Texto associado
Texto para responder à questão. A cidade moderna construiu-se sob a promessa da ordem, da higiene e do progresso. Ruas limpas, espaços racionalmente organizados, circulação controlada de pessoas e mercadorias. Nesse projeto urbano, certos modos de vida tornaram-se um problema a ser removido do campo do visível. Modos de vida considerados incompatíveis com a cidade moderna foram progressivamente deslocados para fora do convívio social, e a loucura, associada ao perigo, à desrazão e à improdutividade, foi confinada em instituições especializadas. O que se anunciava como cuidado e proteção constituiu, na prática, uma política de segregação, sustentada por saberes científicos e dispositivos institucionais que autorizaram o afastamento da loucura da cidade. A reforma psiquiátrica no Brasil emerge como tentativa histórica de ruptura com a lógica da cidade higienizada. Ao questionar o manicômio como instituição total e propor a construção de uma rede substitutiva de cuidado em liberdade, ela recoloca a cidade no centro do debate. Mais do que fechar hospitais psiquiátricos, a reforma produziu um movimento concreto de retorno à cidade, no qual ex-moradores de instituições totais passaram a reaprender a circular pelos espaços urbanos, a negociar a vida cotidiana e a habitar ruas, bairros e tempos comuns. Disponível em: . Acesso em: 17 abr. 2026, com adaptações.
A
O conceito de cidade moderna baseou-se em princípios de limpeza social, de forma a oferecer a toda a população condições de igualdade socioambiental e o direito de ir e vir.
B
A reforma psiquiátrica defende a segregação dos indivíduos com doenças mentais em instituições destinadas exclusivamente ao cuidado e ao tratamento de pacientes acometidos por tais transtornos.
C
A luta antimanicomial é um compromisso das cidades modernas, para que as pessoas com transtornos mentais possam conviver em sociedade, desde que recebam o adequado tratamento do Estado.
D
Com a reforma psiquiátrica no Brasil, pacientes que antes eram confinados e segregados em hospitais psiquiátricos passaram a conviver nas cidades como pessoas normais, visto que este é um direito de todo cidadão.
E
A reforma psiquiátrica não busca apenas o fim dos manicômios, mas a reintegração social, defendendo que o cuidado deve ocorrer em liberdade, de modo que todos exerçam o direito de ocupar o espaço urbano e viver em sociedade.