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Hora e vez da caatinga No semiárido nordestino se encontra o único bioma exclusivamente brasileiro. O Nordeste abriga a segunda maior população do país, metade em condição de pobreza. Secas e ondas de calor podem lhe causar ainda muito sofrimento e baixa na qualidade de vida. Não é apenas o El Niño deste ano que augura* uma estiagem grave. A mudança climática no planeta vai além dessa perturbação nas águas do Pacífico e apanha um sertão nordestino vulnerável. Estudos recentes cruzaram projeções sobre o aumento da aridez na região, em consequência do aquecimento global, com previsões sobre perda de fauna e flora sob aumento da temperatura e queda na precipitação. Concluíram que, em 2060, poderá ocorrer perda de espécies animais e vegetais em 90% da caatinga. Uma desertificação da região não será desastrosa só para pequenos mamíferos da caatinga, como prediz a pesquisa. A onipresença de caprinos dá boa ideia da importância para a segurança alimentar e a cultura dos sertanejos dessa criação que pasteja livre pelo bioma. Um incremento na perda de cobertura vegetal, acompanhada da homogeneização (poucas espécies) prevista pelos especialistas, trará impacto difícil de avaliar. A ele se somaria um processo de desmatamento já em aceleração, realimentando o vetor de aridificação. (Editorial. Folha de S.Paulo , 28.10.2023. Adaptado) * augura: prenuncia