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Sobre a definição de justiça apresentada por Sócrates em “A República”, de Platão, assinale a alternativa correta.

A Consiste em cada cidadão participar igualmente de todas as funções sociais, promovendo a igualdade entre todos.
B É alcançada quando a classe dos filósofos governa, a dos guerreiros protege e a dos artesãos simplesmente se submete às ordens dos demais.
C Corresponde ao governo da razão sobre os desejos na alma individual, garantindo que esta opere em conformidade com seus apetites naturais.
D Na cidade ideal, é identificada quando cada indivíduo exerce a função para a qual está mais apto por natureza, sem interferir na dos outros.
E Depende da obediência irrestrita à lei escrita e das punições aos que a desobedecem, como defendia Trasímaco.

Analise o trecho a seguir, retirado e adaptado do Livro I, da “Política” de Aristóteles. “E o porquê de o homem ser um animal político em maior medida que qualquer abelha ou animal gregário, é evidente. Pois como dizemos, a natureza não produz nada sem propósito; apenas o homem, dentre os animais, possui o logos. É assim que a voz pode configurar dor ou prazer e, deste modo, outros animais inferiores também a possuem (já que a sua natureza própria foi levada até o ponto de perceberem o que é doloroso ou prazeroso e transmitirem isto uns aos outros), enquanto o logos existe para tornar manifesto o vantajoso e o ruim, assim como o justo e o injusto; pois isto é o que faz o que é próprio ao homem e o diferencia dos outros animais: que ele sozinho tenha a percepção do bem e do mal, do justo e do injusto, etc. E é a comunidade dessas percepções que produz a família e a polis” (1253a10-18). A partir da leitura do trecho acima e dos pressupostos filosóficos de Aristóteles, analise as assertivas a seguir:

I. O filósofo distingue a linguagem (logos) da simples voz, atribuindo à primeira a função de transmitir emoções básicas e garantir a sobrevivência.

II. A linguagem é o fundamento racional da vida em comunidade, pois permite ao homem deliberar sobre valores morais compartilhados pelos cidadãos, como o justo e o injusto.

III. A natureza social e política do homem se fundamenta em sua capacidade de construir coletivamente significados éticos, o que o diferencia de outros animais gregários.

IV. Aristóteles não deixa de aceitar que outros animais também possuam linguagem articulada ( logos ), mas limitada às emoções simples de prazer e dor. Quais estão corretas?

A Apenas I e II.
B Apenas II e III.
C Apenas I, II e IV.
D Apenas I, III e IV.
E Apenas II, III e IV.

“Submetendo-se cada um a todos, não se submete a ninguém em particular, e como não há um associado sobre o qual não se adquira o mesmo direito que se cede sobre si próprio, ganha-se equivalência de tudo o que se perde e maior força para conservar o que se possui”. O trecho acima apresenta uma concepção de poder político que se fundamenta na noção de contrato. Essa concepção específica de contrato é apresentada em qual obra?

A Os seis livros da república, de Jean Bodin.
B Leviatã, de Thomas Hobbes.
C Segundo tratado sobre o governo civil, de John Locke.
D Do contrato social, de Jean-Jacques Rousseau.
E À paz perpétua, de Immanuel Kant.

Analise o trecho a seguir, da apresentação da obra “A Ideologia Alemã, de Marx e Engels”: “Ao construir sua teoria – na luta constante para marcar uma clara delimitação em relação à presença monstruosa de um sistema de pensamento tão tentador como o hegeliano –, Marx e Engels concentraram o combate teórico inicial em uma diferenciação em relação aos pressupostos idealistasde Hegel. Na diferenciação com o ‘saber absoluto’, os dois filósofos revelam a natureza do seumaterialismo, que remete para a produção e a reprodução das condições de existência dos homens. Dela decorrem as relações dos homens com a natureza e com suas formas de organização social, isto é, dos sujeitos com o que lhes aparece como a objetividade do mundo. Uma forma específica de apropriação da natureza determina as formas de organização social e a consciência. A apreensão do significado que as formas de reprodução da vida têm para a existência humana representa a primeira grande formulação do materialismo dialético para a compreensão da história e da consciência humana. A cada estado de desenvolvimento das formas de produção material da sua existência correspondem formas específicas de estruturação social, além de valores e formas de apreensão da realidade. Destacar esse papel de pressuposto incontornável da produção da vida material significa, ao mesmo tempo, colocar o trabalho no centro das condições de vida e consciência humana” (Sader, 2007). Com base no trecho acima e nos fundamentos do materialismo histórico-dialético, analise as assertivas a seguir:

I. A crítica marxista ao idealismo hegeliano se dá principalmente por meio da negação da dialética como método especulativo e da sua substituição por uma metodologia empírica baseada na observação das leis naturais.

II. A categoria “trabalho” aparece como a mediação fundamental entre o ser humano e a realidade objetiva, sendo o elemento que possibilita compreender tanto a estrutura social quanto as formas de consciência.

III. A concepção marxista rompe com a perspectiva hegeliana ao afirmar que a consciência dos indivíduos determina sua existência, o que fundamenta a centralidade do sujeito na história.

IV. A historicidade do ser humano está enraizada na capacidade de transformar a natureza por meio do trabalho, e de transmitir material e simbolicamente essas transformações às gerações futuras.

V. A crítica marxista à alienação assume que o trabalho, ao invés de ser a expressão da humanidade do sujeito, torna-se uma atividade estranhada, pois o homem não se reconhece naquilo que produz. Quais estão corretas?

A Apenas I, II e IV.
B Apenas I, III e V.
C Apenas II, III e IV.
D Apenas II, IV e V.
E Apenas III, IV e V.

Com base na concepção de “poder”, do filósofo Michel Foucault, analise o trecho a seguir: Para Michel Foucault, o poder não é uma entidade unitária, nem um bem a ser possuído, mas uma relação histórica, contingente e ____________, que se exerce entre sujeitos e se manifesta em práticas, discursos e instituições. Ao invés de se localizar exclusivamente no ____________, o poder circula em múltiplos pontos do corpo social, configurando uma rede dinâmica de ações sobre ações. Por isso, não pode ser reduzido apenas à função de repressão: ele é também ____________, pois produz saberes, verdades e subjetividades. A análise do poder, nesse sentido, exige a consideração de suas condições de emergência, seus instrumentos, seus campos de aplicação e os efeitos que produz em uma dada ____________ ao deslocar o foco da soberania para os dispositivos disciplinares e biopolíticos. Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima.

A relacional – Estado – produtivo – época
B universal – Estado – simbólico – estrutura
C imutável – Direito – alienante – ideologia
D transcendental – governo – coercitivo – legalidade
E hierárquica – Direito – repressivo – instituição

Leia os dois textos abaixo: Texto

I Se considerasse somente a força e o efeito que dela resulta, diria: quando um povo é obrigado a obedecer e o faz, age acertadamente; assim que pode sacudir esse jugo e o faz, age melhor ainda, porque, recuperando a liberdade pelo mesmo direito por que lha [sic] arrebataram, ou tem ele o direito de retomá-la ou não o tinham de subtraí-la. A ordem social, porém, é um direito sagrado que serve de base para todos os outros. Tal direito, no entanto, não se origina da natureza: funda-se, portanto, em convenções. ROUSSEAU, Jean-Jacques. Do contrato social . São Paulo: Nova Cultural, 1999. (Coleção Os Pensadores). p. 53-54. Texto

II Para bem compreender o poder político e derivá-lo de sua origem, devemos considerar em que estado todos os homens se acham naturalmente, sendo este um estado de perfeita liberdade para ordenar-lhes as ações e regular-lhes as posses e as pessoas conforme acharem conveniente, dentro dos limites da lei da natureza, sem pedir permissão ou depender da vontade de qualquer outro homem. (LOCKE, John. Segundo tratado sobre o governo . 3. Ed. São Paulo: Abril Cultural, 1983. [Coleção os Pensadores]. p. 35.) Com base nos textos apresentados e nos fundamentos teóricos de seus autores, assinale a alternativa correta.

A Ambos os textos defendem que o poder político legítimo é resultado de uma força natural que se impõe aos homens, sendo sua aceitação um dever racional.
B Rousseau e Locke compartilham a visão de que a origem da autoridade política reside na natureza humana e em suas inclinações racionais, sem necessidade de pactos formais.
C V, F, V, V.
D F, F, V, V.
E F, V, V, F.

Em uma reunião pedagógica, um grupo de professores discute diferentes teorias filosóficas sobre a relação entre o Estado e a liberdade individual. Um dos professores argumenta que, em certos contextos, a centralização do poder é necessária para garantir a ordem e evitar o caos. Outro professor contrapõe dizendo que a separação dos poderes é fundamental para proteger a liberdade e evitar o abuso de autoridade. Um terceiro professor menciona que, para garantir a verdadeira liberdade, é preciso que a sociedade atue de acordo com uma vontade coletiva, enquanto um quarto professor ressalta a importância de garantir os direitos naturais do indivíduo, com o Estado desempenhando um papel limitado. Com base nos pensamentos políticos de Maquiavel, Hobbes, Locke, Rousseau, Kant, Hegel e Marx, assinale a afirmativa que reflete a filosofia de Montesquieu sobre o equilíbrio entre liberdade e poder estatal.

A Sustenta que o Estado deve centralizar o poder em um soberano absoluto para garantir a ordem e a segurança, pois, sem essa centralização, a sociedade estaria em constante risco de anarquia e caos.
B Afirma que a verdadeira liberdade só pode ser alcançada quando os indivíduos submetem suas vontades à vontade geral, que expressa o interesse comum, sendo o Estado um reflexo direto dessa vontade.
C Acredita que a liberdade é garantida pelo respeito aos direitos naturais dos indivíduos, como vida, liberdade e propriedade, e que o Estado deve existir apenas para proteger esses direitos, sem intervir além do necessário.
D Defende que a liberdade individual só pode ser preservada em um Estado com separação de poderes, onde Executivo, Legislativo e Judiciário atuam de forma independente, impedindo que o poder se concentre em uma única instituição, o que poderia levar ao despotismo.

Durante uma aula sobre teorias filosóficas, o professor apresenta a seguinte situação para discussão: em uma sociedade fictícia, as classes trabalhadoras lutam contra as elites dominantes para conquistar melhores condições de vida. No entanto, essa luta não é apenas econômica, mas também envolve questões culturais, sociais e políticas, que são influenciadas pelos modos de produção dessa sociedade. Em outro momento da discussão, o professor propõe uma reflexão sobre a experiência subjetiva dos indivíduos e como o mundo se apresenta a eles, sugerindo que a consciência do ser humano é formada a partir da sua relação direta com o mundo, sem mediações externas. Com base na situação apresentada, qual das afirmativas a seguir associa corretamente as correntes filosóficas com os exemplos fornecidos pelo professor?

A A primeira parte da discussão reflete o materialismo histórico e dialético de Karl Marx, enquanto a segunda parte está alinhada ao existencialismo de Jean-Paul Sartre, que valoriza a liberdade individual acima de todas as determinações históricas.
B A primeira parte da discussão se relaciona à fenomenologia de Heidegger, que explora a existência e a angústia humana, enquanto a segunda parte reflete o materialismo dialético de Engels, que defende a interpretação econômica da história.
C A primeira parte da discussão está relacionada à fenomenologia de Edmund Husserl, que foca na experiência direta do sujeito, enquanto a segunda parte reflete o materialismo histórico de Karl Marx, com ênfase nas transformações sociais e econômicas.
D A primeira parte da discussão está de acordo com o materialismo histórico e dialético de Karl Marx, que enfatiza a luta de classes e as condições materiais da produção, enquanto a segunda parte está alinhada à fenomenologia de Edmund Husserl, que valoriza a experiência subjetiva do ser.

Imagine a seguinte situação hipotética: em uma escola pública, os professores estão organizando um debate sobre a natureza do poder e a formação dos governos. Durante o debate, um deles afirma que o Estado deve ser construído com base no consenso entre os cidadãos, permitindo que todos participem ativamente das decisões coletivas. Outro professor discorda, dizendo que o poder deve ser exercido em benefício da classe trabalhadora, visando à abolição da propriedade privada para promover igualdade. Um terceiro professor menciona que o poder deve se concentrar em um soberano forte para evitar a desordem, já que a natureza humana tende ao conflito. Finalmente, um quarto professor argumenta que a liberdade só pode ser preservada se o poder for dividido entre várias instituições. Com base nas ideias dos filósofos Maquiavel, Hobbes, Locke, Montesquieu, Rousseau, Kant e Hegel, a visão de Karl Mar, resumidamente, sobre a natureza do poder e da sociedade:

A Sustenta que o poder deve ser dividido entre o Executivo, Legislativo e Judiciário, de modo a garantir a liberdade individual e evitar o abuso de autoridade.
B Acredita que a sociedade deve ser organizada em torno da vontade geral, na qual os cidadãos obedecem às leis que eles próprios criaram em benefício do interesse coletivo.
C Argumenta que o Estado ideal é aquele que centraliza o poder em um soberano absoluto, pois sem essa centralização, a sociedade estaria em constante risco de conflitos e desordem.
D Defende que o poder deve ser exercido pela classe trabalhadora, com o objetivo de abolir a propriedade privada e superar as desigualdades criadas pelo sistema capitalista, resultando na construção de uma sociedade sem classes.

A emergência de um espaço público significa que se criou um domínio público que “pertence a todos” ( ta koina ). O “público” deixa de ser um assunto “privado” – do rei, dos prelados, da burocracia, dos políticos, dos especialistas, etc. As decisões relativas aos assuntos comuns devem ser tomadas pela comunidade. ( CASTORIADIS, 1987, p. 311 .) Um dos aspectos da polis grega, que se associa ao surgimento e desenvolvimento da política, é:

A A indissociável manutenção da ordem aristocrática em todos os espaços e períodos em que a política grega se manifestou.
B A abrangência da participação nas decisões políticas a todo público, ou seja, o sentido essencial de uma verdadeira democracia.
C A dissociação completa do aspecto hierárquico, característico de sistemas de governos anteriores, que primavam pelo poder meritocrático.
D A característica da publicidade, exigida em relação à vida social. Tal comportamento pressupõe a existência de um espaço comum, em oposição ao âmbito do particular.