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Texto A explosão de “Alegria, alegria” Alegria, Alegria, de Caetano Veloso, parece-me (L.01) assumir, neste momento, uma importância semelhante a Desafinado, como expressão de uma tomada de posição crítica em face dos rumos da música popular brasileira. Ao (L.04) fazer a defesa do “comportamento antimusical” do “desafinado”, Newton Mendonça & Tom Jobim (via João Gilberto) puseram naquela composição a teoria & prática do (L.07) movimento: o desabafo sentimental do “desafinado” (muito bem afinado, por sinal) era, bem compreendido, um manifesto contra os preconceitos da harmonia clássica que (L.10) bloqueavam a receptividade da suposta interlocutora (ou do próprio público, àquela altura), impedindo-os de aceitar como “afinadas”, isto é, como familiares ou “musicais”, as (L.13) harmonias dissonantes da Bossa Nova. A explosão de Alegria, Alegria soa como um novo desabafo-manifesto, mais do que necessário, ante a crise de insegurança que, (L.16) gerando outros preconceitos, tomou conta da música popular brasileira e ameaçou interromper a sua marcha evolutiva. Crise que se aguçou nos últimos tempos, com a (L.19) sintomatologia do temor e do ressentimento, ante o fenômeno musical dos Beatles, sua projeção internacional e sua repercussão local na música da Jovem Guarda. (L.22) Recusando-se à falsa alternativa de optar pela “guerra santa” ao iê-iê-iê ou pelo comportamento de avestruz (fingir ignorar ou desprezar o aparecimento de músicos, (L.25) compositores e intérpretes, por vezes de grande sensibilidade, quando não verdadeiramente inovadores, como os Beatles, na faixa da “música jovem”), Caetano (L.28) Veloso e Gilberto Gil, com Alegria, Alegria e Domingo no Parque, se propuseram, oswaldianamente, a “deglutir” o que há de novo nesses movimentos de massa e de juventude e (L.31) incorporar as conquistas da moderna música popular ao seu próprio campo de pesquisa, sem, por isso, abdicar dos pressupostos formais de suas composições, que se assentam, (L.34) com nitidez, em raízes musicais nordestinas. Pode-se dizer que Alegria, Alegria e Domingo no Parque representam duas faces complementares de uma mesma atitude, de um (L.37) mesmo movimento no sentido de livrar a música nacional do “sistema fechado” de preconceitos supostamente “nacionalistas”, mas na verdade apenas solipsistas e (L.40) isolacionistas, e dar-lhe, outra vez, como nos tempos áureos da Bossa Nova, condições de liberdade para a pesquisa e a experimentação, essenciais, mesmo nas manifestações (L.43) artísticas de largo consumo, como é a música popular, para evitar a estagnação. A letra de Alegria, Alegria traz o imprevisto da (L.46) realidade urbana, múltipla e fragmentária, captada, isomorficamente, através de uma linguagem nova, também fragmentária, em que predominam substantivos-estilhaços (L.49) da “implosão informativa” moderna: crimes, espaçonaves, guerrilhas, cardinales, caras de presidentes, beijos, dentes, pernas, bandeiras, bomba ou Brigitte Bardot. É o mundo das (L.52) “bancas de revista”, o mundo de “tanta notícia”, isto é, o mundo da comunicação rápida, do “mosaico informativo”, de que fala Marshall McLuhan. Nesse sentido, pode-se (L.55) afirmar que Alegria, Alegria descreve o caminho inverso de A Banda. Das duas marchas, esta mergulha no passado na busca evocativa da “pureza” das bandinhas e dos coretos da (L.58) infância. Alegria, Alegria, ao contrário, se encharca de presente, se envolve diretamente no dia a dia da comunicação moderna, urbana, do Brasil e do mundo. (L.61) Da mesma forma que a excelente letra de Gilberto Gil (L.62) para Domingo no Parque, a de Caetano Veloso tem características cinematográficas. Mas, como observou Décio Pignatari, enquanto a letra de Gil lembra as montagens (L.65) eisenstenianas, com seus closes e suas “fusões” (“O sorvete é morango – é vermelho / oi girando e a rosa – é vermelha / oi girando, girando – é vermelha / oi girando, girando – (L.68) Olha a faca / Olha o sangue na mão – ê José / Juliana no chão – ê José / Outro corpo caído – é José / Seu amigo João – ê José”), a de Caetano Veloso é uma “letra-câmara-na- (L.71) mão”, mais ao modo informal e aberto de um Godard, colhendo a realidade casual “por entre fotos e nomes”. Os adversários do “som universal” de Caetano e Gil (L.74) têm colocado mal o problema da inovação nestas composições. Não se trata meramente de adicionar guitarras elétricas à música popular brasileira, como um adorno (L.77) exterior. A posição de Caetano e Gil os aproxima muito das manifestações artísticas da vanguarda brasileira. E especialmente das postulações da Poesia Concreta, (L.80) intimamente relacionada, de resto, com a música de vanguarda de São Paulo, que tem em Rogério Duprat, Damiano Cozzella, Willy Corrêa de Oliveira e Gilberto (L.83) Mendes os seus mais dotados compositores. No manifesto publicado por Décio Pignatari, em 1956 (Nova Poesia: Concreta), já estava sob o signo antropofágico de Oswald de (L.86) Andrade. A música-manifesto de Caetano Veloso manda a sua mensagem. No estágio de desenvolvimento de nossa (L.89) música, a discriminação proposta pelos “nacionalistas” só nos poderá fazer retornar à condição de fornecedores de “matéria-prima musical” (ritmos exóticos) para os países (L.92) estrangeiros. Foi a Bossa Nova que pôs fim a esse estado de coisas, fazendo com que o Brasil passasse a exportar, pela primeira vez, produtos acabados de sua indústria criativa, e (L.95) a ter respeitados, como verdadeiros mestres, compositores como Jobim e intérpretes como João Gilberto. É preciso acabar com essa mentalidade derrotista, (L.98) segundo a qual um país subdesenvolvido só pode produzir arte subdesenvolvida. A produção artística brasileira (que não exclui, num país de camadas sociais tão diversificadas, (L.101) o elemento regional, autêntico, e não mimetizado por autores citadino-sebastianistas) já adquiriu maturidade, a partir de 1922, e universalidade, desde 1956. Não tem que (L.104) temer coisa alguma. Pode e deve caminhar livremente. E para tanto não se lhe há de negar nenhum dos recursos da tecnologia moderna dos países mais desenvolvidos: (L.107) instrumentos elétricos, montagens, arranjos, novas sonoridades. Não creio que seja preciso, por ora, quebrar o violão, que o de João Gilberto ainda é o lema e o leme de (L.110) toda a nossa música. Mas que se quebrem umas tantas tradições e tabus é o de menos. “Larga-me, deixa-me gritar”, já dizia o velho anúncio, redescoberto e transformado em (L.113) happening por Décio Pignatari, Damiano Cozzella, Rogério Duprat e Sandino Hohagen. Deixemos a nossa música (L.115) andar. Sem peias e sem preconceitos. Sem lenço e sem documento. (L.117) CAMPOS, Augusto de. Balanço da bossa e outras bossas. São Paulo: Perspectiva, 2008, com adaptações. Considerando os aspectos linguísticos e estilísticos do texto, julgue o item a seguir.

Os termos “oswaldianamente” (linha 30), “deglutir” (linha 30) e “incorporar as conquistas” (linha 32), são alusivos ao Manifesto Antropofágico e ao Movimento Verde-Amarelo, cujas ideias de assimilação de diversas culturas sem construções mimetizadas percorrem todo o texto de Augusto de Campos.

A Certo
B Errado
Texto associado
A Ásia está na pauta da política externa brasileira desde o final do século 19. O Brasil adotou diferentes estratégias de negociação com os países asiáticos e foi incorporando-os à agenda diplomática de forma gradativa e com resultados distintos. A esse respeito, em que pesem as relações comerciais entre Brasil e Ásia, julgue o item a seguir.

As relações entre o Brasil e a China foram oficialmente instituídas por meio do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação, em 1881 e, dois anos mais tarde, o governo brasileiro estabeleceu um consulado em Xangai.

A Certo
B Errado
Texto associado
1 Since 1914 the structure of the world has changed. Compared to the present struggle between West and East, the rivalries of the eighteenth and nineteenth centuries sink 4 into insignificance. Today we are faced, not with a clash of interests, but with a fight between the desire on the one hand to defend individual liberties and the resolve on the other 7 hand to impose a mass religion. In the process the old standards, conventions and methods of international negotiation have been discredited. Had it not been for the 10 invention of the atomic bomb, we should already have been subjected to a third world war. Members of the Communist bloc today are 13 convinced that sooner or later they will acquire world dominion and will succeed in imposing their faith and their authority over the whole earth. They strain towards this 16 objective with religious intensity and are prepared to devote to its achievement their lives, their comfort and their prospects of happiness. Anything that furthers their purpose 19 is “right”; anything that obstructs it is “wrong”; conventional morality, even the creation of confidence, has no part in this scheme of things. Truth itself has lost its 22 significance. Compared to the shining truth of their gospel, all minor forms of veracity are merely bourgeois inhibitions. The old diplomacy was based upon the creation of 25 confidence, the acquisition of credit. The modern diplomat must realize that he can no longer rely on the old system of trust; he must accept the fact that his antagonists will not 28 hesitate to falsify facts and that they feel no shame if their duplicity be exposed. The old currency has been withdrawn from circulation; we are dealing in a new coinage. 31 This transformation of values has been aided by a new or “democratic” conception of international relations. In the old days the conduct of foreign affairs was entrusted to a 34 small international élite who shared the same sort of background and who desired to preserve the same sort of world. Today the masses are expected to take an interest in 37 foreign affairs, to know the details of current controversies, to come to their own conclusions, and to render these conclusions effective through press and parliament. At the 40 same time, however, current issues have been rendered complex and interconnected; it is not possible to state issues, such as the Common Market, in short and simple terms. 43 Thus, whereas the man in the street is expected to have an opinion on international problems, the very complexity of these problems has rendered it difficult to provide him with 46 the information on which to base his judgment. Nicolson, H. (1963) (3rd edition) Diplomacy. Oxford: OUP, with adaptations.

Based on the text, mark the following item as right (C) or wrong (E). The ultimate goal of the author of the text is to draw attention to the importance of nuclear deterrence.

A Certo
B Errado
Texto associado
Texto O senhor saiba: eu toda a minha vida pensei por mim, (L.01) forro, sou nascido diferente. Eu sou é eu mesmo. Diverjo de todo o mundo... Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa. O senhor concedendo, eu digo: para pensar (L.04) longe, sou cão mestre o senhor solte em minha frente uma ideia ligeira, e eu rastreio essa por fundo de todos os matos, amém![...] (L.07) A gente vive repetido, o repetido, e, escorregável, num mim minuto, já está empurrado noutro galho. Acertasse eu com o que depois sabendo fiquei, para de lá de tantos (L.10) assombros... Um está sempre no escuro, só no último derradeiro é que clareiam a sala. Digo: o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio (L.13) da travessia.[...] Consegui o pensar direito: penso como um rio tanto anda: que as árvores das beiradas mal nem vejo... Quem me (L.16) entende? O que eu queira. Os fatos passados obedecem à gente; os em vir, também. Só o poder do presente é que é furiável? Não. Esse obedece igual e é o que é.[...] (L.19) O senhor não pode estabelecer em sua ideia a minha tristeza quinhoã. Até os pássaros, consoante os lugares, vão sendo muito diferentes. Ou são os tempos, travessia da (L.22) gente? (L.23) ROSA, João Guimarães. Grande Sertão: Veredas. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1976, p. 15, 51-52, 260 e 304, com adaptações. Considerando os sentidos e os aspectos linguísticos do texto, julgue o item a seguir.

No segundo excerto, o narrador mostra-se confuso e contraditório, oscilando entre certeza e incerteza, conhecimento e assombro, realidade e imaginação.

A Certo
B Errado

Na segunda metade do século 19, iniciou-se a ocupação da chamada “última fronteira”, com corridas do ouro responsáveis pelo estabelecimento de uma série de novas cidades e pela consequente expansão do território dos Estados Unidos da América (EUA). Com relação ao processo citado, julgue (C ou E) o item a seguir. As incursões no continente ao longo do século 19 lançaram as bases da Doutrina Monroe, deflagrada no início do século 20 com o objetivo de orientar as relações dos EUA com a América Latina.

A Certo
B Errado

Considerando as forças políticas e sociais atuantes no decorrer do ano de 1945, fica evidente que a corrente antiEstado Novo era numericamente limitada e de extração social e política bem definida. No outro extremo, posicionava-se parte da população brasileira comprometida com o projeto social getulista/trabalhista. Entre 1945 e 1964, viveu-se uma fase da trajetória nacional brasileira que, apesar das inúmeras contradições que a marcaram, encontrou, na efervescência da vida partidária, uma efetiva contribuição para a ampliação da prática da democracia política no Brasil. DELGADO, Lucília de Almeida Neves. Partidos políticos e frentes parlamentares: projetos, desafios e conflitos na democracia. In: FERREIRA, Jorge; DELGADO, Lucília de Almeida Neves (org.). O Brasil Republicano

( 3 ): o tempo da experiência democrática – da democratização de 1945 ao golpe civil-militar de 1964. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003, p. 131-132, com adaptações Com base no fragmento do texto apresentado como referência inicial, em relação à experiência histórica brasileira entre 1945 e 1964, julgue (C ou E) o item a seguir. Estimulada pelos fortes ventos liberais que se expandiam no pós-Segunda Guerra Mundial, a corrente contrária à ditadura varguista contemplava desde empresários a bacharéis e militares, sobretudo da Aeronáutica, tendo se concentrado, a partir da queda do Estado Novo, na União Democrática Nacional (UDN).

A Certo
B Errado
Texto associado
1 On any person who desires such queer prizes, New York will bestow the gift of loneliness and the gift of privacy. It is this largess that accounts for the presence 4 within the city’s walls of a considerable section of the population; for the residents of Manhattan are to a large extent strangers who have pulled up stakes somewhere and 7 come to town, seeking sanctuary or fulfillment or some greater or lesser grail. The capacity to make such dubious gifts is a mysterious quality of New York. It can destroy an 10 individual, or it can fulfill him, depending a good deal on luck. No one should come to New York to live unless he is willing to be lucky. 13 [...] There are roughly three New Yorks. There is, first, the New York of the man or woman who was born here, who 16 takes the city for granted and accepts its size and its turbulence as natural and inevitable. Second, there is the New York of the commuter—the city that is devoured by 19 locusts each day and spat out each night. Third, there is the New York of the person who was born somewhere else and came to New York in quest of something. Of these three 22 trembling cities the greatest is the last—the city of final destination, the city that is a goal. It is this third city that accounts for New York’s high-strung disposition, its 25 poetical deportment, its dedication to the arts, and its incomparable achievements. Commuters give the city its tidal restlessness; natives give it solidity and continuity; but 28 the settlers give it passion. And whether it is a farmer arriving from Italy to set up a small grocery store in a slum, or a young girl arriving from a small town in Mississippi to 31 escape the indignity of being observed by her neighbors, or a boy arriving from the Corn Belt with a manuscript in his suitcase and a pain in his heart, it makes no difference: each 34 embraces New York with the intense excitement of first love, each absorbs New York with the fresh eyes of an adventurer, each generates heat and light to dwarf the 37 Consolidated Edison Company. White, E.B. (1999) Here is New York. New York: The Little Book Room, with adaptations.

Mark the following item as right (C) or wrong (E) in summarizing the opinions of the author of the text. Loneliness and privacy are unambiguously valuable gifts.

A Certo
B Errado

O período de 1930 a 1945 foi decisivo para a emergência de um conjunto de reformas que modificaram profundamente as relações de produção e de trabalho no País. Quanto a esses temas, julgue (C ou E) o item a seguir. Na década de 1930, ocorreu uma mudança significativa na composição da classe operária, sobretudo em São Paulo, associada à redução no fluxo de imigrantes estrangeiros.

A Certo
B Errado

No que se refere ao contexto da Revolução Mexicana, julgue (C ou E) o item a seguir. Apesar do significativo crescimento da economia mexicana durante o Porfiriato, os índices de pobreza permaneciam muito elevados, fator que está na origem de uma série de manifestações de insatisfação social.

A Certo
B Errado

Com base no fragmento do texto apresentado como referência inicial, em relação à experiência histórica brasileira entre 1945 e 1964, julgue (C ou E) o item a seguir. Várias crises marcaram a trajetória brasileira entre 1945 e 1964, algumas extremamente dramáticas e de consequências marcantes para o País, entre as quais o suicídio de Getúlio Vargas, em 1954, a controversa eleição de Juscelino Kubitschek, em 1955, e a renúncia de Jânio Quadros, em 1961.

A Certo
B Errado