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Esse movimento descobriu algo que ainda não havia sido conhecido ou enfatizado antes: a “poesia pura”, a poesia que surge do espírito irracional, não conceitual da linguagem, oposto a toda interpretação lógica. Assim, a poesia nada mais é do que a expressão daquelas relações e correspondências, que a linguagem, abandonada a si mesma, cria entre o concreto e o abstrato, o material e o ideal, e entre as diferentes esferas dos sentidos. Sendo a vida misteriosa e inexplicável, como pensavam os adeptos desse movimento, era natural que fosse representada de maneira imprecisa, vaga, nebulosa, ilógica e ininteligível. (Afrânio Coutinho. Introdução à literatura no Brasil , 1976. Adaptado.) O comentário do crítico Afrânio Coutinho refere-se ao movimento literário denominado

A Parnasianismo.
B Romantismo.
C Realismo.
D Simbolismo.
E Arcadismo.

Ricardo Reis é, assim, o heterônimo clássico, ou melhor, neoclássico: sua visão da realidade deriva da Antiguidade greco-latina. Seus modelos de vida e de poesia, buscou-os na Grécia e em Roma. (Massaud Moisés. “Introdução”. In : Fernando Pessoa. O guardador de rebanhos e outros poemas , 1997.) Levando-se em consideração esse comentário, pertencem a Ricardo Reis, heterônimo de Fernando Pessoa (1888-1935), os versos:

A Nada perdeu a poesia. E agora há a mais as máquinas Com a sua poesia também, e todo o novo gênero de vida Comercial, mundana, intelectual, sentimental, Que a era das máquinas veio trazer para as almas.
B Súbita mão de algum fantasma oculto Entre as dobras da noite e do meu sono Sacode-me e eu acordo, e no abandono Da noite não enxergo gesto ou vulto.
C Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio. Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas. (Enlacemos as mãos.)
D À dolorosa luz das grandes lâmpadas elétricas da fábrica Tenho febre e escrevo. Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto, Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.
E O poeta é um fingidor. Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente.

O aparecimento da filosofia na Grécia não foi um fato isolado. Estava ligado ao nascimento da pólis . (Marcelo Rede. A Grécia Antiga , 2012.) A relação entre os surgimentos da filosofia e da pólis na Grécia Antiga é explicada, entre outros fatores,

A pelo interesse dos mercadores em estruturar o mercado financeiro das grandes cidades.
B pelo esforço dos legisladores em justificar e legitimar o poder divino dos reis.
C pela rejeição da população urbana à persistência do pensamento mítico de origem rural.
D pela preocupação dos pensadores em refletir sobre a organização da vida na cidade.
E pela resistência dos grupos nacionalistas às invasões e ao expansionismo estrangeiro.

De acordo com o texto,

A a motivação da conquista europeia da África foi essencialmente religiosa, destituída de caráter econômico.
B os líderes políticos africanos apoiavam a catequização dos povos nativos pelos conquistadores europeus.
C os africanos aceitavam a escravização e não resistiam à presença europeia no continente.
D os povos africanos reconheciam a ação europeia no continente como uma cruzada religiosa e moral.
E a escravização foi muitas vezes justificada pelos europeus como uma forma de redimir e salvar os africanos.

Na colônia, a justiça era exercida por toda uma gama de funcionários a serviço do rei. A violência, a coerção e a arbitrariedade foram suas principais características. [...] Nas regiões em que a presença da Coroa era mais distante, os grandes proprietários de terras exerciam considerável autoridade administrativa e judicial. No sertão, os potentados impunham seus interesses à população livre. (Adriana Lopez e Carlos Guilherme Mota. História do Brasil: uma interpretação , 2008.) Ao analisar o aparato judiciário no Brasil Colonial, o texto

A identifica a isonomia e a impessoalidade na administração da justiça e seu embasamento no direito romano.
B explicita a burocratização do sistema jurídico nacional e reconhece sua eficácia no controle interno.
C indica o descompasso entre as determinações da Coroa portuguesa e os interesses pessoais dos governadores-gerais.
D distingue o sistema oficial da dinâmica local e atesta o prevalecimento de ações autoritárias em ambas.
E diferencia as funções do Poder Judiciário e do Poder Executivo e caracteriza a ação autônoma e independente de ambos.

Ainda hoje a palavra Renascimento evoca a ideia de uma época dourada e de homens libertos dos constrangimentos sociais, religiosos e políticos do período precedente. Nessa “época dourada”, o individualismo, o paganismo e os valores da Antiguidade Clássica seriam cultuados, dando margem ao florescimento das artes e à instalação do homem como centro do universo. (Tereza Aline Pereira de Queiroz. O Renascimento , 1995. Adaptado.) O texto refere-se a uma concepção acerca do Renascimento cultural dos séculos XV e XVI que

A projeta uma visão negativa da Idade Média e identifica o Renascimento como a origem de valores ainda hoje presentes.
B estabelece a emergência do teocentrismo e reafirma o poder tutelar da Igreja Católica Romana.
C caracteriza a história da arte e do pensamento como desprovida de rupturas e marcada pela continuidade nas propostas estéticas.
D valoriza a produção artística anterior a esse período e identifica o Renascimento como um momento de declínio da criatividade humana.
E afirma o vínculo direto das invenções e inovações tecnológicas do período com o pensamento mítico da Antiguidade.
Texto associado
O Rio de Janeiro dos primeiros anos da República era a maior cidade do país, com mais de 500 mil habitantes. Capital política e administrativa, estava em condições de ser também, pelo menos em tese, o melhor terreno para o desenvolvimento da cidadania. Desde a independência e, particularmente, desde o início do Segundo Reinado, quando se deu a consolidação do governo central e da economia cafeeira na província adjacente, a cidade passou a ser o centro da vida política nacional. O comportamento político de sua população tinha reflexos imediatos no resto do país. A Proclamação da República é a melhor demonstração dessa afirmação. (José Murilo de Carvalho. Os bestializados , 1987.)

A primeira Constituição brasileira, de 1824, foi

A aprovada pela Câmara dos Deputados e estabeleceu o voto censitário.
B imposta por Portugal e determinou o monopólio português do comércio colonial.
C outorgada pelo imperador e definiu a existência de quatro poderes.
D promulgada por uma Assembleia Constituinte e concentrou a autoridade no Poder Executivo.
E determinada pela Inglaterra e estabeleceu o fim do tráfico de escravos.
Texto associado
O Rio de Janeiro dos primeiros anos da República era a maior cidade do país, com mais de 500 mil habitantes. Capital política e administrativa, estava em condições de ser também, pelo menos em tese, o melhor terreno para o desenvolvimento da cidadania. Desde a independência e, particularmente, desde o início do Segundo Reinado, quando se deu a consolidação do governo central e da economia cafeeira na província adjacente, a cidade passou a ser o centro da vida política nacional. O comportamento político de sua população tinha reflexos imediatos no resto do país. A Proclamação da República é a melhor demonstração dessa afirmação. (José Murilo de Carvalho. Os bestializados , 1987.)

O texto afirma que a consolidação do Rio de Janeiro como “o centro da vida política nacional” ocorreu com

A a reunião dos órgãos administrativos na capital e o fechamento das assembleias provinciais.
B a proclamação da independência política e a implantação do regime republicano no país.
C a concentração do poder nas mãos do imperador e a ascensão econômica de São Paulo.
D o declínio da economia açucareira nordestina e o início da exploração do ouro nas Minas Gerais.
E o crescimento populacional da capital e a democratização política no Segundo Reinado.

A Proclamação da República, em 1889,

A expressou a interferência norte-americana e reduziu a influência britânica nos assuntos internos do país.
B teve forte participação dos sindicatos operários da capital e ampliou os direitos de cidadania no Brasil.
C representou o fim da hegemonia das elites cafeeiras e açucareiras na condução da política brasileira.
D foi rejeitada e combatida militarmente pelos principais clérigos católicos no Brasil e no exterior.
E resultou da ação de um setor das forças armadas e contou com o apoio de grupos políticos da capital.