Banco público de questões
Questões para Concursos
Pesquise questões reais por disciplina, assunto, tópico, banca, órgão, cargo, ano e modalidade.
Questões por banca
29 bancas disponíveis.
Clique para visualizar todas.
Questões por banca
29 bancas disponíveis. Clique para visualizar todas.
Acesse diretamente as bancas disponíveis na QuestLab. As quantidades abaixo consideram as questões ativas do banco.
CEBRASPE
51.483 questões
FGV
25.316 questões
FCC
24.632 questões
AOCP
23.456 questões
IBFC
11.190 questões
VUNESP
11.173 questões
Instituto Quadrix
10.156 questões
FUNDATEC
9.088 questões
IBADE
7.820 questões
CESGRANRIO
6.013 questões
OBJETIVA
4.740 questões
CONSULPLAN
4.174 questões
FEPESE
3.585 questões
IADES
3.439 questões
IESES
2.627 questões
SELECON
2.377 questões
IDECAN
1.907 questões
MS CONCURSOS
1.485 questões
Instituto Legalle
1.281 questões
FAFIPA
1.161 questões
FUMARC
842 questões
ACAFE
551 questões
INSTITUTO AOCP
430 questões
NUCEPE
378 questões
FUNIVERSA
348 questões
FAURGS
203 questões
FIOCRUZ
48 questões
MACKENZIE
48 questões
CETRO
17 questões
12.297 questões encontradas
Um paciente com poiquilocitose possui
Homem, 65 anos, comparece para consulta com queixa de BAV para perto. Refere que o pai tinha glaucoma. No exame oftalmológico, não há alterações no segmento anterior. Na gonioscopia visualiza-se até a segunda porção do trabeculado sem indentação, e a PIO é de 19/19. No exame de fundoscopia, observa-se relação escavação/nervo aumentada (0,5) em ambos os olhos. Sobre o caso exposto, assinale a alternativa correta.
Texto associado
A introdução, na alimentação humana, de cereais contendo glúten data de cerca de 10.000 anos atrás, no sudoeste da Ásia. Trigo, centeio e cevada, juntamente com o milho e o arroz, representam os cereais mais consumidos no mundo. A respeito dos distúrbios associados ao glúten, julgue, como VERDADEIRO ou FALSO, os itens a seguir.
As proteínas do glúten podem também ser divididas em duas frações principais de acordo com sua solubilidade aquosa em álcool: as gliadinas insolúveis e as gluteninas solúveis. Especialmente no trigo, ambas as frações consistem em numerosos componentes proteicos.
Dentre outros aspectos, o processo de
controle estratégico deve incluir
Texto associado
Os métodos ágeis são métodos de desenvolvimento incremental em que os incrementos são pequenos e, normalmente, as novas versões do sistema são criadas e disponibilizadas aos clientes a cada duas ou três semanas. Em relação aos métodos ágeis, julgue, como VERDADEIRO ou FALSO, os itens a seguir.
No Scrum, o ponto de partida para o planejamento é a sprint do produto, que é a lista do trabalho a ser feito no projeto.
Considera-se a dengue um dos maiores problemas de saúde pública do mundo. Sobre o mosquito vetor, assinale a alternativa correta.
Texto associado
SOMOS
OS MAIORES
INIMIGOS DE
NOSSA
POSSIBILIDADE DE PENSAR
Contardo
Calligaris
Um ano atrás,
decidi seguir os conselhos de
meu filho e abri uma conta no Facebook. A
conta
é no nome da cachorra pointer que foi
minha
grande companheira nos anos 1970 e
funciona
assim: ninguém sabe que é minha conta, não
tenho amigos, não posto nada e não
converso com
ninguém. Uso o Face apenas para selecionar
um
“feed” de notícias, que são minha primeira
leitura
rápida de cada dia.
Meu plano era acordar e
verificar imediatamente
os editoriais e as chamadas dos jornais,
sites, blogs
que escolhi e, claro, percorrer a opinião
de meus
colunistas preferidos, nos EUA e na
Europa. Alguns
links eu abriria, mas sem usurpar
excessivamente
o tempo dedicado à leitura do jornal, que
acontece
depois, enquanto tomo meu café.
Tudo ótimo, no melhor dos
mundos. Até o dia
em que me dei conta do seguinte: sem que
esta
fosse minha intenção, eu tinha selecionado
só
a mídia que pensa como eu – ou quase. Meu
dia
começava excessivamente feliz, com a
sensação
de que eu vivia (até que enfim) na paz de
um
consenso universal.
Mesmo na minha
juventude, eu nunca
tinha conhecido um tamanho sentimento de
unanimidade. Naquela época, eu lia
“L’Unità” e, a
cada dia, identificava-me com o editorial.
Não havia
propriamente colunistas: a linguagem usada
no
jornal inteiro já continha e propunha uma
visão do
mundo. Ora, junto com “L’Unità” eu sempre
lia mais
um jornal – o “Corriere della Sera”, se eu
estivesse
em Milão, o “Journal de Genève”, em
Genebra, e o
“Le Monde”, em Paris. Nesses segundos
jornais,
eu verificava os fatos (não dava para
acreditar nem
mesmo no lado da gente) e assim esbarrava
nos
colunistas – em geral laicos e
independentes, sem
posições partidárias ou religiosas
definidas.
Em sua
grande maioria, eles não escreviam
para convencer o leitor: preferiam
levantar
dúvidas, inclusive neles mesmos. E era
isso que
eu apreciava.
Hoje,
os colunistas desse tipo ainda existem,
embora sejam poucos. Eles estão mais na
imprensa tradicional; na internet, duvidar
não é
uma boa ideia, porque é preciso criar e
alimentar os consensos do
“feed” do Face.
O
“feed” do Face, elogiado por muitos por
ser
uma espécie de jornal sob medida,
transformase, para cada um, numa voz
única, um jornal que
apresenta apenas uma visão, piorado por
uma falsa
sensação de pluralidade (produzida pelo
número
de links).
A gente
se queixa que a mídia estaria difundindo
uma versão única e parcial de fatos e
ideias, mas
a realidade é pior: não são os
conglomerados,
somos nós que, ao confeccionar um jornal
de
nossas notícias preferidas, criamos nosso
próprio
isolamento e vivemos nele. Como sempre
acontece,
somos nossos piores censores, os maiores
inimigos de nossa possibilidade de pensar.
De um lado, o
leitor do “feed” não se informa
para saber o que aconteceu e decidir o que
pensar,
ele se informa para fazer grupo, para
fazer parte
de um consenso. Do outro, o comentarista
escreve,
sobretudo para ser integrado nesses
consensos e
para se tornar seu porta-voz. O resultado
é uma
escrita extrema, em que os escritores
competem
por leitores tanto mais polarizados que
eles
conseguiram excluir de seu “jornal” as
notícias e as
ideias com as quais eles poderiam não
concordar:
leitores à procura de quem pensa como
eles.
Claro, que não
é um caso de ignorância completa,
mas a internet potencializa a vontade de
se perder
na opinião do grupo e de não pensar por
conta
própria. Essa vontade é a mesma que
tínhamos no
meu tempo de juventude – se não cresceu. O
que
temos, na verdade, é uma paixão pelo
consenso.
Entre
consensos opostos, obviamente, não há
diálogo nem argumentos, só ódio.
Em suma, provavelmente, o
resultado último
da informação à la carte (que a internet e
o “feed”
facilitam) será a polarização e o
tribalismo.
Eu mesmo
me surpreendo: em geral, acho
chatérrimos os profetas do apocalipse, que
estão
com medo de que o mundo se torne líquido
ou coisa
que valha. Mas, por uma vez, a
contemporaneidade
me deixa, digamos, pensativo.
Texto adaptado de:
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/conta
rdocalligaris/2016/09/1817706-somos-os-
maiores-inimigos-de-nossa-possibilidade-
de-pensar.shtml
OS MAIORES
INIMIGOS DE
NOSSA
POSSIBILIDADE DE PENSAR
Contardo
Calligaris
Um ano atrás,
decidi seguir os conselhos de
meu filho e abri uma conta no Facebook. A
conta
é no nome da cachorra pointer que foi
minha
grande companheira nos anos 1970 e
funciona
assim: ninguém sabe que é minha conta, não
tenho amigos, não posto nada e não
converso com
ninguém. Uso o Face apenas para selecionar
um
“feed” de notícias, que são minha primeira
leitura
rápida de cada dia.
Meu plano era acordar e
verificar imediatamente
os editoriais e as chamadas dos jornais,
sites, blogs
que escolhi e, claro, percorrer a opinião
de meus
colunistas preferidos, nos EUA e na
Europa. Alguns
links eu abriria, mas sem usurpar
excessivamente
o tempo dedicado à leitura do jornal, que
acontece
depois, enquanto tomo meu café.
Tudo ótimo, no melhor dos
mundos. Até o dia
em que me dei conta do seguinte: sem que
esta
fosse minha intenção, eu tinha selecionado
só
a mídia que pensa como eu – ou quase. Meu
dia
começava excessivamente feliz, com a
sensação
de que eu vivia (até que enfim) na paz de
um
consenso universal.
Mesmo na minha
juventude, eu nunca
tinha conhecido um tamanho sentimento de
unanimidade. Naquela época, eu lia
“L’Unità” e, a
cada dia, identificava-me com o editorial.
Não havia
propriamente colunistas: a linguagem usada
no
jornal inteiro já continha e propunha uma
visão do
mundo. Ora, junto com “L’Unità” eu sempre
lia mais
um jornal – o “Corriere della Sera”, se eu
estivesse
em Milão, o “Journal de Genève”, em
Genebra, e o
“Le Monde”, em Paris. Nesses segundos
jornais,
eu verificava os fatos (não dava para
acreditar nem
mesmo no lado da gente) e assim esbarrava
nos
colunistas – em geral laicos e
independentes, sem
posições partidárias ou religiosas
definidas.
Em sua
grande maioria, eles não escreviam
para convencer o leitor: preferiam
levantar
dúvidas, inclusive neles mesmos. E era
isso que
eu apreciava.
Hoje,
os colunistas desse tipo ainda existem,
embora sejam poucos. Eles estão mais na
imprensa tradicional; na internet, duvidar
não é
uma boa ideia, porque é preciso criar e
alimentar os consensos do
“feed” do Face.
O
“feed” do Face, elogiado por muitos por
ser
uma espécie de jornal sob medida,
transformase, para cada um, numa voz
única, um jornal que
apresenta apenas uma visão, piorado por
uma falsa
sensação de pluralidade (produzida pelo
número
de links).
A gente
se queixa que a mídia estaria difundindo
uma versão única e parcial de fatos e
ideias, mas
a realidade é pior: não são os
conglomerados,
somos nós que, ao confeccionar um jornal
de
nossas notícias preferidas, criamos nosso
próprio
isolamento e vivemos nele. Como sempre
acontece,
somos nossos piores censores, os maiores
inimigos de nossa possibilidade de pensar.
De um lado, o
leitor do “feed” não se informa
para saber o que aconteceu e decidir o que
pensar,
ele se informa para fazer grupo, para
fazer parte
de um consenso. Do outro, o comentarista
escreve,
sobretudo para ser integrado nesses
consensos e
para se tornar seu porta-voz. O resultado
é uma
escrita extrema, em que os escritores
competem
por leitores tanto mais polarizados que
eles
conseguiram excluir de seu “jornal” as
notícias e as
ideias com as quais eles poderiam não
concordar:
leitores à procura de quem pensa como
eles.
Claro, que não
é um caso de ignorância completa,
mas a internet potencializa a vontade de
se perder
na opinião do grupo e de não pensar por
conta
própria. Essa vontade é a mesma que
tínhamos no
meu tempo de juventude – se não cresceu. O
que
temos, na verdade, é uma paixão pelo
consenso.
Entre
consensos opostos, obviamente, não há
diálogo nem argumentos, só ódio.
Em suma, provavelmente, o
resultado último
da informação à la carte (que a internet e
o “feed”
facilitam) será a polarização e o
tribalismo.
Eu mesmo
me surpreendo: em geral, acho
chatérrimos os profetas do apocalipse, que
estão
com medo de que o mundo se torne líquido
ou coisa
que valha. Mas, por uma vez, a
contemporaneidade
me deixa, digamos, pensativo.
Texto adaptado de:
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/conta
rdocalligaris/2016/09/1817706-somos-os-
maiores-inimigos-de-nossa-possibilidade-
de-pensar.shtml
Referente aos excertos “Uso o Face apenas
para selecionar um “feed” de notícias[...]”
e “O resultado é uma escrita extrema[...]”,
assinale a alternativa correta.
Texto associado
[...]
— Exatamente — disse a raposa. — Tu não és nada para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. Eu serei para ti única no mundo. — Começo a compreender — disse o pequeno príncipe. — Existe uma flor... eu creio que ela me cativou...
— É possível — disse a raposa. — Vê-se tanta coisa na Terra...
— Oh! Não foi na Terra. — disse o principezinho.
A raposa pareceu intrigada:
— Num outro planeta?
— Sim.
— Há caçadores nesse outro planeta?
— Não.
— Que bom! E galinhas?
— Também não.
— Nada é perfeito — suspirou a raposa.
Mas a raposa retornou a seu raciocínio.
— Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens também. E isso me incomoda um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. Os teus me chamarão para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim não vale nada. Os campos de trigo não me lembram de coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos dourados. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado.
O trigo, que é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
A raposa calou-se e observou por muito tempo o príncipe:
— Por favor... cativa-me! — disse ela.
— Eu até gostaria — disse o principezinho
—, mas não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
— A gente só conhece bem as coisas que cativou — disse a raposa. — Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já pronto nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
— O que é preciso fazer? — perguntou o pequeno príncipe.
— É preciso ser paciente — respondeu a raposa. — Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. E te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentará um pouco mais perto.
No dia seguinte o príncipe voltou.
— Teria sido melhor se voltasses à mesma hora — disse a raposa. — Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz! Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar meu coração... É preciso que haja um ritual.
— Que é um "ritual"? — perguntou o principezinho.
— É uma coisa muito esquecida também – disse a raposa. — É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, adoram um ritual. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quintafeira é então o dia maravilhoso! Vou passear até à vinha. Se os caçadores dançassem em qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu nunca teria férias!
[...]
Fonte: SAINT-EXUPÉRY, Antoine de. O pequeno príncipe. Tradução de Dom Marcos Barbosa. 41 ed. Rio de Janeiro: Agir, 1994).
Levando em consideração o excerto retirado do livro “O pequeno príncipe”, julgue, como VERDADEIRO ou FALSO, os itens a seguir.
— Exatamente — disse a raposa. — Tu não és nada para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. Eu serei para ti única no mundo. — Começo a compreender — disse o pequeno príncipe. — Existe uma flor... eu creio que ela me cativou...
— É possível — disse a raposa. — Vê-se tanta coisa na Terra...
— Oh! Não foi na Terra. — disse o principezinho.
A raposa pareceu intrigada:
— Num outro planeta?
— Sim.
— Há caçadores nesse outro planeta?
— Não.
— Que bom! E galinhas?
— Também não.
— Nada é perfeito — suspirou a raposa.
Mas a raposa retornou a seu raciocínio.
— Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens também. E isso me incomoda um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. Os teus me chamarão para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim não vale nada. Os campos de trigo não me lembram de coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos dourados. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado.
O trigo, que é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
A raposa calou-se e observou por muito tempo o príncipe:
— Por favor... cativa-me! — disse ela.
— Eu até gostaria — disse o principezinho
—, mas não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
— A gente só conhece bem as coisas que cativou — disse a raposa. — Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já pronto nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
— O que é preciso fazer? — perguntou o pequeno príncipe.
— É preciso ser paciente — respondeu a raposa. — Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. E te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentará um pouco mais perto.
No dia seguinte o príncipe voltou.
— Teria sido melhor se voltasses à mesma hora — disse a raposa. — Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz! Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar meu coração... É preciso que haja um ritual.
— Que é um "ritual"? — perguntou o principezinho.
— É uma coisa muito esquecida também – disse a raposa. — É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, adoram um ritual. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quintafeira é então o dia maravilhoso! Vou passear até à vinha. Se os caçadores dançassem em qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu nunca teria férias!
[...]
Fonte: SAINT-EXUPÉRY, Antoine de. O pequeno príncipe. Tradução de Dom Marcos Barbosa. 41 ed. Rio de Janeiro: Agir, 1994).
Levando em consideração o excerto retirado do livro “O pequeno príncipe”, julgue, como VERDADEIRO ou FALSO, os itens a seguir.