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TEXTO 1

Entrevista com Luiz Carlos Travaglia

Em torno dos PCNs, foram provocadas muitas polêmicas desde sua criação. Enquanto uns acreditam que foi um grande avanço para a educação, outros pensam o contrário. Qual o seu posicionamento diante dos Parâmetros Curriculares Nacionais?

Travaglia – Embora seja óbvio que tudo neste mundo tem aspectos positivos e negativos, não posso me furtar a um lugar-comum: para mim, os PCNs referentes ao ensino de língua tiveram a grande vantagem justamente de pôr em campo as conquistas da linguística moderna, propondo um ensino que se atenha a uma visão mais apropriada da língua [...]. O que os PCNs propõem acarreta um rompimento com certas tradições do ensino/aprendizagem de língua e força o professor a uma busca de atualização. É aquela coisa que falei do estudo constante, mesmo fora de cursos. Isto evidentemente mexe com certas condições de trabalho, ataca determinadas posições em que nos acomodamos [...] e que sem dúvida são confortáveis. Os PCNs obrigam-nos a estudar, a rever posições, a usar criatividade para fazermos algo de forma diferente e para fins que não são aqueles que sempre julgamos inarredáveis. É preciso convir que tudo isto gera inquietação, polêmica, defesas e ataques. Mas tudo isto é muito saudável para nós, enquanto professores, enquanto seres humanos, cidadãos que queremos instaurar melhores condições de existência para todos. [...]

Hoje em dia, fala-se muito em ensino de língua materna por meio do trabalho com gêneros textuais. O que o senhor pensa sobre o trabalho com os gêneros textuais nos ensinos fundamental e médio?

Travaglia – Creio que é importante por diferentes razões. A maior delas é que temos de trabalhar a competência comunicativa dos alunos e, como a comunicação se faz por textos, uma das coisas mais importantes no ensino de língua é possibilitar às pessoas que saibam produzir e compreender textos de maneira adequada a cada situação comunicativa. Ora, cada tipo de situação comunicativa estabelece um modo de interação que acaba configurando uma categoria de texto [...] adequada àquele tipo de situação. Dessa forma uma pessoa só terá uma boa competência comunicativa se for capaz de produzir e compreender textos de diferentes categorias. Cada categoria de texto possui características próprias em termos de conteúdo, estrutura e aspectos linguísticos específicos em correlação com as propriedades discursivas dessa categoria de texto. Estas configurações, sem dúvida, pertencem à gramática de cada língua. Assim sendo é preciso e conveniente estudar/trabalhar [...] estas configurações associadas a cada categoria de texto, pois o aluno precisa ter a habilidade de construir categorias de textos diversas adequadas às diferentes situações de interação comunicativa em que ele se encontra envolvido. Todavia, [...] há muitos elementos da língua cujo uso não está vinculado a categorias de textos e, assim sendo, não é possível fazer um estudo centrado apenas em gêneros textuais [...]. Já disse algumas coisas a este respeito em trabalhos meus. Infelizmente nosso espaço aqui é pouco. Mas espero que tenha ficado claro que penso que o trabalho com a língua por meio de categorias de textos é muito importante, mas não é suficiente.

Texto adaptado de: https://www.parabolablog.com.br/index.php/blogs/linguistica-aplicada-ao-ensino-de-lingua-materna

TEXTO 2

Pergunta para: Ataliba T. de Castilho

[...]

O português muda constantemente. Os maneirismos, regionalismos, gírias e outros vícios de linguagem, que são considerados como uma variedade popular, podem vir a ser aceitos como norma culta num futuro próximo?

Castilho – Regionalismos, gírias e modalidades de português não padrão ocorrem com absoluta naturalidade em qualquer língua natural. Essas manifestações devem ser incorporadas às aulas, sob a forma de debates, ao longo dos quais elas são comparadas às alternativas da língua culta. É importante conviver com naturalidade com as variedades não padrão, sem esquecer que o objetivo da escola é trazer os alunos para a língua do Estado. [...] O que é português popular hoje poderá ser português culto amanhã. Esta convicção científica, entretanto, não nos deve isentar do esforço de integrar as classes até aqui não escolarizadas na fala mais prestigiada das classes cultas. Se tratarmos com naturalidade essa característica das línguas, será mais suave a incorporação do padrão culto, sem desprezar a variedade familiar do aluno. Ele se transformará num bilíngue da própria língua, sabendo qual variedade utilizar nas diferentes situações de fala.

Texto adaptado de: https://www.parabolablog.com.br/index.php/blogs/linguistica -aplicada-ao-ensino-de-lingua-materna

Assinale a alternativa em que ocorre um caso de coesão referencial por elipse.

A “Os PCNs obrigam-nos a estudar [...]” (TEXTO 1).
B “Creio que é importante por diferentes razões.” (TEXTO 1).
C “Já disse algumas coisas a este respeito em trabalhos meus.” (TEXTO 1).
D “Essas manifestações devem ser incorporadas às aulas [...]” (TEXTO 2).
E “Ele se transformará num bilíngue da própria língua [...]” (TEXTO 2).

Assinale a alternativa correta.

A Conativa: função centrada no destinatário, cuja linguagem serve para influenciar seu comportamento.
B Fática: função centrada no contexto, cuja linguagem serve para transmitir informações ao destinatário.
C Poética: função centrada no remetente, cuja linguagem é utilizada para transmitir emoção em relação ao que se fala.
D Referencial: função centrada no código, cuja linguagem é utilizada para se referir à própria linguagem.
E Emotiva: função centrada na mensagem, cuja linguagem serve para enfatizar a forma por meio da qual a mensagem é estruturada.

TEXTO 2

Pergunta para: Ataliba T. de Castilho

[...]

O português muda constantemente. Os maneirismos, regionalismos, gírias e outros vícios de linguagem, que são considerados como uma variedade popular, podem vir a ser aceitos como norma culta num futuro próximo?

Castilho – Regionalismos, gírias e modalidades de português não padrão ocorrem com absoluta naturalidade em qualquer língua natural. Essas manifestações devem ser incorporadas às aulas, sob a forma de debates, ao longo dos quais elas são comparadas às alternativas da língua culta. É importante conviver com naturalidade com as variedades não padrão, sem esquecer que o objetivo da escola é trazer os alunos para a língua do Estado. [...] O que é português popular hoje poderá ser português culto amanhã. Esta convicção científica, entretanto, não nos deve isentar do esforço de integrar as classes até aqui não escolarizadas na fala mais prestigiada das classes cultas. Se tratarmos com naturalidade essa característica das línguas, será mais suave a incorporação do padrão culto, sem desprezar a variedade familiar do aluno. Ele se transformará num bilíngue da própria língua, sabendo qual variedade utilizar nas diferentes situações de fala.

Texto adaptado de: https://www.parabolablog.com.br/index.php/blogs/linguistica -aplicada-ao-ensino-de-lingua-materna

Quando Castilho afirma que “É importante conviver com naturalidade com as variedades não padrão, sem esquecer que o objetivo da escola é trazer os alunos para a língua do Estado.” (TEXTO 2), ele se refere à variação linguística em intersecção com o ensino de norma culta nas aulas de língua portuguesa. A respeito dessa pedagogia da variação linguística, é correto afirmar que

A há, nos Parâmetros Curriculares Nacionais, o estabelecimento da necessidade de combate a mitos, como os de que só existe uma forma correta de falar e de que o brasileiro fala mal o português, como requisito para ensinar a escrita e a língua padrão.
B a análise voltada para os fenômenos da variação linguística compõe, na Base Nacional Comum Curricular, exclusivamente a etapa do ensino fundamental, com ênfase na reflexão acerca do valor social atribuído às variedades de prestígio.
C o trabalho sociolinguístico nas aulas de língua portuguesa é necessário e tem o objetivo de homogeneizar o uso da linguagem nos estudantes, uma vez que, pelo estudo da variação, é possível identificar e corrigir variantes não correspondentes à norma-padrão.
D o professor não pode corrigir os chamados “erros gramaticais”, pois essa prática desvaloriza a variedade linguística com a qual o estudante chega na escola e acarreta, desse modo, preconceito linguístico.
E a identificação da variedade linguística com a qual o aluno chega na escola é importante, pois o valor social das formas linguísticas é intrínseco a elas e há uma relação entre a fala e a capacidade cognitiva atrelada que a linguagem imprime, de modo que tal identificação possibilita ao professor selecionar a melhor metodologia de ensino.

São características do movimento Barroco na literatura brasileira:

A culto do contraste; o ser humano dividido entre os apelos do corpo e os da alma; linguagem ornamental e rebuscada.
B culto do contraste; linguagem simples; predomínio da razão sobre a emoção.
C temas mitológicos; equilíbrio e simplicidade; bucolismo.
D subjetivismo; evasão e escapismo; sentimentalismo.
E temas mitológicos; sentimentalismo; linguagem ornamental e rebuscada.

Assinale a alternativa que apresenta a definição correta de norma-padrão.

A É o conjunto de fenômenos linguísticos que ocorre em usos mais monitorados da língua dos falantes letrados
B É uma codificação relativamente abstrata e uma fonte de referência extraída do uso real, constituindo um instrumento de política linguística.
C Advém de preceitos dogmáticos inflexíveis de “certo” e “errado” que predominam no discurso da mídia, da escola e do senso comum.
D É a fala atribuída a determinado grupo com base em critérios sociais como o grau de escolaridade do falante.
E É um conjunto de usos linguísticos considerados relevantes para a caracterização de uma variedade.

Leia a afirmação a seguir do crítico literário Alfredo Bosi.

“O Realismo se tingirá de naturalismo , no romance e no conto, sempre que fizer personagens e enredos submeterem-se ao destino cego das ‘leis naturais’ que a ciência da época julgava ter codificado [...]”.

Tendo em vista a afirmação de Bosi, assinale a alternativa correta.

A O Naturalismo pode ser compreendido como uma forma intensificada do Realismo. Assim, ao focalizarem o determinismo das leis naturais, as obras naturalistas se tingem de cores mais expressivas do que se observa em obras realistas.
B Tanto o Realismo quanto o Naturalismo se valem, na prosa ficcional, de teorias cientificistas, como o determinismo, segundo o qual o destino do homem é determinado pela raça, pelo meio, pelo temperamento.
C Diferentemente das obras naturalistas, as obras realistas, valorizando a objetividade e a cientificidade, submetem personagens e enredos ao determinismo das leis naturais. Assim, o homem é analisado cientificamente, como se fosse um experimento.
D Em consonância com as leis naturais de teor cientificista, tanto os escritores realistas quanto os naturalistas pretendiam fazer uma literatura antiburguesa, antimonárquica e anticlerical, com base em uma postura crítica que lhes permitisse construir um retrato objetivo e imparcial da sociedade.
E Ao contrário dos escritores naturalistas, os escritores realistas retratavam o comportamento humano como um produto de leis naturais, uma decorrência de fatores biológicos, tendo sua obra um caráter evolucionista.

Qual alternativa a seguir apresenta a definição de exercícios que NÃO configuram um exemplo de exercício com base no método estrutural de aprendizagem?

A Exercícios de repetição nos quais o professor apresenta ao aluno, por exemplo, uma série de frases de estrutura semelhante e que têm o objetivo de fixar a matéria ensinada.
B Exercícios de substituição que possibilitam ao aluno aprender os limites dos constituintes da frase a partir de práticas de comutação no eixo do paradigma.
C Exercícios de transformação nos quais os alunos operam mudanças gramaticais em frases previamente atribuídas pelo professor e de acordo com um modelo ou com instruções dadas.
D Exercícios de definição que possibilitam aprender a definir e reconhecer tradicionalmente itens gramaticais, tais como os pronomes pessoais átonos o, a, os, as de terceira pessoa do singular e do plural.
E Exercícios de estruturas dialogais constituídos no campo da conversação, da situação de comunicação concreta, nos quais o professor propõe tanto perguntas de respostas compulsórias quanto perguntas de respostas abertas e livres.

Assinale a alternativa correta sobre aprendizagem de língua materna.

A É objetivo do método estrutural que a aprendizagem de português possibilite ao estudante a automatização de estruturas da língua, para que estas sejam utilizadas por ele sempre que houver necessidade. Ou seja, pelo método estrutural, o estudante deve aprender hábitos linguísticos que se repetem em circunstâncias semelhantes, sendo um método com foco no saber fazer e não no saber teórico da língua e que se originou no ensino de língua estrangeira.
B A aprendizagem da língua escrita não tem caráter espontâneo como a aprendizagem da língua oral, de modo que é necessária uma técnica especial para ensinar a representação gráfica dos aspectos linguísticos. Entretanto, como o sistema ortográfico da língua portuguesa se aproxima do sistema fonológico, a aprendizagem é facilitada e mais rápida.
C Para a teoria gerativa-transformacional, a aprendizagem de língua materna ocorre a partir do condicionamento à língua utilizada no ambiente em que o indivíduo vive; de modo que, em um processo de estímulo e resposta, o aprendiz é colocado diante de situações determinadas que implicam uma necessidade de utilização da língua e em repetição de atos de fala, por meio da qual o indivíduo aprende.
D O método estrutural propõe a aprendizagem da língua materna, tendo como subsídio a compreensão segundo a qual o indivíduo nasce com uma capacidade mental composta por estruturas linguísticas que são preenchidas conforme ele entra em contato com uma língua específica. Nessa perspectiva, o aprendizado é facilitado, pois se nasce com a capacidade de uma língua.
E Depois da primeira fase de alfabetização, é necessário desenvolver: I. na leitura, as habilidades de compreensão do significado literal do texto, de interpretação das ideias do autor e de compreensão de especificidades estilísticas; II. na escrita, a habilidade de reconhecimento da correspondência entre as modalidades oral e escrita e a habilidade de percepção sobre semelhança entre os recursos de ambas, que permite dizer igualmente na modalidade escrita o que se diz na oral.

No que concerne à língua, é correto afirmar que a Lei nº 13.415/2017, que altera a Lei de diretrizes e bases da educação nacional, estabelece que o ensino de língua portuguesa

A é obrigatório e deve assegurar o acesso à norma-padrão bem como garantir uma plena competência linguístico-discursiva aos estudantes.
B deve contemplar no mínimo 10% da carga horária do ensino médio integral e ser dividida em um mínimo de duzentos dias de efetivo trabalho escolar.
C deve valorizar a língua oficial do Brasil e considerar os componentes curriculares estabelecidos na Base Nacional Comum Curricular e nos Parâmetros Curriculares Nacionais.
D deve valorizar a variedade linguística com a qual o estudante está mais familiarizado e compor a formação integral do estudante com fins na construção de um projeto de vida.
E é obrigatório nos três anos do ensino médio e deve assegurar às comunidades indígenas o direito de utilização das respectivas línguas maternas.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais em Língua Portuguesa enfatizam que “a leitura é um processo pelo qual o leitor realiza um trabalho ativo de compreensão e interpretação do texto, a partir de seus objetivos, de seu conhecimento sobre o assunto, sobre o autor, de tudo o que sabe sobre a linguagem”. Em relação ao processo de leitura, assinale a alternativa correta.

A A leitura é uma atividade de interação entre sujeitos e supõe apenas as simples decodificações dos sinais gráficos.
B Na construção da leitura, os “erros” não podem ser considerados como negativos, pelo contrário, eles se transformarão em acertos posteriormente com a intervenção do professor, auxiliando a criança na construção do aprendizado.
C Para a formação de bons leitores, o ambiente familiar não é tão importante, pois não é nele que o processo de letramento se inicia, mas na escola.
D A leitura promove reflexão e favorece o raciocínio claro. Assim, o aluno adquire uma posição ativa em seu processo de aprendizagem, mas a capacidade de se posicionar diante do conhecimento, de questionar e formular argumentos bem fundamentados só adquire após longo treinamento na produção textual.
E A leitura das palavras precede a leitura de mundo. Isso significa dizer que a leitura começa na alfabetização, após o contato com os conteúdos escolares.