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Considere o texto a seguir para responder às questões de 36 a 45.

Texto 2

Obra de Conceição Evaristo ganha exposição fotográfica em aula do ensino médio

Professores de Minas Gerais reúnem literatura, história, fotografia e metodologias ativas para abordar o livro “Ponciá Vicêncio”

Graciele Gonzaga e Thiago Braga

O projeto “Memória em papel” surgiu de um desafio: precisávamos idealizar uma experiência inovadora interdisciplinar, em literatura e em história, para a turma do 3º ano do ensino médio. Optamos por desenvolver e adequar um projeto de literatura de uma narrativa brasileira, “Ponciá Vicêncio”, de Conceição Evaristo, aos princípios da BNCC (Base Nacional Comum Curricular).
Entendemos que a leitura pode se materializar de diferentes modos, sendo o registro fotográfico um deles. Nossa proposta era a de permitir aos estudantes uma vivência diferenciada dessa obra lançada em 2003. “Ponciá Vicêncio” é o primeiro livro da premiada escritora, que traz em sua narrativa aspectos da escravidão, da opressão de classe e do racismo, além de analisar a identidade negra, os sonhos e os desencantos da protagonista, Ponciá Vicêncio.
Cada um leu o livro e escolheu um trecho de sua preferência, por afinidade. Em seguida, com o apoio de técnicas fotográficas pelo professor Thiago Braga, os alunos foram convidados a desvendar um novo campo: a intermidialidade, fotografia concebida pela narrativa.
Por meio de aulas expositivas sobre fotografia, bem como a análise do texto literário para a escolha de um recorte memorialístico, entendemos essa produção como texto multimodal, pois os alunos intitularam as fotografias com legendas relacionadas ao trecho escolhido do livro.
Assim, cada um, à sua maneira, registrou a essência de Ponciá Vicêncio, bem como as questões femininas e relacionadas à negritude.
[...]
O projeto apoiou o desenvolvimento de competências diversas, entre elas repertório cultural, empatia e colaboração. Ao final, fizemos uma exposição itinerante, que ultrapassou os muros da escola: entre outros endereços, foi levada à biblioteca pública de Betim, a um evento literário de uma cidade vizinha, que homenageava Conceição, e à Bienal do Livro de Contagem.
Outro aspecto interessante do projeto foi possibilitar aos jovens a função de curadoria, pois montaram a exposição e escolheram a ordem de colocação dos quadros, extrapolando a ideia de que um curador de arte deve ser um especialista na área. Trata-se de uma educação mão na massa, na qual o foco está na produção dos alunos, no fazer deles como meio de aprender. Exibir essas fotografias os impulsionou a acreditar em suas manifestações artísticas.

Adaptado de: https://porvir.org/obra-de-conceicao-evaristo-ganha-exposicao-fotografica-em-aula-do-ensino-medio/. Acesso em: 23 out. 2025.

O projeto “Memória em papel” trabalha a obra literária Ponciá Vivêncio em uma perspectiva que tensiona concepções tradicionais de ensino de língua e literatura. Tal tensionamento se dá pela articulação entre o texto literário, a legendagem, a curadoria e a exposição. Considerando os desafios contemporâneos para o ensino dessas áreas, assinale a alternativa correta quanto à problematização da prática pedagógica desenvolvida pelo projeto.

A A prática pedagógica adotada pelo projeto questiona a necessidade de se trabalhar em conjunto o ensino de língua portuguesa e de literatura, bem como a interdisciplinaridade com a disciplina de arte, reforçando uma visão fragmentada do conhecimento.
B A problematização central do projeto situa-se no âmbito do trabalho lúdico com a leitura, atribuindo um enfoque secundário e complementar ao ensino estritamente formal da língua portuguesa em suas regras gramaticais.
C A proposta do projeto é o desenvolvimento de habilidades de leitura e de escrita, sem que haja diálogo entre a obra, a cultura e a sociedade, mantendo, assim, uma abordagem puramente técnica e descontextualizada.
D O projeto problematiza metodologias que fragmentam o ensino literário em exercícios descritivos, ressignificando-o em uma proposta interdisciplinar que integra, de forma crítica e criativa, a fotografia ao ensino de língua portuguesa.
E O projeto tensiona o ensino de língua e literatura porque prioriza a dimensão formalista em detrimento do desenvolvimento de competências linguísticas de leitura e escrita.
Texto associado
Considere o texto a seguir para responder às questões de 26 a 35.

Texto 1

Como trabalhar a cultura digital integrada à área de Linguagens no Novo Ensino Médio

Uma das dez competências gerais da BNCC, a cultura digital se refere às mudanças provocadas pela tecnologia na forma como produzimos e consumimos cultura

Camila Cecílio

Sobre a tela iluminada, dois polegares se movimentam com agilidade ao digitar no teclado minúsculo do celular: “Oi, td bem com vc? A gnt pode se ver no fds? Flw :)”. Abreviações de “tudo”, “você” e “final de semana”, gírias e emojis – pequenas imagens ou ícones que substituem palavras na comunicação virtual – são algumas características da linguagem das redes sociais e de aplicativos de troca de mensagens instantâneas.
Tais formas de comunicação são cada vez mais comuns no dia a dia de jovens e adolescentes, tão antenados à cultura digital, uma das dez competências gerais da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) que pauta o currículo do Novo Ensino Médio, que começa a ser implementado este ano. A partir dessa afinidade, o professor de Língua Portuguesa Luiz Fernando Lopes encontrou o gancho ideal para trabalhar variação linguística com seus alunos do 3º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Cônego Jonas Taurino, localizada na periferia de Olinda (PE), e ajudá-los a ter um bom desempenho na redação do último Enem.
Após explicar o conceito de que a língua é um organismo vivo e mutável, que se adapta às situações comunicativas, o docente apresentou exemplos de variações linguísticas e traçou um paralelo entre a linguagem formal e a informal. Em seguida, pediu aos alunos que abrissem um diálogo qualquer no WhatsApp ou no Instagram, os aplicativos mais utilizados pela turma, e transcrevessem no caderno a conversa exatamente como estava no celular.
A próxima etapa foi pegar um modelo de redação do Enem. Ao abordar cada uma das cinco competências avaliadas na prova, Luiz Fernando mostrou aos alunos que, na produção de texto para aquele contexto, a linguagem é completamente diferente daquela utilizada no universo da internet. “Quis chamar a atenção deles para o fato de que era preciso estarem atentos à redação, pois, se trouxessem para o texto recursos como abreviaturas, gírias e afins, iriam se prejudicar em relação à primeira competência da redação, que avalia o domínio da norma-padrão da língua portuguesa”, explica.

Adaptado de: https://novaescola.org.br/conteudo/21065/como-trabalhar-a-cultura-digital-integrada-a-area-de-linguagens-e-suastecnologias-no-novo-ensino-medio. Acesso em: 23 out. 2025.

Considere o seguinte excerto do texto:

“Após explicar o conceito de que a língua é um organismo vivo e mutável, que se adapta às situações comunicativas, o docente apresentou exemplos de variações linguísticas e traçou um paralelo entre a linguagem formal e a informal. Em seguida, pediu aos alunos que abrissem um diálogo qualquer no WhatsApp ou no Instagram, os aplicativos mais utilizados pela turma, e transcrevessem no caderno a conversa exatamente como estava no celular. A próxima etapa foi pegar um modelo de redação do Enem. Ao abordar cada uma das cinco competências avaliadas na prova, Luiz Fernado mostrou aos alunos que, na produção de texto para aquele contexto, a linguagem é completamente diferente daquela utilizada no universo da internet.”.

À luz dos aspectos semântico-pragmáticos no ensino de língua portuguesa, é correto afirmar que a prática pedagógica do docente evidencia que

A tais aspectos estão em estreita relação com o contexto, tendo em vista o fato de que as línguas naturais necessitam de inferências situacionais para a sua produção e compreensão.
B os referidos aspectos não são necessários quando da delimitação das instâncias de produção e recepção dos textos, porque a situacionalidade não interfere no processo interacional entre sujeitos.
C há diferença entre a linguagem formal e a informal, uma vez que a língua não sofre mutações ao longo dos anos, e a linguagem digital é restrita a esse contexto sociocomunicativo.
D a produção de redação para o Enem pode ser feita tal qual os diálogos na rede social Instagram, uma vez que o aspecto semântico-pragmático de ambas as instâncias de produção e compreensão são similares.
E há diferença na produção de texto em diferentes contextos, e isso ocorre porque a língua se apresenta como imutável, ou seja, não se adequa à situação sociocomunicativa.

Para o desenvolvimento de um projeto de leitura com estudantes do ensino médio, a professora de língua portuguesa definiu todos os objetivos e todas as atividades a serem aplicadas, ao longo do trabalho, com base na concepção de leitura como processo de interação. Partindo desse pressuposto, ao encerrar as atividades do projeto, a professora realizou uma avaliação diagnóstica com os estudantes participantes, por meio da qual constatou que o projeto obteve sucesso em todos os objetivos traçados. Diante disso, é correto afirmar que, ao longo da aplicação do projeto,

A os estudantes foram levados, principalmente, a compreender, por meio de exercícios de leitura, como a linguagem constitui uma entidade capaz de encerrar e veicular todos os sentidos por si mesma.
B os estudantes foram conduzidos, principalmente, por práticas de leitura que exigiam a mobilização de seus conhecimentos prévios, como o conhecimento enciclopédico, para a construção dos sentidos.
C no projeto, predominaram os exercícios de leitura e de interpretação com o objetivo de alcançar o verdadeiro sentido do texto ou de compreender o que o autor pretendia dizer.
D os estudantes realizaram, sobretudo, atividades de reconhecimento detalhado a respeito dos elementos envolvidos na comunicação, como emissor, receptor, mensagem etc.
E a professora propôs, principalmente, práticas de leitura que estimularam a compreensão formal da linguagem, de modo que os estudantes alcançaram aptidão para a descrição morfológica e sintática da língua.
Órgão: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul Cargo: Professor - Área: Português Prova: Instituto AOCP - IFMS - Professor - Área: Português - 2025
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Considere o texto a seguir para responder às questões de 36 a 45.

Texto 2

Obra de Conceição Evaristo ganha exposição fotográfica em aula do ensino médio

Professores de Minas Gerais reúnem literatura, história, fotografia e metodologias ativas para abordar o livro “Ponciá Vicêncio”

Graciele Gonzaga e Thiago Braga

O projeto “Memória em papel” surgiu de um desafio: precisávamos idealizar uma experiência inovadora interdisciplinar, em literatura e em história, para a turma do 3º ano do ensino médio. Optamos por desenvolver e adequar um projeto de literatura de uma narrativa brasileira, “Ponciá Vicêncio”, de Conceição Evaristo, aos princípios da BNCC (Base Nacional Comum Curricular).
Entendemos que a leitura pode se materializar de diferentes modos, sendo o registro fotográfico um deles. Nossa proposta era a de permitir aos estudantes uma vivência diferenciada dessa obra lançada em 2003. “Ponciá Vicêncio” é o primeiro livro da premiada escritora, que traz em sua narrativa aspectos da escravidão, da opressão de classe e do racismo, além de analisar a identidade negra, os sonhos e os desencantos da protagonista, Ponciá Vicêncio.
Cada um leu o livro e escolheu um trecho de sua preferência, por afinidade. Em seguida, com o apoio de técnicas fotográficas pelo professor Thiago Braga, os alunos foram convidados a desvendar um novo campo: a intermidialidade, fotografia concebida pela narrativa.
Por meio de aulas expositivas sobre fotografia, bem como a análise do texto literário para a escolha de um recorte memorialístico, entendemos essa produção como texto multimodal, pois os alunos intitularam as fotografias com legendas relacionadas ao trecho escolhido do livro.
Assim, cada um, à sua maneira, registrou a essência de Ponciá Vicêncio, bem como as questões femininas e relacionadas à negritude.
[...]
O projeto apoiou o desenvolvimento de competências diversas, entre elas repertório cultural, empatia e colaboração. Ao final, fizemos uma exposição itinerante, que ultrapassou os muros da escola: entre outros endereços, foi levada à biblioteca pública de Betim, a um evento literário de uma cidade vizinha, que homenageava Conceição, e à Bienal do Livro de Contagem.
Outro aspecto interessante do projeto foi possibilitar aos jovens a função de curadoria, pois montaram a exposição e escolheram a ordem de colocação dos quadros, extrapolando a ideia de que um curador de arte deve ser um especialista na área. Trata-se de uma educação mão na massa, na qual o foco está na produção dos alunos, no fazer deles como meio de aprender. Exibir essas fotografias os impulsionou a acreditar em suas manifestações artísticas.

Adaptado de: https://porvir.org/obra-de-conceicao-evaristo-ganha-exposicao-fotografica-em-aula-do-ensino-medio/. Acesso em: 23 out. 2025.

Como professor de língua portuguesa e literatura no ensino médio, você leu a reportagem apresentada no texto de apoio e pretende desenvolver um projeto como o exposto. A partir disso, assinale a alternativa que apresenta uma prática pedagógica adequada para articular diferentes formas de linguagem e de conhecimentos que podem ser encontrados em uma obra como Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo.

A Solicitar aos alunos que realizem a leitura do livro e elaborem cartazes para exposição no pátio com a transcrição de trechos da obra sem que seja realizado um trabalho prévio de contextualização histórica e discussão coletiva.
B Organizar uma oficina de elaboração de resumos de cada capítulo com foco na identificação de figuras de linguagem e na descrição do texto literário.
C Propor aos alunos a criação de uma performance teatral a partir de capítulos da obra, integrando pesquisa sobre contextos históricos, expressão corporal, composição de trilha sonora e imagética do cenário.
D Distribuir lista de exercícios sobre a norma-padrão da língua portuguesa formulada a partir de excertos do livro e solicitar aos alunos que leiam suas respostas em voz alta.
E Desenvolver uma sequência didática sobre a biografia da autora e as características de sua obra e solicitar, como produção final, um resumo do livro, sem a necessidade de desenvolvimento de processo criativo que integre diferentes formas de linguagem.
Texto associado
Considere o texto a seguir para responder às questões de 36 a 45.

Texto 2

Obra de Conceição Evaristo ganha exposição fotográfica em aula do ensino médio

Professores de Minas Gerais reúnem literatura, história, fotografia e metodologias ativas para abordar o livro “Ponciá Vicêncio”

Graciele Gonzaga e Thiago Braga

O projeto “Memória em papel” surgiu de um desafio: precisávamos idealizar uma experiência inovadora interdisciplinar, em literatura e em história, para a turma do 3º ano do ensino médio. Optamos por desenvolver e adequar um projeto de literatura de uma narrativa brasileira, “Ponciá Vicêncio”, de Conceição Evaristo, aos princípios da BNCC (Base Nacional Comum Curricular).
Entendemos que a leitura pode se materializar de diferentes modos, sendo o registro fotográfico um deles. Nossa proposta era a de permitir aos estudantes uma vivência diferenciada dessa obra lançada em 2003. “Ponciá Vicêncio” é o primeiro livro da premiada escritora, que traz em sua narrativa aspectos da escravidão, da opressão de classe e do racismo, além de analisar a identidade negra, os sonhos e os desencantos da protagonista, Ponciá Vicêncio.
Cada um leu o livro e escolheu um trecho de sua preferência, por afinidade. Em seguida, com o apoio de técnicas fotográficas pelo professor Thiago Braga, os alunos foram convidados a desvendar um novo campo: a intermidialidade, fotografia concebida pela narrativa.
Por meio de aulas expositivas sobre fotografia, bem como a análise do texto literário para a escolha de um recorte memorialístico, entendemos essa produção como texto multimodal, pois os alunos intitularam as fotografias com legendas relacionadas ao trecho escolhido do livro.
Assim, cada um, à sua maneira, registrou a essência de Ponciá Vicêncio, bem como as questões femininas e relacionadas à negritude.
[...]
O projeto apoiou o desenvolvimento de competências diversas, entre elas repertório cultural, empatia e colaboração. Ao final, fizemos uma exposição itinerante, que ultrapassou os muros da escola: entre outros endereços, foi levada à biblioteca pública de Betim, a um evento literário de uma cidade vizinha, que homenageava Conceição, e à Bienal do Livro de Contagem.
Outro aspecto interessante do projeto foi possibilitar aos jovens a função de curadoria, pois montaram a exposição e escolheram a ordem de colocação dos quadros, extrapolando a ideia de que um curador de arte deve ser um especialista na área. Trata-se de uma educação mão na massa, na qual o foco está na produção dos alunos, no fazer deles como meio de aprender. Exibir essas fotografias os impulsionou a acreditar em suas manifestações artísticas.

Adaptado de: https://porvir.org/obra-de-conceicao-evaristo-ganha-exposicao-fotografica-em-aula-do-ensino-medio/. Acesso em: 23 out. 2025.

A respeito do trabalho interdisciplinar entre o ensino de língua e literatura, observa-se, na reportagem, o trabalho com o gênero textual “legenda”. Considerando o trabalho intermodal apresentado, assinale a alternativa que descreve corretamente o que se requer quanto ao ensino desse gênero.

A A prática de ensino do gênero textual “legenda” demanda compreensão do texto literário, pois os alunos precisam trabalhar a produção de sentidos, estabelecer relações intertextuais e ressignificar elementos narrativos por meio da articulação entre linguagem verbal e visual.
B O potencial formativo da atividade de legendagem reside no desenvolvimento da escrita criativa, sem a necessidade de se estabelecer relação contextual e crítica com o texto literário.
C O trabalho intermodal tem por função explicar a imagem, sem estabelecer relação com o texto literário e, consequentemente, sem a relação de significação contextualizada entre a obra e a prática social de linguagem estruturada pela curadoria e exposição.
D O gênero textual “legenda” tem por função a descrição de aspectos estéticos da imagem e o ensino de língua portuguesa em uma concepção de linguagem como expressão do pensamento, com a análise literária em segundo plano.
E A legendagem é uma prática pedagógica do ensino de língua que visa apenas à ampliação vocabular, e o texto literário é um instrumento para tal fim.
Texto associado
Considere o texto a seguir para responder às questões de 26 a 35.

Texto 1

Como trabalhar a cultura digital integrada à área de Linguagens no Novo Ensino Médio

Uma das dez competências gerais da BNCC, a cultura digital se refere às mudanças provocadas pela tecnologia na forma como produzimos e consumimos cultura

Camila Cecílio

Sobre a tela iluminada, dois polegares se movimentam com agilidade ao digitar no teclado minúsculo do celular: “Oi, td bem com vc? A gnt pode se ver no fds? Flw :)”. Abreviações de “tudo”, “você” e “final de semana”, gírias e emojis – pequenas imagens ou ícones que substituem palavras na comunicação virtual – são algumas características da linguagem das redes sociais e de aplicativos de troca de mensagens instantâneas.
Tais formas de comunicação são cada vez mais comuns no dia a dia de jovens e adolescentes, tão antenados à cultura digital, uma das dez competências gerais da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) que pauta o currículo do Novo Ensino Médio, que começa a ser implementado este ano. A partir dessa afinidade, o professor de Língua Portuguesa Luiz Fernando Lopes encontrou o gancho ideal para trabalhar variação linguística com seus alunos do 3º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Cônego Jonas Taurino, localizada na periferia de Olinda (PE), e ajudá-los a ter um bom desempenho na redação do último Enem.
Após explicar o conceito de que a língua é um organismo vivo e mutável, que se adapta às situações comunicativas, o docente apresentou exemplos de variações linguísticas e traçou um paralelo entre a linguagem formal e a informal. Em seguida, pediu aos alunos que abrissem um diálogo qualquer no WhatsApp ou no Instagram, os aplicativos mais utilizados pela turma, e transcrevessem no caderno a conversa exatamente como estava no celular.
A próxima etapa foi pegar um modelo de redação do Enem. Ao abordar cada uma das cinco competências avaliadas na prova, Luiz Fernando mostrou aos alunos que, na produção de texto para aquele contexto, a linguagem é completamente diferente daquela utilizada no universo da internet. “Quis chamar a atenção deles para o fato de que era preciso estarem atentos à redação, pois, se trouxessem para o texto recursos como abreviaturas, gírias e afins, iriam se prejudicar em relação à primeira competência da redação, que avalia o domínio da norma-padrão da língua portuguesa”, explica.

Adaptado de: https://novaescola.org.br/conteudo/21065/como-trabalhar-a-cultura-digital-integrada-a-area-de-linguagens-e-suastecnologias-no-novo-ensino-medio. Acesso em: 23 out. 2025.

Uma sequência didática é ordenada em relação à disposição dos conteúdos em uma progressão contextualizada do ensino de língua. Assinale a alternativa que apresenta uma proposta adequada quanto ao trabalho com a cultura digital e suas formas de linguagem no ensino médio.

A I – Apresentação da situação: Redação do Enem.
II – Reconhecimento do gênero: Leitura e análise linguística centrada em regras gramaticais.
III – Produção inicial: Adaptação de diálogo à redação do Enem.
IV – Produção final: Redação do Enem.
B I – Apresentação da situação: Redes sociais e a redação do Enem.
II – Reconhecimento do gênero: Leitura em voz alta e análise linguística.
III – Produção inicial: Redação do Enem com reflexão sobre uso linguístico e reescrita.
IV – Produção final: Redação do Enem.
C I – Apresentação da situação: Variação linguística e gramática normativa.
II – Reconhecimento do gênero: Leitura e análise linguística do uso.
III – Produção inicial: Redação do Enem e lista de exercícios.
IV – Produção final: Redação do Enem.
D I – Apresentação da situação: Linguagem digital e variação linguística.
II – Reconhecimento do gênero: Análise da estrutura composicional da redação do Enem.
III – Produção inicial: Redação do Enem com análise linguística e reescrita.
IV – Produção final: Redação do Enem.
E I – Apresentação da situação: Linguagem digital e variação linguística.
II – Reconhecimento do gênero: Leitura de redações.
III – Produção inicial: Redação sobre férias.
IV – Produção final: Lista de exercícios
Texto associado
Com base nos conceitos metodológicos específicos das áreas de português, matemática, história, geografia e ciências do ensino fundamental, julgue os itens a seguir.

A escola deve garantir aos estudantes, sujeitos da linguagem, desde o início da escolaridade, o contato com diferentes tipos de textos significativos.

C Certo
E Errado
Texto associado
TEXTO 4

Inspirado em uma ferramenta há muito tempo utilizada pelo cinema – o trailer – o site LivroClip oferece pequenos clipes de livros, no intuito de atrair a atenção dos leitores para conhecer obras originais da literatura. Seria uma espécie de audiovisualização de obras literárias. O uso de diferentes linguagens na apresentação de cada livro chama atenção. Alguns trechos são narrados, como no clipe de A Carta , de Pero Vaz de Caminha. Outros ganham ares de jogo digital, com níveis, bônus e sons característicos dos games, como A Divina Comédia , de Dante Alighieri. Ainda há os que ganham visual de HQ, com desenhos nos quadrinhos e balões de fala com trechos da obra, como A Metamorfose , de Franz Kafka. O recurso que permite tais adaptações é a tradução intersemiótica. Da linguagem literária, impressa em páginas de livros, a obra, em sua essência, é transposta para a linguagem digital e audiovisual.

Adaptado de: https://www.ufrgs.br/corporalidades/livroclip-traducao-intersemiotica-para-dar-nova-cara-a-literatura/. Acesso em: 2 mai. 2022.

Tomado como exemplo de abordagem para as aulas de língua portuguesa, o trabalho com o gênero “clipe de livro”, conforme trata o Texto 4, possibilita

A abordagem multidisciplinar entre literatura e textos clássicos dessa disciplina.
B atividade lúdica que envolve a reconstrução de um texto clássico com as mesmas linguagens do texto original.
C atividade intertextual que envolve uma obra literária (o referente) e a sua releitura (o clipe de livro).
D atividade inovadora que corresponde ao uso da tecnologia inédita no ensino de literatura.
E abordagem transversal que unifica e sintetiza a ação educativa.
Órgão: Secretaria de Estado de Educação do Rio Grande do Sul Cargo: Professor - Área: Letras/ Português Prova: Instituto AOCP - SEDUC RS - Professor - Área: Letras/ Português - 2023
Texto associado
TEXTO 1

A maior parte do tempo e do esforço gastos por professores e alunos durante o processo escolar, na assim chamada aula de língua portuguesa, é destinada ao aprendizado da metalinguagem de análise da língua, com alguns (e esporádicos) exercícios de língua propriamente ditos.
No entanto, uma coisa é saber a língua, isto é, dominar as habilidades de uso da língua em situações concretas de interação, entendendo e produzindo enunciados adequados aos diversos contextos, percebendo as dificuldades entre uma forma de expressão e outra. Outra coisa é saber analisar uma língua, dominando conceitos e metalinguagens a partir dos quais se fala sobre a língua, se apresentam suas características estruturais e de uso.
Na prática escolar, institui-se uma atividade linguística artificial: assumem-se papéis de locutor/interlocutor durante o processo, mas não se é locutor/interlocutor efetivamente. Essa artificialidade torna a relação intersubjetiva ineficaz, porque a simula.
Não estou querendo dizer que inexiste interlocução na sala de aula; estou querendo apontar para seu falseamento, dado que os papéis básicos dessa interlocução estão estaticamente marcados: o professor e a escola ensinam; o aluno aprende (se puder). Tentar ultrapassar essa artificialidade é efetivamente tentar assumir-se como um “tu” da fala do aluno, na dinâmica de trocas do “eu/tu”. [...] Essa artificialidade do uso da linguagem compromete e dificulta, desde sua raiz, a aprendizagem na escola de uma língua ou da variedade de uma língua.
Na verdade, a situação é um pouco mais caótica ainda. Simula-se que inexistem diferenças entre a variedade que se quer ensinar e a variedade que o aluno domina. Constata-se essa diferença – é impossível esconder o sol com a peneira – mas age-se como quem não a escuta. Porque escutá-la não é corrigi-la para calá-la, mas ouvir vozes que preferiríamos caladas. Ou que outros preferem caladas.
É precisamente porque essas vozes não podem mais calar que o compromisso político primeiro do professor de língua portuguesa é possibilitar o domínio efetivo da língua padrão.
GERALDI, J. W. O Texto na sala de Aula. São Paulo: Ática, 2006. p. 70.

A avaliação tradicional, que subjaz à crítica exposta no excerto “o professor e a escola ensinam; o aluno aprende (se puder)”, do Texto 1, opõe-se à perspectiva pedagógica de avaliação formativa. Para Perrenoud (2002, p. 25), “a avaliação das competências deve ser formativa, passar por uma análise do trabalho dos estudantes e pela regulação de seus investimentos mais do que pelas suas notas ou classificações”.

Fonte: PERRENOUD, P. A formação do professor no século XXI. In: PERRENOUD, P. et al. As competências para ensinar no século XXI: a formação dos professores e o desafio da avaliação. Porto Alegre: Penso, 2002.

A partir desse contexto, assinale a alternativa em que o(s) objetivo(s) dialoga(m) com a proposta de avaliação formativa.

A Estabelecer, em uma hierarquização de papéis, centralidade ao professor.
B Refletir a prática despreocupada com o ajuste constante das intervenções pedagógicas.
C Propor medidas objetivas para avaliar os alunos que têm êxito e os que fracassam na aprendizagem escolar e priorizar os primeiros.
D Promover a construção do conhecimento a partir de situações-problema que confiram significado ao aprendizado.
E Mensurar a aprendizagem observável ao final do processo.
Órgão: Secretaria de Estado de Educação do Rio Grande do Sul Cargo: Professor - Área: Letras/ Português Prova: Instituto AOCP - SEDUC RS - Professor - Área: Letras/ Português - 2023
Texto associado
TEXTO 4

Inspirado em uma ferramenta há muito tempo utilizada pelo cinema – o trailer – o site LivroClip oferece pequenos clipes de livros, no intuito de atrair a atenção dos leitores para conhecer obras originais da literatura. Seria uma espécie de audiovisualização de obras literárias. O uso de diferentes linguagens na apresentação de cada livro chama atenção. Alguns trechos são narrados, como no clipe de A Carta , de Pero Vaz de Caminha. Outros ganham ares de jogo digital, com níveis, bônus e sons característicos dos games, como A Divina Comédia , de Dante Alighieri. Ainda há os que ganham visual de HQ, com desenhos nos quadrinhos e balões de fala com trechos da obra, como A Metamorfose , de Franz Kafka. O recurso que permite tais adaptações é a tradução intersemiótica. Da linguagem literária, impressa em páginas de livros, a obra, em sua essência, é transposta para a linguagem digital e audiovisual.

Adaptado de: https://www.ufrgs.br/corporalidades/livroclip-traducao-intersemiotica-para-dar-nova-cara-a-literatura/. Acesso em: 2 mai. 2022.

As tecnologias de informação e comunicação são ferramentas importantes no processo de ensino-aprendizagem, pois possibilitam que gêneros como o clipe de vídeo (Texto 4) possam compor o rol de textos para o desenvolvimento de habilidades e de práticas de linguagens nas aulas de português. Conforme Cortelazzo et al (2018, p. 93), “o desenvolvimento de novas tecnologias de informação e comunicação (TIC) possibilita que haja uma abordagem mais centrada no aluno e o uso mais intensivo de metodologias ativas de aprendizagem”.

Fonte: CORTELAZZO et al. Metodologias ativas e personalizadas de aprendizagem. São Paulo: Altas Books, 2018.

A partir desse contexto, assinale a alternativa que, ao definir a(s) característica(s) do professor, NÃO destoa da proposta de pedagogia ativa de aprendizagem.

A O professor tem a prerrogativa de dispor os conteúdos aos seus estudantes, indicando não só o que estudar mas também em que sequência e como estudar.
B O professor é considerado produtor e organizador do conhecimento, e os alunos devem se adaptar às condições estabelecidas e se envolver ao máximo nas atividades por ele propostas.
C O professor considerado o detentor do conteúdo, é responsável por transmitir o seu conhecimento aos alunos.
D O professor interessa-se pelo desenvolvimento do estudante e pelas mudanças que ocorrem ao longo do período letivo.
E O foco dos professores passa a ser a homogeneização das aulas e dos conteúdos trabalhados em cada turma.
Órgão: Secretaria de Estado de Educação do Rio Grande do Sul Cargo: Professor - Área: Letras/ Português Prova: Instituto AOCP - SEDUC RS - Professor - Área: Letras/ Português - 2023