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A cidade contemporânea, apesar de grandes transformações, está mais próxima da cidade medieval do que esta última da cidade antiga. A cidade da Idade Média é uma sociedade abundante, concentrada em um pequeno espaço, um lugar de produção e de trocas em que se mesclam o artesanato e o comércio alimentados por uma economia monetária. É também o cadinho de um novo sistema de valores nascido da prática laboriosa e criadora do trabalho, do gosto pelo negócio e pelo dinheiro. (Jacques Le Goff, Por amor às cidades. Adaptado) O trecho faz referência à cidade medieval

A do contexto árabe-islâmico.
B da Alta Idade Média.
C da Baixa Idade Média.
D das invasões germânicas.
E do Império Carolíngio.

No texto, em relação aos termos traficantes (1° parágrafo) e aparentemente (2° parágrafo), é correto afirmar que o primeiro deriva por

A sufixação, sendo que “-nte” forma nome de agente; e o segundo, por sufixação, com “-mente” agregando valor de modo ao vocábulo.
B parassíntese, sendo a palavra formada um adjetivo; e o segundo, por prefixação, com “a-” assumindo valor de negação no vocábulo.
C sufixação, sendo que “-nte” forma nome derivado de verbo; e o segundo, por parassíntese, sendo a palavra formada indicativa de causa.
D parassíntese, sendo que “-nte” expressa sentido de abundância; e o segundo, por prefixação, com “a-” assumindo valor de movimento.
E regressão, sendo que “-nte” forma nome de agente; e o segundo, por sufixação, com “-mente” assumindo valor de intensidade no vocábulo.

Leia o soneto para responder a questão. Disse ao meu coração: Olha por quantos Caminhos vãos andamos! Considera Agora, d’esta altura fria e austera, Os ermos que regaram nossos prantos… Pó e cinzas, onde houve flor e encantos! E noite, onde foi luz de primavera! Olha a teus pés o mundo e desespera, Semeador de sombras e quebrantos! Porém o coração, feito valente Na escola da tortura repetida, no uso do penar tornado crente, Respondeu: D’esta altura vejo o Amor! Viver não foi em vão, se é isto a vida, Nem foi demais o desengano e a dor. (Antero de Quental, Antologia) O sentido do poema é perpassado pelo

A pessimismo, que se manifesta na dualidade do eu lírico marcada na análise melancólica que faz da vida.
B idealismo, que reporta os sentimentos do eu lírico a uma dimensão de perfeição.
C transcendentalismo, que faz com que o eu lírico tenha uma visão entusiasmada da vida e do amor.
D desencanto, que sugere o eu lírico fraco e hesitante em relação às suas experiências de vida.
E estoicismo, que revela o eu lírico resignado diante das experiências negativas que marcaram sua vida.

Leia o soneto para responder a questão. Disse ao meu coração: Olha por quantos Caminhos vãos andamos! Considera Agora, d’esta altura fria e austera, Os ermos que regaram nossos prantos… Pó e cinzas, onde houve flor e encantos! E noite, onde foi luz de primavera! Olha a teus pés o mundo e desespera, Semeador de sombras e quebrantos! Porém o coração, feito valente Na escola da tortura repetida, no uso do penar tornado crente, Respondeu: D’esta altura vejo o Amor! Viver não foi em vão, se é isto a vida, Nem foi demais o desengano e a dor. (Antero de Quental, Antologia) Entende-se a resposta do coração ao eu lírico como uma

A confirmação de que sua vida foi de fato só sofrimento.
B constatação de que sua vida tenha sido só sofrimento.
C ressalva de que sua vida poderia ter sido só sofrimento.
D refutação de que sua vida tenha sido só sofrimento.
E hipótese de que sua vida poderia ter sido só sofrimento.

Leia o soneto para responder a questão. Disse ao meu coração: Olha por quantos Caminhos vãos andamos! Considera Agora, d’esta altura fria e austera, Os ermos que regaram nossos prantos… Pó e cinzas, onde houve flor e encantos! E noite, onde foi luz de primavera! Olha a teus pés o mundo e desespera, Semeador de sombras e quebrantos! Porém o coração, feito valente Na escola da tortura repetida, no uso do penar tornado crente, Respondeu: D’esta altura vejo o Amor! Viver não foi em vão, se é isto a vida, Nem foi demais o desengano e a dor. (Antero de Quental, Antologia) Nos versos “ Porém o coração, feito valente / Na escola da tortura repetida, / E no uso do penar tornado crente, / Respondeu...”, o termo em destaque estabelece relação coesiva, cujo sentido é de

A condição, sendo possível substituí-lo por “Desde que”.
B conclusão, sendo possível substituí-lo por “Portanto”.
C explicação, sendo possível substituí-lo por “Pois”.
D causa, sendo possível substituí-lo por “Porque”.
E oposição, sendo possível substituí-lo por “Todavia”.

Leia o soneto para responder a questão. Disse ao meu coração: Olha por quantos Caminhos vãos andamos! Considera Agora, d’esta altura fria e austera, Os ermos que regaram nossos prantos… Pó e cinzas, onde houve flor e encantos! E noite, onde foi luz de primavera! Olha a teus pés o mundo e desespera, Semeador de sombras e quebrantos! Porém o coração, feito valente Na escola da tortura repetida, no uso do penar tornado crente, Respondeu: D’esta altura vejo o Amor! Viver não foi em vão, se é isto a vida, Nem foi demais o desengano e a dor. (Antero de Quental, Antologia) Assinale a alternativa em que a reescrita de passagem do poema está em conformidade com a norma-padrão.

A Olha o mundo, coração, que aos pés de ti estão e desespera…
B O coração respondeu que o desengano e a dor nem foram demais.
C Onde flor e encantos frutificou, hoje há pó e cinzas!
D Coração, veja por quantos caminhos vãos andamos tu e eu!
E Esta altura fria e austera permitem ver os ermos que regaram nossos prantos…

Faz três semanas que o secretário-geral da OEA espera que o Conselho Permanente da entidade se reúna para adotar uma posição mais dura em relação à crise na Venezuela. Cabe ao diplomata brasileiro a tarefa de convocar os representantes dos 34 países-membros. Não se sabe se por alguma orientação do Itamaraty, mas o fato é que até agora o embaixador segue na dele. (IstoÉ, 16.08.2017. Adaptado) Com a frase final do texto – … até agora o embaixador segue na dele. –, o autor

A mostra, explicitamente, o receio que o diplomata brasileiro tem de atender ao pedido do secretário da OEA.
B pondera, com humor, que o diplomata brasileiro enfrenta o Itamaraty quando o assunto é a crise na Venezuela.
C critica, com graça, a falta de iniciativa do diplomata brasileiro em relação à crise na Venezuela.
D reitera, com desânimo, a negligência do diplomata brasileiro e dos países-membros da OEA quanto à crise na Venezuela.
E comenta, com euforia, a dinâmica com que o diplomata brasileiro avalia a crise na Venezuela.

– Bem dizia eu, que aquela janela… – É a janela dos rouxinóis. – Que lá estão a cantar. – Então, esses lá estão ainda como há dez anos – os mesmos ou outros – mas a menina dos rouxinóis foi-se e não voltou. – A menina dos rouxinóis? Que história é essa? Pois deveras tem uma história aquela janela? – É um romance todo inteiro, todo feito, como dizem os franceses, e conta-se em duas palavras. – Vamos a ele. A menina dos rouxinóis, menina com olhos verdes! Deve ser interessantíssimo. Vamos à história já. – Pois vamos. Apeiemos e descansemos um bocado. Já se vê que este diálogo passava entre mim e outro dos nossos companheiros de viagem. Apeamo-nos, com efeito; sentamo-nos; e eis aqui a história da menina dos rouxinóis como ela se contou. É o primeiro episódio da minha odisseia: estou com medo de entrar nele porque dizem as damas e os elegantes da nossa terra que o português não é bom para isto, que em francês que há outro não sei quê… Eu creio que as damas que estão mal informadas, e sei que os elegantes que são uns tolos; mas sempre tenho meu receio, porque, enfim, deles me rio eu; mas poesia ou romance, música ou drama de que as mulheres não gostem é porque não presta. Ainda assim, belas e amáveis leitoras, entendamo-nos: o que eu vou contar não é um romance, não tem aventuras enredadas, peripécias, situações e incidentes raros; é uma história simples e singela, sinceramente contada e sem pretensão. Acabemos aqui o capítulo em forma de prólogo e a matéria do meu conto para o seguinte. (Almeida Garrett. Viagens na Minha Terra) Na passagem lida, o narrador faz referência ao primeiro episódio de sua odisseia, o qual corresponde

A ao diálogo entre ele e um dos companheiros de viagem.
B a uma conversa sobre belas e amáveis leitoras.
C a um conto narrado à moda francesa.
D a um drama de que as mulheres não gostam.
E à história da menina dos rouxinóis.

– Bem dizia eu, que aquela janela… – É a janela dos rouxinóis. – Que lá estão a cantar. – Então, esses lá estão ainda como há dez anos – os mesmos ou outros – mas a menina dos rouxinóis foi-se e não voltou. – A menina dos rouxinóis? Que história é essa? Pois deveras tem uma história aquela janela? – É um romance todo inteiro, todo feito, como dizem os franceses, e conta-se em duas palavras. – Vamos a ele. A menina dos rouxinóis, menina com olhos verdes! Deve ser interessantíssimo. Vamos à história já. – Pois vamos. Apeiemos e descansemos um bocado. Já se vê que este diálogo passava entre mim e outro dos nossos companheiros de viagem. Apeamo-nos, com efeito; sentamo-nos; e eis aqui a história da menina dos rouxinóis como ela se contou. É o primeiro episódio da minha odisseia: estou com medo de entrar nele porque dizem as damas e os elegantes da nossa terra que o português não é bom para isto, que em francês que há outro não sei quê… Eu creio que as damas que estão mal informadas, e sei que os elegantes que são uns tolos; mas sempre tenho meu receio, porque, enfim, deles me rio eu; mas poesia ou romance, música ou drama de que as mulheres não gostem é porque não presta. Ainda assim, belas e amáveis leitoras, entendamo-nos: o que eu vou contar não é um romance, não tem aventuras enredadas, peripécias, situações e incidentes raros; é uma história simples e singela, sinceramente contada e sem pretensão. Acabemos aqui o capítulo em forma de prólogo e a matéria do meu conto para o seguinte. (Almeida Garrett. Viagens na Minha Terra) Com a passagem “Ainda assim, belas e amáveis leitoras, entendamo-nos…”, o narrador faz

A uma advertência de que sua narrativa fugirá dos padrões vigentes, ideia sintetizada na frase “é uma história simples e singela, sinceramente contada e sem pretensão”.
B uma interação controlada para expor a história a ser narrada sem “situações e incidentes raros”, mas ainda assim nos moldes dos franceses, nos quais “há outro não sei quê”.
C uma crítica às suas leitoras, ao afirmar que se trata de “damas que estão mal informadas”, por isso propõe a elas “uma história simples e singela”.
D uma concessão às leitoras, atendendo-lhes o gosto literário, propondo, portanto, algo que “não é um romance, não tem aventuras enredadas”.
E uma exposição da sua limitação criativa, fruto da imposição de valores da cultura francesa, o que compromete sua arte: “estou com medo de entrar nele”.

– Bem dizia eu, que aquela janela… – É a janela dos rouxinóis. – Que lá estão a cantar. – Então, esses lá estão ainda como há dez anos – os mesmos ou outros – mas a menina dos rouxinóis foi-se e não voltou. – A menina dos rouxinóis? Que história é essa? Pois deveras tem uma história aquela janela? – É um romance todo inteiro, todo feito, como dizem os franceses, e conta-se em duas palavras. – Vamos a ele. A menina dos rouxinóis, menina com olhos verdes! Deve ser interessantíssimo. Vamos à história já. – Pois vamos. Apeiemos e descansemos um bocado. Já se vê que este diálogo passava entre mim e outro dos nossos companheiros de viagem. Apeamo-nos, com efeito; sentamo-nos; e eis aqui a história da menina dos rouxinóis como ela se contou. É o primeiro episódio da minha odisseia: estou com medo de entrar nele porque dizem as damas e os elegantes da nossa terra que o português não é bom para isto, que em francês que há outro não sei quê… Eu creio que as damas que estão mal informadas, e sei que os elegantes que são uns tolos; mas sempre tenho meu receio, porque, enfim, deles me rio eu; mas poesia ou romance, música ou drama de que as mulheres não gostem é porque não presta. Ainda assim, belas e amáveis leitoras, entendamo-nos: o que eu vou contar não é um romance, não tem aventuras enredadas, peripécias, situações e incidentes raros; é uma história simples e singela, sinceramente contada e sem pretensão. Acabemos aqui o capítulo em forma de prólogo e a matéria do meu conto para o seguinte. (Almeida Garrett. Viagens na Minha Terra) Assinale a alternativa correta quanto à concordância nominal.

A Dizem as damas e os elegantes da nossa terra que a língua portuguesa não é bom para isto.
B O que vou contar não tem bastantes aventuras enredadas, peripécias, situações e incidentes raros.
C As mulheres não gostam de poesia, romance, música ou drama más, e isso é sinal de que são ruim.
D Eu creio que haja má informações circulando entre as mulheres e os tolos de nossa terra.
E As damas e os elegantes acreditam que as narrativas em francês são melhor do que as em português.