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Atenção! Leia a crônica para responder à próxima questão. Outra coisa que não parece ser entendida pelos outros é quando me chamam de intelectual e eu digo que não sou. De novo, não se trata de modéstia e sim de uma realidade que nem de longe me fere. Ser intelectual é usar sobretudo a inteligência, o que eu não faço: uso é a intuição, o instinto. Ser intelectual é também ter cultura, e eu sou tão má leitora que, agora já sem pudor, digo que não tenho mesmo cultura. Nem sequer li as obras importantes da humanidade. Além do que leio pouco: só li muito, e li avidamente o que me caísse nas mãos, entre os treze e os quinze anos de idade. Depois passei a ler esporadicamente, sem ter a orientação de ninguém. Isto sem confessar que – dessa vez digo-o com alguma vergonha – durante anos eu só lia romance policial. Hoje em dia, apesar de ter muitas vezes preguiça de escrever, chego de vez em quando a ter mais preguiça de ler do que de escrever. Literata também não sou porque não tornei o fato de escrever livros “uma profissão”, nem uma “carreira”. Escrevi-os só quando espontaneamente me vieram, e só quando eu realmente quis. O que sou então? Sou uma pessoa que tem um coração que por vezes percebe, sou uma pessoa que pretendeu pôr em palavras um mundo ininteligível e um mundo impalpável. Sobretudo uma pessoa cujo coração bate de alegria levíssima quando consegue em uma frase dizer alguma coisa sobre a vida humana ou animal. LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999. Adaptado.

Assinale a alternativa em que a palavra ou expressão em destaque pode ser corretamente substituída por aquela entre parênteses, sem prejuízo da correção gramatical da frase e do sentido original.

A ... não se trata de modéstia e sim de uma realidade que nem de longe me fere. (onde)
B Nem sequer li as obras importantes da humanidade. (assim)
C ... li avidamente o que me caísse nas mãos... (aquilo)
D Sou uma pessoa que tem um coração que por vezes percebe... (talvez)
E Sobretudo uma pessoa cujo coração bate de alegria... (o qual)
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Atenção! Leia o texto para responder à próxima questão. Com um estilo calculadamente racional e enxuto de subjetividade, João Cabral de Melo Neto (1920-1999) nunca pretendeu desnudar a própria vida em seus poemas. Nascido em Recife, nos braços de uma família pertencente à elite açucareira, repleta de bacharéis e advogados, João Cabral passou a infância nas paisagens de engenhos das cidades de São Lourenço da Mata e Moreno. Antes de se entregar à poesia, sonhou com o futebol profissional e foi um craque juvenil. No final da adolescência, frequentou a vida intelectual do Recife e depois partiu para o Rio de Janeiro, onde conheceu Carlos Drummond de Andrade, que se tornaria seu grande amigo e referência. Foi lá também que publicou o primeiro livro, A pedra do sono, em 1942. Sem interesse em ocupar posições tradicionais das elites, tais como as proporcionadas pelo curso de Direito da prestigiosa Faculdade do Recife, não frequenta nenhuma universidade. Após breve passagem pelo Departamento Administrativo do Serviço Público (Dasp), passa a integrar o quadro de diplomatas brasileiros, a partir de 1946, um ano depois de publicar O engenheiro. Faz assim da diplomacia sua carreira, com estabilidade para se dedicar à poesia e possibilidade de conhecer outras culturas. PRADO, Luiz. Biografia entrelaça vida e obra de João Cabral de Melo Neto. Disponível em: https://jornal.usp.br/. Acesso em 21 jul. 2024. Adaptado.

Assinale a alternativa que apresenta, correta e respectivamente, sinônimos das palavras “calculadamente” e “prestigiosa”, sem prejuízo do sentido que elas apresentam no texto.

A Premeditadamente e influenciada.
B Propositadamente e respeitada.
C Evidentemente e gloriosa.
D Conceitualmente e admiradora.
E Integralmente e renomada.

A gestão democrática das escolas é defendida pelo Poder Público na Constituição Federal brasileira de 1988 e consolidada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB nº 9.394/1996, em seu artigo 14, no qual se afirma que os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática de ensino público na educação básica, de acordo com suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios:

A incentivo à autonomia da escola em todas as suas ações e participação dos pais em Conselhos Escolares e em Fóruns dos Conselhos Escolares ou equivalentes.
B autonomia construída a partir do diálogo entre escola e comunidade e participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola.
C participação dos profissionais da educação na gestão financeira da escola e participação das comunidades escolar e local na elaboração do projeto pedagógico da escola.
D articulação da escola com as famílias e a comunidade, criando processos de integração da sociedade com a escola e promoção de ações que visam à participação de todos na elaboração do projeto político-pedagógico.
E participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola e participação das comunidades escolar e local em Conselhos Escolares e em Fóruns dos Conselhos Escolares ou equivalentes.
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Atenção! Leia o relato de uma atividade realizada nos primeiros anos do Ensino Fundamental para responder à próxima questão. Primeiramente foi apresentado para as crianças, em um cartaz, o poema “Perguntas e respostas cretinas”, de Elias José. Fizemos a leitura e nos divertimos muito com o poema. Sugeri então à turma que pensassem em palavras que rimassem com seu próprio nome e/ou dos colegas da sala. Fui escrevendo no quadro uma lista de nomes e, à medida em que encontrávamos uma rima, escrevia junto do nome, como por exemplo: Raquel/pastel; Taciana/banana. Depois, levantei uma proposta: “Que tal criarmos um outro poema com os nossos nomes?”. Todos concordaram. Então iniciei: “Você conhece a Taciana?” Eles concluíram: “Aquela que comeu ‘banana’?” Eles ditavam e eu escrevia no quadro, sempre buscando fazer a reflexão. “Como eu escrevo a palavra ‘banana’?”, “Com qual sílaba começa?”, “Com quantas letras eu escrevo a palavra ‘banana’?”, “Quantas vezes eu abro a boca para falar ‘banana’?” “E que letra eu vou botar primeiro?”. MORAIS, Artur Gomes de; LEITE, Tânia Maria Rios. In: MORAIS; ALBUQUERQUE; LEAL. (Org.) Alfabetização: apropriação do sistema de escrita alfabética. Belo Horizonte: Autêntica, 2005. Adaptado.

Qual modalidade didática para o ensino de produção de textos pode ser verificada no relato?

A Escrita de autoria.
B Produção coletiva com escriba.
C Escrita de texto que se sabe de memória.
D Reescrita para adequação à norma-padrão.
E Produção de partes dos textos que não se conhece.

O tempo, como o Mundo, tem dois hemisférios: um superior e visível, que é o passado, outro inferior e invisível, que é o futuro. No meio de um e outro hemisfério ficam os horizontes do tempo, que são estes instantes do presente que imos vivendo, onde o passado se termina e o futuro começa. VIEIRA, Pe. Antonio. História do Futuro , vol. 1, 1718. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/. Acesso em 19 jul. 2024 No trecho, é possível identificar o emprego das seguintes figuras de linguagem:

A metáfora, metonímia e prosopopeia.
B catacrese, antítese e metonímia.
C hipérbole, prosopopeia e metáfora.
D antítese, metáfora e comparação.
E comparação, catacrese e hipérbole.

As palavras “caminhar”, “homem” e “dissimulado” possuem, respectivamente,

A oito, cinco e onze fonemas
B oito, quatro e nove fonemas.
C sete, quatro e dez fonemas
D sete, três e onze fonemas.
E sete, cinco e dez fonemas.

Assinale a alternativa em que o gerúndio, em destaque, foi empregado com função adjetiva.

A “Januário exultava a cada uma de minhas vitórias, como se fora ele próprio que estivesse no banco dos alunos, em vez de achar-se como professor dirigindo os seus discípulos”. (José de Alencar, “Como e por que sou romancista”)
B “... não pôde impedir-se de dizer consigo mesmo, embora recriminando-se pela baixa injustiça do pensamento, que a culpa era do colega...” (José Saramago, “O homem duplicado”)
C “Olhou em torno de si a manhã perfeita, respirando profundamente e sentindo, quase com orgulho, o coração bater cadenciado e cheio de vida”. (Clarice Lispector, “O triunfo”)
D “Com um gesto casual, atirei meu paletó em cima da mesa, cobrindo o rascunho de um conto que começara naquela manhã.” (Lygia Fagundes Telles, “Verde lagarto amarelo”.)
E “Dão adeuses longos, mãos que acenam como que ainda chamando .” (Jorge Amado, “Mar morto”).

Mas, tanto lhe ouviu falar em morte que teve medo, e um dia correu a pedir à minha mãe que lhe fizesse o favor de ver se lhe salvava o marido que se queria matar. Minha mãe foi achá-lo à beira do poço, e intimou-lhe que vivesse. Que maluquice era aquela de parecer que ia ficar desgraçado, por causa de uma gratificação menos, e perder um emprego interino? Não, senhor, devia ser homem, pai de família, imitar a mulher e a filha... Pádua obedeceu; confessou que acharia forças para cumprir a vontade de minha mãe. — Vontade minha, não; é obrigação sua. DE ASSIS, Machado. Dom Casmurro . Disponível em: https://machado.mec.gov.br/. Acesso em 20 jul. 2024. No que se refere aos tipos de discurso e seus efeitos, é correto afirmar que o trecho

A “— Vontade minha, não; é obrigação sua” é um exemplo de discurso indireto livre, com o emprego do travessão para indicar que o relato da fala da personagem é feito pelo narrador de forma espontânea.
B “um dia correu a pedir à minha mãe que lhe fizesse o favor de ver se lhe salvava o marido” é um exemplo de discurso direto, que transcreve literalmente o conteúdo da fala da personagem sem interferência do narrador.
C “Que maluquice era aquela de parecer que ia ficar desgraçado, por causa de uma gratificação menos” é um exemplo de discurso indireto livre, que mostra uma associação entre narrador e personagem e mantém os elementos afetivos do discurso.
D “Não, senhor, devia ser homem, pai de família, imitar a mulher e a filha...” é um exemplo de um discurso dirigido ao leitor, a quem o narrador trata por “senhor” de modo irônico, com o efeito de promover o engajamento na leitura.
E “Pádua obedeceu; confessou que acharia forças para cumprir a vontade de minha mãe” é um exemplo de discurso indireto, em que a personagem toma o lugar do narrador para expressar algo de seu mundo interior.

No trecho “Mas, tanto lhe ouviu falar em morte que teve medo, e um dia correu a pedir à minha mãe que lhe fizesse o favor de ver se lhe salvava o marido que se queria matar”, os pronomes átonos destacados estão empregados em posição

A proclítica, pela presença de advérbio, conjunções subordinativas e pronome relativo antes dos verbos.
B proclítica, pela presença de pausas, locução adverbial e conjunções subordinativas antes dos verbos.
C proclítica, pela presença de pronomes relativos, conjunção coordenativa e pausa antes dos verbos.
D enclítica, pela presença de verbos no modo subjuntivo, assim como advérbio e conjunções subordinativas antes dos verbos.
E enclítica, pela presença de pronomes relativos, conjunção coordenativa e locução adverbial antes dos verbos.

Considere o trecho reescrito: (...) um dia correu até minha mãe e pediu ____ ela que lhe fizesse o favor de ver se lhe salvava o marido que queria dar fim ____ própria vida. (...) Pádua obedeceu; confessou que acharia forças para submeter-se ____ vontade de minha mãe. A alternativa que completa as lacunas, respectivamente, em conformidade com a norma-padrão de emprego do acento indicativo de crase é:

A à – à – à.
B à – a – a.
C a – a – a.
D a – à – à.
E a – à – a.