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Leia o texto de Jorge Coli para responder à questão. Dizer o que seja a arte é coisa difícil. Um sem-número de tratados de estética debruçou-se sobre o problema, procurando situá-lo, procurando definir o conceito. Mas, se buscamos uma resposta clara e definitiva, decepcionamo-nos: elas são divergentes, contraditórias, além de frequentemente se pretenderem exclusivas, propondo-se como solução única. Desse ponto de vista, a empresa é desencorajadora. Entretanto, se pedirmos a qualquer pessoa que possua um mínimo contato com a cultura para nos citar alguns exemplos de obras de arte ou de artistas, ficaremos certamente satisfeitos. Todos sabemos que a Mona Lisa , que a Nona Sinfonia de Beethoven, que a Divina Comédia , que Guernica de Picasso ou o Davi de Michelangelo são, indiscutivelmente, obras de arte. Assim, mesmo sem possuirmos uma definição clara e lógica do conceito, somos capazes de identificar algumas produções da cultura em que vivemos como “arte”. É possível dizer, então, que arte são certas manifestações da atividade humana diante das quais nosso sentimento é admirativo, isto é: nossa cultura possui uma noção que denomina solidamente algumas de suas atividades e as privilegia. Portanto, podemos ficar tranquilos: se não conseguimos saber o que a arte é, pelo menos sabemos quais coisas correspondem a essa ideia e como devemos nos comportar diante delas. ( O que é arte , 2010. Adaptado.)

“arte são certas manifestações da atividade humana diante das quais nosso sentimento é admirativo” (3° parágrafo) Os dois segmentos sublinhados podem ser substituídos, com correção gramatical, por:

A do espírito humano – em frente dos quais.
B da sensibilidade humana – perante às quais.
C do espírito humano ? perante as quais.
D da sensibilidade humana – em frente as quais.
E do espírito humano – perante aos quais.

O cidadão não é cidadão pelo fato de se ter estabelecido em algum lugar – pois os estrangeiros e os escravos também são estabelecidos. [...] Por aí se vê, pois, o que é o cidadão: aquele que tem uma parte legal na autoridade deliberativa e na autoridade judiciária. (Aristóteles. A política , s/d.) Aristóteles, filósofo do século IV a.C., fundou e dirigiu, na cidade de Atenas, o Liceu, um centro de estudos filosóficos. A sua definição de cidadania

A referia-se a direitos políticos exclusivos de alguns indivíduos nas cidades.
B restringia-se aos governos altamente militarizados das cidades.
C desconhecia as práticas políticas efetivas do extenso mundo grego.
D abrangia o conjunto da população economicamente ativa na Grécia.
E opunha-se ao funcionamento dos regimes democráticos nas pólis.

O rei é o homem bem-nascido, o homem nobre. Ele é definido não somente por uma boa família, mas também em relação à aristocracia e à nobreza. Há na aristocracia medieval uma tendência a rebaixar o rei, a reduzi-lo ao “primeiro entre os iguais”. (Jacques Le Goff. “Rei”. In: Dicionário analítico do Ocidente medieval , vol. 2, 2017. Adaptado.) Esse lugar ocupado pelo rei na sociedade medieval decorria, entre outros motivos, da

A extinção do estamento senhorial com o renascimento das atividades comerciais.
B imposição da autoridade política centralizada do Sacro- -Império sobre toda a Europa.
C existência de poderes políticos senhoriais no interior dos domínios feudais.
D aliança da cavalaria guerreira com o Papa durante o movimento das Cruzadas.
E propagação de ordens religiosas populares contrárias a governos militares.

Os grandes lucros que diziam auferir os mercadores portugueses que fizeram o tráfico do pau-brasil nas duas primeiras décadas após o descobrimento, os rigores do monopólio fiscal decretado pelo rei de Portugal e até notícias fantasiosas de riquezas da terra virgem contribuíram, em primeira linha, para originar e desenvolver o contrabando nas costas da Santa Cruz. (Bernardino José de Sousa. O pau-brasil na história nacional , 1978.) O texto alude aos primeiros contatos dos colonizadores com o litoral da “nova terra” e descreve

A o controle legal e efetivo da economia colonial pela Metrópole portuguesa.
B o início e o desenrolar da ocupação da colônia por numerosas famílias portuguesas.
C o financiamento e a instalação de engenhos de açúcar nas terras férteis da colônia.
D a atração real e imaginária exercida pelas riquezas da colônia sobre os europeus.
E a catequização e a escravização dos indígenas nas explorações auríferas coloniais.

Santa Teresa de Ávila (1515-1582) escreveu que a sua ascensão espiritual teve início quando viu a imagem que “representava de maneira edificante um Cristo coberto de chagas”. Considerando o período histórico em que viveu Santa Teresa, pode-se afirmar que a sua experiência mística

A opunha-se às vinculações entre a catequese cristã e a estética barroca.
B obedecia ao mandamento bíblico do culto de imagens sagradas.
C desconsiderava o princípio da salvação pela fé, comum às Reformas religiosas.
D harmonizava-se com o preceito do culto das imagens, sustentado pelo Concílio de Trento.
E considerava os sentidos humanos incompatíveis com a pureza religiosa.

A repressão oficial foi extremamente convincente: entre 15 e 20 de outubro de 1823, mais de duzentos e cinquenta prisioneiros, jogados nos porões do brigue Palhaço , morreram por asfixia, envenenamento e fuzilaria; outros, fuzilados em praça pública. O Império do Brasil já mostrava as suas garras muito antes de a Regência disparar contra a Cabanagem (1835-1840), que lutava contra o conservantismo e a continuidade do poder de bases coloniais no Grão-Pará. (Geraldo Mártires Coelho. “Onde fica a Corte do senhor Imperador?”. In : István Jancsó (org.). Brasil: formação do Estado e da Nação , 2003. Adaptado.) A Independência do Brasil, proclamada no Centro-Sul do país em 1822,

A contou, em algumas províncias, com a participação significativa das massas escravizadas e aboliu a escravidão.
B manifestou particularidades em províncias mais distantes do centro do Império e manteve privilégios sociais tradicionais.
C foi de fato realizada pelos governos democráticos das regências e estabeleceu o sufrágio universal para os maiores de vinte e um anos.
D diferenciou-se das demais independências latino-americanas pelo seu caráter pacífico e seguiu o modelo político da federação norte-americana.
E suspendeu a liberdade de comércio com as nações industrializadas e estabeleceu o monopólio governamental sobre o transporte fluvial.

A condição essencial da existência e da supremacia da classe burguesa é a acumulação de riquezas nas mãos dos particulares. O progresso da indústria substitui o isolamento dos operários por sua união revolucionária mediante a associação. A burguesia produz, sobretudo, seus próprios coveiros. (Karl Marx e Friedrich Engels. “O manifesto do Partido Comunista”. In: Textos , vol. III, 1977. Adaptado.) O Manifesto foi publicado em 1848, período de agitações populares em vários países europeus. Os autores argumentam que, com a Revolução Industrial,

A tornou-se nítida a contradição entre trabalho coletivo e apropriação privada dos benefícios econômicos.
B extinguiram-se as ideologias políticas em nome dos interesses econômicos das nações.
C surgiram setores de produção de mercadorias controlados pela mão de obra assalariada.
D ocorreu um processo de melhoria econômica e de nivelamento social em escala mundial.
E rompeu-se, pela primeira vez na história, a solidariedade entre camponeses assalariados e operários.

A maior [seca], a que dera a meu avô momentos de desespero, foi, se não me engano, a de 1907. [...] Desciam do sertão pela estrada levas e levas de pobres famintos. [...] Paravam por debaixo do engenho e meu avô mandava distribuir farinha de barco e mel de furo. No outro dia partiam para a capital. Muitos falavam do Amazonas e do Acre. O governo dava passagem para as terras onde as águas corriam de inverno a verão. (José Lins do Rego. Meus verdes anos , 1957.) José Lins do Rego nasceu na Paraíba, em 1901, e publicou a primeira edição de suas memórias em 1956. O escritor relembra o seguinte acontecimento significativo da história brasileira de que foi, quando criança, testemunha presencial:

A a desertificação progressiva dos terrenos férteis litorâneos devido à exploração intensiva da Mata Atlântica.
B o processo de integração de estados brasileiros distantes por meio de uma extensa rede viária nacional.
C a oferta de mão de obra abundante para a economia agroexportadora dos engenhos do nordeste do país.
D a manipulação política da grande massa de eleitores sertanejos pela oligarquia urbana nordestina.
E o deslocamento populacional de regiões de penúria social para as áreas de dinamismo econômico exportador.

Enquanto no final da década de 30 e nos anos iniciais da guerra o governo brasileiro era visto em Washington como “uma ditadura mais aceitável do que outras”, depois de 1943 as preocupações quanto à falta de democracia interna tornaram-se evidentes. (Marcelo de Paiva Abreu. “O Brasil e a economia mundial (1929-1945)”. In: História geral da civilização brasileira , tomo III, vol. 4, 1986.) A mudança de perspectiva do governo norte-americano sobre o Estado Novo brasileiro deveu-se à

A situação internacional com a provável derrota da aliança militar dos antes poderosos regimes fascistas.
B aproximação do governo getulista com as ditaduras nacionalistas nos continentes europeu e asiático.
C oposição dos países imperialistas à política de concessões de direitos sociais aos trabalhadores brasileiros.
D necessidade de um alinhamento imediato dos países americanos à política anticomunista dos Estados Unidos.
E dependência crescente do capitalismo norte-americano em relação aos mercados fornecedores de produtos industrializados.

Leia o trecho da resenha de Leila Saraiva do livro Do corpo ao pó: crônicas da territorialidade Kaiowá e Guarani nas adjacências da morte , escrito pelo antropólogo Bruno Morais. A morte, que aparece já no título da obra, acompanha os interlocutores do autor cotidianamente [...]. Habituada com a guerra, D. Damiana, umas das principais personagens do livro, é tudo, menos vítima: continua abrindo sua roça em meio a um cerco perverso da soja, continua cuidando de seus mortos, levantando acampamento, combatendo a disciplina colonizadora que tentam impor, sem sucesso, ao seu corpo, à sua terra. ( Le monde diplomatique Brasil , maio de 2018.) O trecho apresenta a história de algumas regiões do Brasil atual como um mosaico constituído

A pela inexistência de projetos estatais, pelo fim do extrativismo econômico e pela falta de consciência social dos povos indígenas.
B pela igualdade dos grupos econômico-sociais, pela unidade cultural e pela ausência de disputas por terra.
C pelo baixo desenvolvimento econômico, pela preservação do meio ambiente e pela garantia da propriedade coletiva.
D pelo avanço da fronteira agrícola, pela diversidade étnica e pela terra como fator de constituição de identidade.
E pela oposição estatal à concentração fundiária, pelo silêncio da Constituição sobre direitos indígenas e pela estatização das terras produtivas.