Atenção : Para responder às questões de números 58 e 59 considere o texto abaixo, no qual Araújo e Lacerda (2010) falam sobre a linguagem no contexto da surdez.
É por meio da linguagem que o homem se comunica e vai se constituindo em suas interações, tornando-se capaz de fazer a categorização do mundo e adquirindo a possibilidade de abstração e a generalização dos objetivos em uma intrínseca relação com o funcionamento psíquico de ordem superior.
Tal constituição encontra-se seriamente comprometida na criança surda, em razão de serem insuficientes as oportunidades a ela oferecidas pelo grupo social (família e escola), que com ela não partilha de uma mesma língua. Submetidas a situações de comunicação dificultadas, sem interlocutores capazes de interpretar efetivamente e atribuir sentido às suas manifestações de linguagem, essas crianças não podem, justamente por seu déficit auditivo, desenvolver-se plenamente na língua de seu(s) grupo(s) de convivência. Esse contexto impõe ao surdo dificuldades interacionais, cognitivas, linguísticas e educacionais, criando um obstáculo para a criança em sua atuação sobre o mundo e sobre o outro.
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Os estudos linguísticos demonstram que as línguas de sinais possuem as mesmas características e qualidades de qualquer outra língua. Considere as frases abaixo:
Considere as duas situações abaixo.
Ana é ouvinte, filha de um casal de surdos usuários de libras, cresceu fazendo parte da comunidade surda e atualmente, com 25 anos de idade, trabalha como intérprete de libras de uma grande empresa de tradução e interpretação de libras. Ana se formou no ensino médio, mas não prosseguiu seus estudos. A empresa para a qual Ana trabalha presta serviços para inúmeros setores, fornecendo intérpretes de libras para eventos, reuniões de negócios, cursos, eventos culturais e artísticos ou qualquer outro contexto que surgir. Hoje Ana foi enviada a um centro de eventos para interpretar uma palestra sobre Etnografia dos Povos Originários da América Latina.
Malu também é ouvinte, tem 27 anos e é advogada. Depois de conhecer um moço surdo na balada há menos de um mês, se interessou em aprender libras e se matriculou em um curso com aulas uma vez por semana e, sempre que pode, aprece nos eventos organizados pela comunidade surda. Malu agora tem alguns conhecidos surdos, um deles pediu para que ela o acompanhasse a uma audiência de conciliação numa Vara da Justiça Federal para interpretar. Malu aceitou.
Nenhuma das situações apresentadas é ideal, apesar de serem recorrentes.
Com as informações sobre Ana e Malu e sobre os contextos em que irão interpretar, é correto afirmar:
A libras, como todas as línguas, apresenta polissemia, o fato de um sinal ou signo ter muitas significações dependendo do contexto. Assim, em uma interpretação, a escolha da palavra em português vai depender do contexto.
(SANTIAGO. 2014, p. 119 e 120)
Com base nos signos representados nas imagens acima, apresenta possíveis significações que podem ser utilizadas em uma tradução ou interpretação o que consta, respectivamente, em
Em relação à hifenização de palavras, está em conformidade com o Novo Acordo Ortográfico e utiliza formas de separação recomendáveis, em braille,
Para alguns autores, os termos tradução e interpretação se complementam e, em certa medida, remetem à mesma tarefa: versar os conteúdos de uma dada língua para outra, buscando trazer neste processo os sentidos pretendidos, sem que eles se percam ou que sejam distorcidos no percurso. [...] Outros autores defendem a ideia de que tradução e interpretação são conceitos que remetem a tarefas distintas.
(LACERDA e LODI, 2009, p. 14)
Para os que defendem que tradução e interpretação são tarefas distintas, traduzir
Diversos textos se debruçam sobre os registros históricos e as origens da língua brasileira de sinais, dentre eles Campello (2011), Quadros e Campello (2010), Diniz (2011) e Quadros (2017). A esse respeito, considere as afirmações abaixo.
I. O imperador D. Pedro II contratou o professor surdo na França E. Huet para estabelecer a primeira instituição educacional para surdos no Brasil, no Rio de Janeiro.
II. A Língua de Sinais Francesa (LSF) teve um papel fundamental e influência na constituição da libras. No entanto, considera-se a Língua de Sinais Americana (ASL) como principal tronco linguístico da libras.
III. A libras e a ASL têm como influência comum a LSF, pois a escolarização formal das pessoas surdas brasileiras e americanas foi fortemente influenciada pelos primeiros educadores surdos que vieram da França.
IV. O Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), foi a primeira escola de surdos no Brasil, fundada em 1857 por Alexander Bell, e é até hoje um centro de referência na educação de surdos.
Está correto o que se afirma APENAS em
Texto associado
Do ponto de vista de Araújo e Lacerda,
[...] grupo de sujeitos surdos que tem costumes, história, tradições em comuns e pertencentes às mesmas peculiaridades, ou seja, constrói sua concepção de mundo através da visão.
(STROBEL, 2009, p. 5)
A citação acima refere-se ao conceito de
Texto associado
Atenção : Para responder às questões de números 46 e 47, considere o texto abaixo.
Fonologia é o campo de estudos das unidades mínimas de uma língua. No caso dos estudos das línguas de sinais, são usados também os termos quirologia, ou visiologia. Assim, o fonema pode ser compreendido de forma abstrata e não necessariamente se refere ao som, mas às unidades mínimas de uma língua. No caso das línguas de sinais, essas unidades mínimas também são chamadas de parâmetros formacionais.
(Adaptado de: QUADROS, R.M. Libras. Linguística para o ensino superior . v. 5. São Paulo: Parábola, 2019. p. 23)
Fonologia é o campo de estudos das unidades mínimas de uma língua. No caso dos estudos das línguas de sinais, são usados também os termos quirologia, ou visiologia. Assim, o fonema pode ser compreendido de forma abstrata e não necessariamente se refere ao som, mas às unidades mínimas de uma língua. No caso das línguas de sinais, essas unidades mínimas também são chamadas de parâmetros formacionais.
(Adaptado de: QUADROS, R.M. Libras. Linguística para o ensino superior . v. 5. São Paulo: Parábola, 2019. p. 23)
Sobre os parâmetros formacionais da libras, considere as afirmações abaixo.
I. Stokoe foi o primeiro linguista a descrever a língua de sinais americana (ASL). Em seus estudos, propôs a decomposição dos sinais da ASL em três parâmetros formacionais: configuração de mão, locação da mão e movimento.
II. O trabalho de Stokoe na descrição da língua de sinais americana (ASL), apesar de fundamental, não teve em sua época grande repercussão nos meios linguísticos ao redor do mundo, e a evidência científica do estatuto de língua foi silenciada por mais de 100 anos devido ao Congresso de Milão.
III. Posteriormente aos estudos de Stokoe, surgiram muitos outros linguistas na descrição das línguas de sinais. Battison, por exemplo, adicionou dois parâmetros formacionais aos descobertos por Stokoe, pois descobriu que a mudança de um desses dois novos parâmetros mudava o significado do sinal realizado.
IV. Os achados de Stokoe nunca foram derrubados e, portanto, estabeleceram inequivocamente o estatuto de língua das línguas de sinais. Aos pesquisadores das línguas de sinais de cada país coube e cabe ainda a tarefa de descrever suas línguas de sinais e estabelecer comparações.
Está correto o que se afirma APENAS em
Texto associado
Atenção : Para responder às questões de números 58 e 59 considere o texto abaixo, no qual Araújo e Lacerda (2010) falam sobre a linguagem no contexto da surdez.
É por meio da linguagem que o homem se comunica e vai se constituindo em suas interações, tornando-se capaz de fazer a categorização do mundo e adquirindo a possibilidade de abstração e a generalização dos objetivos em uma intrínseca relação com o funcionamento psíquico de ordem superior.
Tal constituição encontra-se seriamente comprometida na criança surda, em razão de serem insuficientes as oportunidades a ela oferecidas pelo grupo social (família e escola), que com ela não partilha de uma mesma língua. Submetidas a situações de comunicação dificultadas, sem interlocutores capazes de interpretar efetivamente e atribuir sentido às suas manifestações de linguagem, essas crianças não podem, justamente por seu déficit auditivo, desenvolver-se plenamente na língua de seu(s) grupo(s) de convivência. Esse contexto impõe ao surdo dificuldades interacionais, cognitivas, linguísticas e educacionais, criando um obstáculo para a criança em sua atuação sobre o mundo e sobre o outro.
É por meio da linguagem que o homem se comunica e vai se constituindo em suas interações, tornando-se capaz de fazer a categorização do mundo e adquirindo a possibilidade de abstração e a generalização dos objetivos em uma intrínseca relação com o funcionamento psíquico de ordem superior.
Tal constituição encontra-se seriamente comprometida na criança surda, em razão de serem insuficientes as oportunidades a ela oferecidas pelo grupo social (família e escola), que com ela não partilha de uma mesma língua. Submetidas a situações de comunicação dificultadas, sem interlocutores capazes de interpretar efetivamente e atribuir sentido às suas manifestações de linguagem, essas crianças não podem, justamente por seu déficit auditivo, desenvolver-se plenamente na língua de seu(s) grupo(s) de convivência. Esse contexto impõe ao surdo dificuldades interacionais, cognitivas, linguísticas e educacionais, criando um obstáculo para a criança em sua atuação sobre o mundo e sobre o outro.