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O decreto 8.772/2016 regulamenta o Marco Legal da Biodiversidade e trata do acesso e proteção ao Conhecimento Tradicional Associado (CTA), entendido como a informação ou prática de povo indígena ou comunidade tradicional associada ao patrimônio genético. Segundo a norma, populações indígenas e comunidades tradicionais

A têm o dever de compartilhar o acesso ao CTA com a população brasileira, sempre que for de origem identificável, promovendo seu uso de maneira ampla.
B podem comprovar que seu saber foi adquirido a partir de fontes primárias fidedignas dentro de sua comunidade, para que seja reconhecido como um CTA.
C estão proibidos de comercializar livremente produtos com patrimônio genético natural, uma vez que a venda desses recursos afeta os interesses econômicos nacionais.
D podem autorizar o acesso ao CTA, desde que sua origem não seja identificável, uma vez que o controle desses conhecimentos garante a preservação da cultura da comunidade.
E têm direito de participar no processo de tomada de decisão sobre assuntos relacionados ao acesso ao CTA e à repartição de benefícios decorrente desse acesso.

As afirmativas a seguir apresentam corretamente objetivos específicos da Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais, conforme estabelecido pelo Decreto 6.040/2007, à exceção de uma . Assinale-a.

A Garantir recortes diferenciados nos programas e ações de inclusão social, voltados especificamente para os povos e as comunidades tradicionais.
B Garantir aos povos e comunidades tradicionais o acesso a serviços de saúde de qualidade e adequados às suas características, suas necessidades e demandas, com ênfase nas concepções e práticas da medicina tradicional.
C Garantir a inclusão produtiva com a promoção de tecnologias sustentáveis, respeitando o sistema de organização social dos povos e comunidades tradicionais e valorizando os recursos naturais locais e as práticas tradicionais.
D Garantir o acesso à formação educacional para comunidades tradicionais, com ênfase na educação formal nas escolas públicas urbanas, promovendo o desenvolvimento intelectual padronizado dos cidadãos.
E Garantir no sistema público previdenciário a adequação às especificidades dos povos e comunidades tradicionais, no que diz respeito às suas atividades ocupacionais e religiosas e às doenças decorrentes destas atividades.

A Convenção para Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial

A define como patrimônio cultural imaterial práticas e conhecimentos transmitidos entre gerações, constantemente recriados pelas comunidades e grupos, e que geram um sentimento de identidade e continuidade.
B reconhece a distinção e a autonomia entre o patrimônio imaterial e os patrimônios material e natural, devido ao caráter intangível e alegórico do primeiro, em oposição à natureza concreta dos outros dois.
C interpreta o patrimônio imaterial como um reflexo da diversidade cultural e da criatividade humana, independentemente do reconhecimento de sua importância pelas comunidades que o produzem.
D estabelece o uso de objetos manufaturados e artesanais como condição necessária para atribuir o caráter imaterial ao patrimônio cultural e à sua transmissão.
E entende o patrimônio cultural imaterial como aquele que permanece imutável entre as gerações, preservando fielmente as práticas de seus antepassados e, assim, constituindo uma tradição.

Leia o texto a seguir. [É] nosso modesto parecer que o futuro da noção-mestra da antropologia, a noção de relação, depende da atenção que a disciplina souber prestar aos conceitos de diferença e de multiplicidade, de devir e de síntese disjuntiva. Uma teoria pósestruturalista da relacionalidade, isto é, uma teoria que mantenha o compromisso “infundamental” do estruturalismo com uma ontologia relacional, não pode ignorar (...) as ideias de perspectiva, força, afeto, hábito, evento, processo, preensão, transversalidade, devir e diferença. VIVEIROS DE CASTRO , E. Metafísicas canibais . São Paulo: Cosac Naify, 2015. O pensamento pós-estruturalista busca um afastamento crítico de características fundamentais do modelo estruturalista. Uma dessas características é

A a abertura dos sistemas simbólicos às influências do contexto e das contingências.
B o compromisso com a ideia de que a interação é a base da organização cultural.
C a remissão de toda multiplicidade cultural a um conjunto de elementos básicos articulados
D o foco na descrição e na listagem dos fenômenos culturais em suas manifestações e diversidade.
E a impossibilidade de sistematizar de maneira unificada as dinâmicas da cultura.

Os fluxos culturais, entre as nações, e o consumismo global criam possibilidades de “identidades partilhadas” – como “consumidores” para os mesmos bens, “clientes” para os mesmos serviços, “públicos” para as mesmas mensagens e imagens – entre pessoas que estão bastante distantes umas das outras no espaço e no tempo. À medida que as culturas nacionais tornam-se mais expostas a influências externas, é difícil conservar as identidades culturais intactas ou impedir que elas se tornem enfraquecidas através do bombardeamento e da infiltração cultural. HALL , Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade . Rio de Janeiro: DP&A, 2006. O trecho acima apresenta uma leitura sobre os efeitos do processo de globalização sobre a formação de identidades. Assinale a opção que reflete corretamente o que é exposto no trecho.

A Os fluxos culturais globalizados tendem a dissolver os pertencimentos partilhados e manter os grupos isolados.
B O encurtamento das distâncias gera novos referenciais para o pertencimento dos indivíduos a grupos de identidade.
C O consumismo global dissolve as barreiras entre identidades, criando nações unificadas pelo mercado.
D As trocas internacionais se intensificam à medida que a globalização amplia o valor das particularidades locais.
E Os fluxos culturais globais provocam a intensificação das culturas nacionais como movimento de reação.

Um grupo de trabalho desenvolveu um software próprio que utiliza a API de um modelo de IA (inteligência artificial) para automatizar processos de análise e monitoramento de dados na gestão do patrimônio cultural. Isto significa que o grupo

A realizou a assinatura de um serviço de IA e disponibilizou o acesso aos colaboradores para acelerar os serviços.
B mobilizou uma solução de inteligência artificial existente para integrar funcionalidades específicas em sua aplicação.
C treinou manualmente o modelo de IA usando dados históricos para adaptá-lo ao propósito cultural.
D reconstruiu a lógica interna do modelo por meio de engenharia reversa para adaptar suas funções ao projeto.
E desenvolveu do zero um modelo de inteligência artificial próprio para atender às necessidades do projeto.

Leia o trecho a seguir. Se, por um lado, o sonho é sempre desencadeado pela vontade de um outro, e o sonhador aparece como uma “presa”, uma vítima, alguém à mercê de um sentimento que lhe é alheio, por outro, o sonhador não está de forma alguma inteiramente subjugado aos sentimentos desse outro. Os vivos resistem aos apelos incessantes desses outros, e é porque resistem que eles podem continuar existindo como Yanomami. LIMULJA, Hanna. O desejo dos outros: Uma etnografia dos sonhos yanomami. São Paulo: Ubu Editora, 2022. O trecho acima apresenta um aspecto central da concepção Yanomami de sonho. Com base no texto, é correto afirmar que, para esse povo, os sonhos são

A manifestações do inconsciente individual, nas quais desejos reprimidos encontram expressão simbólica.
B realidades passageiras, às quais faltam o poder de afetar a existência material do indivíduo na vigília.
C processos psíquicos subconscientes, através dos quais o indivíduo elabora situações traumáticas.
D experiências espirituais, nas quais o indivíduo tem contato com o plano que rege sua vida de forma determinista.
E expressões de um embate, nas quais se chocam forças alheias e a insistência vital da pessoa.

Pensava-se que o ônibus espacial Columbia era um objeto pronto para voar pelo céu, e então, de repente, após a dramática explosão de 2002, percebeu-se que ele precisava da NASA e de seu complexo corpo organizacional para voar com segurança pelo céu. Para a ação de pilotar um objeto técnico, rotinas burocráticas são tão importantes quanto equações e resistência material. LATOUR , Bruno. Networks, Societies, Spheres: Reflections of an Actor-Network Theorist. International Journal of Communication , v. 5, 2011. (Adaptado) O trecho acima expõe uma leitura baseada na Teoria Ator-Rede (TAR), a qual modifica o entendimento comum a respeito do modo de existência dos objetos. Segundo esse tipo de visada, ao investigar um objeto, é preciso levar em conta

A as suas propriedades internas, as quais determinam seu funcionamento enquanto ser autônomo.
B a sua base mais essencial, que pode mantê-lo inalterado mesmo sob a influência de condições externas.
C os seus pontos fracos, de modo a explicitar de antemão os fatores que criam riscos para sua existência.
D a sua dependência de agentes humanos que garantem, enquanto sujeitos, sua estabilidade objetiva.
E as suas interações, as quais envolvem elementos variados em uma relacionalidade complexa.

Leia o trecho a seguir. Seres humanos se formam em mundos simbólicos e linguísticos variados. Os diferentes modos de conhecimento e as variadas formas de se relacionar com o mundo e com a Terra não podem ser medidos pelos avanços na ciência e na tecnologia modernas. (...) Precisaremos entender o poder transformativo da heterogeneidade em vez de regredir para um certo Volk [povo] e continuar a depender da empatia e da sensibilidade como formas de resolução de tensões no interior de agrupamentos cada vez mais isolados. HUI , Yuk. Tecnodiversidade . São Paulo: Ubu Editora, 2020. O trecho acima enfatiza a diversidade de culturas humanas e chama atenção para o fato de que há modos distintos de considerá-la. Ele aponta para os riscos de tomar a diversidade como

A um fenômeno que reforça barreiras e promove o isolamento entre diferentes agrupamentos humanos.
B uma característica que deve ser preservada para garantir a coexistência entre humanos.
C um dado cultural que pode subsistir mesmo quando os grupos estão abertos à influência externa.
D uma realidade que prescinde da empatia como forma de garantir a convivência entre humanos.
E um obstáculo à criação de novas tecnologias que promovam a igualdade em âmbito global.

O Projeto Mnemosyne é uma iniciativa implementada pelo Museu Bargello, em Florença. Câmeras interconectadas e com visão computacional rastreiam os movimentos dos frequentadores e medem o tempo de observação de cada obra, identificando interesses específicos. Com base nesses dados, o museu fornece informações detalhadas sobre os pontos de interesse e recomendações de outras peças relacionadas. Nesse projeto, o aspecto que diz respeito especificamente ao conceito de IoT (Internet das Coisas) é

A a aplicação de ferramentas de inteligência artificial para processar dados a respeito dos visitantes.
B o emprego de algoritmos avançados que analisam as obras para predizer quais atrairão maior interesse.
C a criação tecnológica de ambientes híbridos entre realidades físicas e realidades virtuais.
D o uso de dispositivos inteligentes, interconectados e capazes de analisar dados em tempo real.
E a mobilização de computadores capazes de processar eficazmente grandes volumes de dados.