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A história é o passado que foi verdadeiramente vivido por homens de carne e osso sobre essa terra concreta – mas só podemos conhecê-lo caso ele nos tenha deixado documentos. Como a existência e a conservação dos documentos dependem de um conjunto de circunstâncias que não foram estruturadas a partir dos interesses de um historiador, jamais saberemos tudo o que esse passado foi. As questões mais interessantes muitas vezes não são as mais bem documentadas; para estudarmos, por exemplo, a Palestina do século I, dispomos de mais informações sobre a vida sentimental do rei Herodes do que sobre a data de nascimento de Cristo. (Henri-Irénée Marrou. Do conhecimento histórico , 1975. Adaptado.) O texto refere-se

A ao ofício científico dos historiadores, realizado segundo os procedimentos rigorosos das experimentações laboratoriais.
B aos fatores culturais como motor da história, acentuando a predominância de textos filosóficos nos arquivos.
C ao controle das fontes históricas pelas classes dominantes, eliminando da história os movimentos populares.
D à impossibilidade de qualquer apreensão do passado humano, considerando a irreversibilidade dos fatos históricos.
E ao conteúdo lacunar do saber histórico, dependente de preservações assistemáticas de registros materiais.

A mão de obra para as imensas propriedades que surgiram a partir do final do século III a. C. veio da série de campanhas espetaculares que deram a Roma o domínio sobre o mundo mediterrâneo. Essas guerras acentuaram o declínio do campesinato romano, que antes formara a robusta base de pequenos proprietários. As vitórias militares escravizavam cativos de guerra e os mandavam para os campos e cidades da Itália. (Perry Anderson. Passagens da Antiguidade ao feudalismo , 2016. Adaptado.) Considerando o texto e conhecimentos sobre a Roma da Antiguidade, podem-se citar como consequências das transformações históricas do período republicano a

A crise financeira do Estado e a invasão militar do território romano pelos povos bárbaros.
B legalização da escravidão por dívida pelo Senado e a extinção dos Tribunos da plebe.
C expansão dos latifúndios escravistas e o deslocamento de populações dos campos para as cidades.
D submissão dos comandantes militares aos proprietários rurais e a democratização do exército.
E aliança dos camponeses sem terra com os escravos e a conquista de direitos políticos pela plebe.
Texto associado
Leia o texto para responder à questão. O tráfico atlântico vai permitir – entre os séculos XVI e XVIII – a exploração das colônias nas Américas. Os portugueses implantaram um cativeiro em São Tomé, abastecido a partir do Congo. No Novo Mundo, os escravos são direcionados a princípio para o trabalho nas plantações, principalmente de cana-de-açúcar. Um comércio triangular é implantado entre a Europa, a África e as Américas, onde circulam, de um continente a outro, quinquilharias, escravos e produtos das colônias. (Marc Ferro. A colonização explicada a todos , 2017. Adaptado.)

O historiador faz uma descrição da história Ocidental que abarca um período de

A tendências de nivelamento econômico em escala global e de relações pacíficas entre nações.
B trocas intercontinentais de mercadorias de baixo valor econômico e de escassez de metais preciosos.
C intervenções de empresários europeus no centro da África e de destruição da unidade política africana.
D atividades econômicas internacionalizadas e de contatos interculturais de populações diversas.
E estabilidades políticas nas colônias afro-americanas e de consolidação do feudalismo europeu.
Texto associado
Leia o texto para responder à questão. O tráfico atlântico vai permitir – entre os séculos XVI e XVIII – a exploração das colônias nas Américas. Os portugueses implantaram um cativeiro em São Tomé, abastecido a partir do Congo. No Novo Mundo, os escravos são direcionados a princípio para o trabalho nas plantações, principalmente de cana-de-açúcar. Um comércio triangular é implantado entre a Europa, a África e as Américas, onde circulam, de um continente a outro, quinquilharias, escravos e produtos das colônias. (Marc Ferro. A colonização explicada a todos , 2017. Adaptado.)

O equilíbrio histórico dos três séculos foi, em muitos aspectos, abalado

A pela adoção da política mercantilista pelos países europeus.
B pela industrialização das colônias ibéricas da América.
C pela unificação das ex-colônias segundo a ideologia do pan-americanismo.
D pelas independências políticas das colônias africanas.
E pelas revoluções sociais inspiradas na filosofia iluminista.

A iniciativa que abriu o rio Amazonas a embarcações de todos os países a contar de 7 de setembro de 1867, além do São Francisco, também atendia a um dos motivos de crítica à política exterior do Império, que campeão da livre navegação dos rios da bacia platina, mantinha fechados os da bacia da Amazônia. O imperador afirmava que não era contrário à abertura do Amazonas a navios de todos os países, apenas julgava imprudente querer forçá-la, enquanto não se criassem na área interesses brasileiros capazes de contrabalançar os dos estrangeiros. (Sérgio Buarque de Holanda. “Do Império à República”. In: História geral da civilização brasileira , Tomo II, vol. 5, 1985. Adaptado.) O texto sustenta que a aprovação pelo imperador da abertura do rio Amazonas às embarcações estrangeiras deveu-se

A à reivindicação internacional brasileira, que foi uma das causas da Guerra do Paraguai.
B à transformação da Amazônia no grande mercado exportador de borracha para os países industrializados.
C ao acordo entre o Império do Brasil e a República da Bolívia sobre o território do Acre.
D ao fato da Amazônia estar densamente povoada por brasileiros na segunda metade do século XIX.
E ao apoio do governo norte-americano às pretensões territoriais brasileiras na América do Sul.

Me preparo para descer em Arumanduba que está para chegar, a formidável propriedade que vale, dizem, um milhão de dólares ouro. […] Desço só e visito toda a propriedade […] Arumanduba é o centro. Jari e Cajari maiores produtores de borracha e castanha. […] No fundo, léguas além, se enxerga formando horizonte os castanhais sem fim. Morros de castanha, tapete de balata pra atapetar o oceano, peles de borracha brotando dos armazéns lacustres… Arumanduba com cinco gaiolas grandes navegando só pra ela e dela só… (Mário de Andrade. O turista aprendiz , 2002.) O escritor Mário de Andrade registrou em um diário as impressões da sua viagem pela Amazônia em 1927. O diário foi transformado em livro e publicado em primeira edição em 1943. A descrição da propriedade de Arumanduba apresenta informações sobre

A a visão crítica de um intelectual modernista a propósito do processo de destruição da floresta amazônica.
B os esforços governamentais de estímulo ao desenvolvimento industrial e comercial do território amazônico.
C o aproveitamento empresarial de recursos da Amazônia para a produção e circulação de mercadorias.
D a incorporação do espaço amazônico pelos países imperialistas e pelas empresas capitalistas norte-americanas.
E a penúria econômica da região amazônica como consequência da crise geral da economia extrativista.

O comunismo chinês operava através do sentimento, generalizado entre as massas chinesas, de que os estrangeiros não representavam nada de bom nem para os indivíduos chineses, nem para a China como um todo. Como a China fora atacada e explorada por todo Estado estrangeiro ao alcance desde meados do século XIX, essa suposição não era implausível. Há pouca dúvida de que a resistência à conquista japonesa da China foi o que transformou os comunistas chineses de uma derrotada força de agitadores sociais, o que eram em meados da década de 1930, nos líderes e representantes de todo o povo chinês. (Eric J. Hobsbawm. Era dos extremos: o breve século XX , 1998. Adaptado.) O texto sustenta que a Revolução Chinesa

A procurou combater a desigualdade social por meio da industrialização.
B expressou a oposição da sociedade chinesa às ameaças imperialistas.
C foi um movimento nacionalista sem base na sociedade do país.
D ocorreu em uma situação histórica de isolamento internacional da China.
E contou com o apoio de todos os partidos políticos contrários ao governo imperial.

Analise a letra da música “Ouro de tolo”, de Raul Seixas, composta em 1973. Eu devia estar contente porque eu tenho um emprego Sou o dito cidadão respeitável e ganho quatro mil cruzeiros por mês […] Eu devia estar feliz porque consegui comprar um Corcel 73 Eu devia estar alegre e satisfeito por morar em Ipanema […] Eu devia estar sorrindo e orgulhoso por ter finalmente vencido na vida Mas eu acho isso uma grande piada e um tanto quanto perigosa […] Eu é que não me sento no trono de um apartamento Com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar Porque longe das cercas embandeiradas que separam quintais No cume calmo do meu olho que vê Assenta a sombra sonora de um disco voador (https://m.letras.mus.br) Comparando-se a letra da música com o momento histórico do país na época de sua composição, pode-se afirmar que ela

A manifesta desconforto com o baixo nível de vida material nas grandes cidades.
B opõe-se frontalmente à melhoria da distribuição de renda na sociedade brasileira.
C condena o exercício de poderes políticos ditatoriais pelos militares.
D dialoga criticamente com a ideologia consumista da época do milagre econômico.
E denuncia a impossibilidade de industrialização da economia do país.

Se a tragédia havia absorvido e assimilado todas as formas de arte antecedentes, o mesmo se pode dizer do diálogo platônico. Mistura de todos os estilos e de todas as formas precedentes, o diálogo oscila entre a narrativa, o lirismo e o drama, entre a prosa e a poesia. Platão conseguiu realmente legar à posteridade o modelo de uma obra de arte nova, o do “romance”. Neste gênero literário, a poesia existe gradualmente subordinada à filosofia e durante muitos séculos, mais tarde, a mesma filosofia esteve subordinada à teologia. (Friedrich Wilhelm Nietzsche. A origem da tragédia, 2004. Adaptado.) Pode-se exemplificar o argumento sobre a submissão da filosofia à teologia, com

A o existencialismo sartriano.
B o ceticismo iluminista.
C o materialismo histórico.
D a dialética positivista.
E a escolástica medieval.

Estando despertos ou dormindo, devemos nos persuadir somente pela evidência de nossa razão. Digo de nossa razão e não de nossa imaginação e de nossos sentidos. Mesmo que observemos o sol muito nitidamente, não devemos julgar por esse motivo que ele seja do tamanho que nós o vemos. A razão nos dita que todas as nossas ideias ou noções devem ter algum fundamento de verdade; pois seria impossível que Deus, que é inteiramente perfeito e verdadeiro, tenha colocado essas ideias em nós desprovidas desses fundamentos. (Descartes. “Discurso do método”. In: Obras filosóficas , tomo I, 1988. Adaptado.) A epistemologia cartesiana tem como fundamento

A a validação metafísica do conhecimento racional.
B o pressuposto de uma racionalidade intrínseca às coisas materiais.
C o reconhecimento das verdades sustentadas pelas autoridades religiosas.
D a certeza da infalibilidade do saber empírico.
E a definição da imaginação como princípio ativo do conhecimento rigoroso.