Atenção : Para responder às questões de números 1 a 7, baseie-se no texto abaixo.
[A máquina funcional e a arte literária]
O homem está começando a entender como se desmonta e como se torna a montar a mais complicada e imprevisível de todas as suas máquinas: a linguagem. O mundo de hoje, em relação àquele que cercava o homem primitivo, é muito mais rico de palavras, de conceitos e de signos. Mas é sobretudo mais rico em operações computacionais.
Entregue-se a um computador a tarefa de realizar operações de fato criativas: será a máquina capaz de substituir o poeta e o escritor? Assim como já temos máquinas que leem, máquinas que executam análises linguísticas de textos literários, máquinas que traduzem, máquinas que resumem, teríamos, então, máquinas capazes de criar e compor poemas e romances?
O que interessa nem tanto é essa pergunta especifica, mas sua viabilidade teórica, que poderia abrir uma série de conjecturas insólitas. Nesse momento, não estou pensando numa máquina capaz apenas de uma produção literária em série, estou pensando numa máquina que escreva e ponha em jogo, na página, todos aqueles elementos que costumamos considerar como os mais ciosos atributos da intimidade psicológica, da experiência, da imprevisibilidade das mudanças de humor, os sobressaltos, as aflições e as iluminações interiores. E o que seriam eles, senão um número correspondente de campos linguísticos, dos quais podemos tranquilamente chegar a estabelecer léxico, gramática, sintaxe e propriedades permutativas?
Com efeito, já que os desenvolvimentos da cibernética têm por alvo máquinas capazes de aprender, de mudar o próprio programa, de desenvolver suas próprias necessidades, nada nos impede da prever uma máquina literária que, a certa altura, sinta-se insatisfeita com o próprio tradicionalismo de suas funções e comece a propor novas maneiras de entender a escritura e a desorganizar completamente os próprios códigos, na busca não apenas de uma nova linguagem, mas de novas percepções do mundo.
(Adaptado de: CALVINO, Italo. Assunto encerrado. Trad. Roberta Bari. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 203-204)
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A decisão de que Teresina se tornasse a capital do Piauí
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Considera-se que a linguagem é a mais complicada e imprevisível das máquinas criadas pelo homem
De acordo com o Código Tributário Nacional, a interpretação da legislação tributária que
Segundo o último Censo realizado em 2022 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as cidades mais populosas do Piauí, além de Teresina, são, em ordem decrescente:
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Atenção : Para responder às questões de números 1 a 5, baseie-se no texto abaixo.
Só quem tem alma pode contar o tempo
Mais um ano está começando neste janeiro, e de novo a maior parte da humanidade vai ignorar aquela pequena parcela de realistas desencantados — também chamados de cínicos — que aponta a arbitrariedade dos inícios e dos fins numa linha do tempo em que todos os dias são iguais. Acontece que, nesse caso, a maioria tem razão. Quem diz que todos os dias são iguais não leva em conta a necessidade humana de contar histórias a fim de dar sentido à escala desmesurada e opressiva — numa palavra, inumana — do tempo cósmico.
Como observa o crítico Frank Kermode no livro “O Sentido de um Fim”, cabe às histórias que inventamos, com seus marcos temporais atravessados de cultura, dar sentido ao intervalo entre início e fim, transformando Chrónos, o tempo infinito e amorfo dos gregos, em Kairós, o momento cheio de significado.
A palavra “ano” descende do prefixo grego “amphi", isto é, “em tomo, à volta”. Isso faz do ano um parente distante de outros termos em que está presente a ideia de círculo, de algo que circunda, que envolve por todos os lados - como ambiente, anfiteatro e anel, entre outros. “Janeiro” deve seu nome ao deus romano Jano, entidade de duas caras, capaz de olhar ao mesmo tempo para o passado e para o futuro - ou para dentro e para fora, o que explica que a palavra “janela” seja outra de suas filhas.
Eis por que sabemos que tem raízes profundas em nossa alma, indo muito além de modismos midiáticos, o frenesi que nessa época nos leva a passar em revista O ano que se encerra, tentando apurar seu saldo de altos e baixos, ao mesmo tempo que fazemos listas de “ resoluções” bem-intencionadas — que, na maior parte das vezes, já estarão desmoralizadas antes do Carnaval.
(Adaptado de: RODRIGUES, Sérgio. Folha da S.Paulo, 1º de janeiro de 2025)
Só quem tem alma pode contar o tempo
Mais um ano está começando neste janeiro, e de novo a maior parte da humanidade vai ignorar aquela pequena parcela de realistas desencantados — também chamados de cínicos — que aponta a arbitrariedade dos inícios e dos fins numa linha do tempo em que todos os dias são iguais. Acontece que, nesse caso, a maioria tem razão. Quem diz que todos os dias são iguais não leva em conta a necessidade humana de contar histórias a fim de dar sentido à escala desmesurada e opressiva — numa palavra, inumana — do tempo cósmico.
Como observa o crítico Frank Kermode no livro “O Sentido de um Fim”, cabe às histórias que inventamos, com seus marcos temporais atravessados de cultura, dar sentido ao intervalo entre início e fim, transformando Chrónos, o tempo infinito e amorfo dos gregos, em Kairós, o momento cheio de significado.
A palavra “ano” descende do prefixo grego “amphi", isto é, “em tomo, à volta”. Isso faz do ano um parente distante de outros termos em que está presente a ideia de círculo, de algo que circunda, que envolve por todos os lados - como ambiente, anfiteatro e anel, entre outros. “Janeiro” deve seu nome ao deus romano Jano, entidade de duas caras, capaz de olhar ao mesmo tempo para o passado e para o futuro - ou para dentro e para fora, o que explica que a palavra “janela” seja outra de suas filhas.
Eis por que sabemos que tem raízes profundas em nossa alma, indo muito além de modismos midiáticos, o frenesi que nessa época nos leva a passar em revista O ano que se encerra, tentando apurar seu saldo de altos e baixos, ao mesmo tempo que fazemos listas de “ resoluções” bem-intencionadas — que, na maior parte das vezes, já estarão desmoralizadas antes do Carnaval.
(Adaptado de: RODRIGUES, Sérgio. Folha da S.Paulo, 1º de janeiro de 2025)
Nos 2 o e 3 o parágrafos, considera-se a etimologia ou origem histórica de algumas palavras relacionadas a passagens e marcas temporais. Depreende-se dessas considerações que
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Atenção: Para responder às questões de números 1 a 7, baseie-se no texto abaixo.
Perigo da Inteligência Artificial (IA) não vem dos robôs, mas de nós
Em seu livro mais recente, "The Al Mirror" ("O espelho da IA"), a filósofa americana Shannon Vallor sustenta que o perigo oferecido pela inteligência artificial é muito diferente do que se costuma imaginar. O "risco existencial" para nossa espécie não viria da progressiva substituição de gente por máquinas, geradora de desemprego e, no limite, de nossa extinção. O perigo estaria em nós mesmos, em nosso enamoramento pela imagem que a IA reflete, como o de Narciso em seu lago.
Especialista em ética da tecnologia, a autora acredita que, se não abrirmos o olho, veremos "os poderes e virtudes mais vigorosos da espécie - nossa capacidade de pensamento criativo, ambição moral, imaginação política e, acima de tudo, sabedoria serem afogados no espelho da lA". Afogados porque rendidos, entregues de graça ou em troca de miçangas coloridas. Terceirizados, por narcisismo e preguiça, a algoritmos que se baseiam no que decidimos no passado para decidir em nosso nome no futuro. Decidir tudo: escolher gente para vagas de emprego, prender gente com base em reconhecimento facial, dosar fluxos de socorro humanitário para populações flageladas, resumir um grosso relatório em meia página.
Mas qual seria o problema disso tudo, ferramentas que podem ser tão úteis na solução de problemas? Segundo a autora, o risco é nada menos que a estagnação da espécie. Junto com o poder de decidir, estamos abrindo mão do domínio dos próprios meios para a tomada de decisões: escrever, fazer contas, projetar, raciocinar, escolher.
Todas as tecnologias sempre desafiaram moralmente os seres humanos, levando-os a conceber novos valores e formas de viver em sociedade. A seta sempre apontou para o futuro - até agora. "Precisamos abraçar, renovar e aprofundar esse aprendizado moral", prega a autora, "porque a IA representa uma forte tentação de esquecé-lo, aceitando em seu lugar um reflexo pálido e estático daquilo que um dia soubemos a nosso respeito. Estamos diante de crises planetárias e civilizacionais que a humanidade nunca enfrentou antes. Você planejaria sua escalada de uma montanha perigosa e desconhecida olhando pelo espelho, para aquilo que ficou para trás?"
(Adaptado de: RODRIGUES, Sérgio. Folha de S.Paulo. 02/04/2025)
Perigo da Inteligência Artificial (IA) não vem dos robôs, mas de nós
Em seu livro mais recente, "The Al Mirror" ("O espelho da IA"), a filósofa americana Shannon Vallor sustenta que o perigo oferecido pela inteligência artificial é muito diferente do que se costuma imaginar. O "risco existencial" para nossa espécie não viria da progressiva substituição de gente por máquinas, geradora de desemprego e, no limite, de nossa extinção. O perigo estaria em nós mesmos, em nosso enamoramento pela imagem que a IA reflete, como o de Narciso em seu lago.
Especialista em ética da tecnologia, a autora acredita que, se não abrirmos o olho, veremos "os poderes e virtudes mais vigorosos da espécie - nossa capacidade de pensamento criativo, ambição moral, imaginação política e, acima de tudo, sabedoria serem afogados no espelho da lA". Afogados porque rendidos, entregues de graça ou em troca de miçangas coloridas. Terceirizados, por narcisismo e preguiça, a algoritmos que se baseiam no que decidimos no passado para decidir em nosso nome no futuro. Decidir tudo: escolher gente para vagas de emprego, prender gente com base em reconhecimento facial, dosar fluxos de socorro humanitário para populações flageladas, resumir um grosso relatório em meia página.
Mas qual seria o problema disso tudo, ferramentas que podem ser tão úteis na solução de problemas? Segundo a autora, o risco é nada menos que a estagnação da espécie. Junto com o poder de decidir, estamos abrindo mão do domínio dos próprios meios para a tomada de decisões: escrever, fazer contas, projetar, raciocinar, escolher.
Todas as tecnologias sempre desafiaram moralmente os seres humanos, levando-os a conceber novos valores e formas de viver em sociedade. A seta sempre apontou para o futuro - até agora. "Precisamos abraçar, renovar e aprofundar esse aprendizado moral", prega a autora, "porque a IA representa uma forte tentação de esquecé-lo, aceitando em seu lugar um reflexo pálido e estático daquilo que um dia soubemos a nosso respeito. Estamos diante de crises planetárias e civilizacionais que a humanidade nunca enfrentou antes. Você planejaria sua escalada de uma montanha perigosa e desconhecida olhando pelo espelho, para aquilo que ficou para trás?"
(Adaptado de: RODRIGUES, Sérgio. Folha de S.Paulo. 02/04/2025)