trecho “Um rancho de duas
peças: quarto e cozinha. Uma latrina a
dez passos do cinamomo.”, o qual
descreve a residência construída para a
personagem principal, é correto afirmar
que

A por mais que tivesse poucos cômodos, era
repleta de requinte e conforto.
B era muito simples, tornando a morada
inviável.
C por ser um rancho, ficava próximo a um rio.
D o banheiro ficava anexo à casa.
E era pequena e simples e o local que serviria
como banheiro ficava próximo à casa.

Planejar é considerado como uma função
da Administração. Assinale a alternativa
correta acerca desse conceito.

A Henri Fayol foi o idealizador dessa teoria.
B Planejar significa coordenar ou articular as
diferentes partes do trabalho.
C Frederick Taylor foi o idealizador dessa
teoria.
D Taylor contou com o auxílio de dois
especialistas para o desenvolvimento dos
seus estudos sobre esse conceito da
Administração.
E Planejar significa organizar, no sentido
restrito de instrumentar.

A Ata é um registro em que se relata o que
se passou em uma reunião, assembleia
ou convenção. Sobre a Ata, assinale a
alternativa INCORRETA.

A A Ata poderá ser lavrada em livro próprio ou
folhas soltas.
B Não faça uso de alíneas.
C Se houver erro, sublinhe a palavra errada e
a coloque entre vírgulas.
D O texto deverá ser compacto, sem
parágrafos.
E Os números são grafados por extenso.

Quanto ao estilo formal de relatório,
assinale a alternativa correta.

A No relatório formal, há a ausência de
pronomes pessoais
B No estilo formal, há o desejo não apenas de
transmitir a informação, mas também de
reformar o pensamento do leitor,
impressionar.
C O estilo formal é mais impressionante do que
comunicativo.
D No estilo formal de relatórios, há a utilização
de abreviaturas.
E O relatório formal é escrito em primeira
pessoa.
Texto associado
Conto: uma morada

O sonho de uma velha
senhora

Juremir Machado da
Silva

Contava-se que ela havia passado a vida lutando
contra homens, doenças e intempéries. Dizia-se
que criara sozinha onze filhos e enfrentara oito
tormentas de derrubar casas e deixar muita gente
desesperada. Durante muito tempo, teve um
apelido: a flagelada. Era alta, magérrima e de
olhos muito negros, duas bolas escuras que
pareciam cintilar à beira do abismo. Era uma
mulher de fala forte, voz rouca, agravada pelo
cigarro, não menos de trinta por dia, do palheiro ao
sem filtro, o que viesse, qualquer coisa que lhe
permitisse sair do ar.
– Meu silêncio diz tudo – era o máximo que
concedia a algum vizinho.
Apesar do seu jeito esquisito, era amada por
quase todos. Gostava-se da sua coragem, da sua
franqueza, alguns até falavam de uma ternura
escondida por trás dos gestos de fera indomável.
Muitos nem sabiam mais o nome dela. Era
chamada simplesmente de “a velha”. Contava-se
que prometera a si mesma viver cem anos para
debochar das agruras da vida. Servira durante
décadas de parteira, de benzedeira e até de
responsável pela ordem nas redondezas. Impunha
respeito, resolvia litígios, dava bons conselhos,
sentia pena das jovens apaixonadas. Com o
passar do tempo, ficou mais impaciente e menos
propensa a ouvir longas e repetitivas histórias.
(...)

Destino – Não se contava, porém, quando havia
perdido tudo. Ficara sem casa. Vivia na cidade
num quarto emprestado por um velho conhecido.
Quando se imaginava que estava esgotada, que
só esperava o fim para se livrar dos tormentos, ela
se revelou mais firme do que nunca. Queria viver.
Mais do que isso, deu para dizer a quem quisesse
ouvir que tinha um sonho.
– Um sonho?
– Sim, a Velha tem um
sonho.
A notícia espalhou-se como um acontecimento
improvável. Com o que podia sonhar a velha?
Contava-se que homens faziam apostas enquanto
jogavam cartas ou discutiam futebol, mulheres
especulavam sobre esse sonho, crianças se
interessavam pelo assunto, todos queriam entender como podia aquela mulher árida ter um
sonho, algo que a maioria, mais nova, já não tinha.
Por alguns meses, pois
ela fazia do seu novo
silêncio um trunfo, foi cercada de atenção na
busca obsessiva por uma resposta. Teriam até lhe
oferecido dinheiro para revelar o seu sonho num
programa de rádio.
Conta-se que numa tarde mormacenta de janeiro,
com um temporal prestes a desabar, ela disse com
a sua voz grave um pouco mais vibrante para
quem pudesse ouvir (nunca se soube quem foi o
primeiro saber):
– Quero voltar para casa.
Que casa era
essa? A velha queria retornar ao
lugar onde havia nascido, um lugar perdido na
campanha onde vicejava solitário um cinamomo.
Sonhava em ter uma casinha ali para viver os seus
últimos anos. Desse ponto de observação, podia-se
enxergar um enorme vazio. A comunidade,
sempre tão dispersa, mobilizou-se como se, de
repente, tudo fizesse sentido. O dono da terra
aceitou que lhe erguessem um rancho no meio do
nada para que ela fincasse suas raízes por alguns
anos. Um mutirão foi organizado para erguer a
morada. Até políticos contribuíram para a compra
do modesto material – tábuas, pregos, latas –
necessário à construção da residência. Num final
de semana de fevereiro, a casa foi erguida.
Um rancho de duas peças: quarto
e cozinha. Uma
latrina a dez passos do cinamomo. Caía a noite
quando tudo ficou pronto. Os homens
embarcaram na carroceria de um velho caminhão
e partiram. Ela ficou só no lugar que escolhera
para viver depois de tantas lutas encarniçadas
com o destino. Sentia-se vitoriosa. A lua cheia
banhou os campos naquela noite. Ela passeou até
onde as velhas pernas lhe permitiram. Deitou-se
no catre com colchão novo. Fez questão de
manter a sua cama. Morreu ao amanhecer com o
sol faiscando na cobertura de lata reluzindo de tão
nova e duradoura.

Adaptado de:
< https://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/contouma-
morada-1.392657 >. Acesso em 26 jan. 2020.

O termo em destaque, no trecho “Não se
contava, porém , quando havia perdido
tudo.”, NÃO poderia ser substituído, sem
alteração de sentido, por

A contudo.
B todavia.
C portanto.
D entretanto.
E no entanto.

“Decreto que decorre diretamente da Constituição, possuindo efeitos análogos ao de uma lei ordinária. Tal espécie normativa, contudo, limita-se às hipóteses de organização e funcionamento da administração pública federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos, e de extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos(Constituição, art. 84, caput, inciso VI).” Com base no manual de redação da presidência da república, o trecho anterior descreve qual dos tipos de decreto?

A Decreto Singular.
B Decreto Regulamentar.
C Decreto de Efeito Concreto.
D Decreto Autônomo.
E Decreto Objeto.

Assinale a alternativa que apresenta uma atividade que pertence à função básica da Administração denominada Organização:

A Definir objetivos.
B Trabalhar fatores motivacionais na equipe.
C Avaliar resultados.
D Definir o organograma da empresa a fim de deixar claro os níveis hierárquicos.
E Definir ações corretivas.

Com base no tema curva ABC, analise as assertivas a seguir e assinale a alternativa CORRETA:

I. A curva ABC é uma maneira de controlar os estoques.

II. A curva ABC baseia-se no princípio de que a maior parte do investimento em materiais está concentrada em um pequeno número de itens.

III. Na classe A estão os itens mais importantes e em menor número.

A Apenas I está correta.
B Apenas II está correta.
C Apenas III está correta.
D Todas estão incorretas.
E Todas estão corretas.