Texto I
Projetos urbanísticos, patrimônios e conflitos
___ O Porto do Rio – Plano de Recuperação e Re-
vitalização da Região Portuária do Rio de Janeiro
foi divulgado pela Prefeitura em 2001 e concentrou
diferentes projetos, visando a incentivar o desenvol-
5 vimento habitacional, econômico e turístico dos bair-
ros portuários da Saúde, Gamboa e Santo Cristo. Em
meados de 2007, quando se iniciou esse estudo sobre
o Plano e seus efeitos sociais, a Zona Portuária
já passava por um rápido processo de ressignificação
10 perante a cidade: nos imaginários construídos pelas
diferentes mídias, não era mais associada apenas à
prostituição, ao tráfico de drogas e às habitações “fa-
velizadas”, despontando narrativas que positivavam
alguns de seus espaços, habitantes e “patrimônios
15 culturais”.
___ Dentro do amplo território portuário, os plane-
jadores urbanos que idealizaram o Plano Porto do
Rio haviam concentrado investimentos simbólicos e
materiais nos arredores da praça Mauá, situada na
20 convergência do bairro da Saúde com a avenida Rio
Branco, via do Centro da cidade ocupada por estabe-
lecimentos financeiros e comerciais.
GUIMARÃES, R. A Utopia da Pequena África. Rio de Janeiro:
FGV, 2014, p. 16-7. Adaptado.
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48 questões
CETRO
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W é docente da UNIRIO e propõe a criação de entes que
No setor comercial de uma grande empresa de moda,
houve uma encomenda maior do que o esperado. Como
resultado, a direção informou a todos que, para aquela
situação, teriam de atingir a meta de produzir mais 20%
de peças nos próximos 30 dias.
O atingimento de uma meta está relacionado ao conceito
de
Um médico ortopedista, exercendo suas atividades em
determinado município, com horário livre, resolveu realizar concurso para ocupar cargo no Estado. Após aprovação no certame, ele passa a exercer atividades nos dois
órgãos, o municipal e o estadual, ocupando cargos de
médico. Em determinado momento, o serviço de medicina do Estado passa por uma troca de chefia. Esse novo
chefe exige que o ortopedista modifique os seus dias de
plantão para melhor atender ao interesse público. Ocorre que os dias indicados coincidem com os realizados no
município. O ortopedista, então, requer que seus dias de
plantão sejam mantidos para poder exercer seu direito de
acumulação de cargos.
Nos termos da Constituição Federal, a cumulação, quando prevista, é possível, desde que haja compatibilidade de
Texto associado
Considere a seguinte passagem do Texto I: “Dentro do amplo território portuário, os planejadores urbanos que idealizaram o Plano Porto do Rio haviam concentrado investimentos simbólicos e materiais nos arredores da praça Mauá, situada na convergência do bairro da Saúde com a avenida Rio Branco” (L. 16-21)
A reescritura que mantém os aspectos informacionais do trecho e respeita as normas de emprego dos sinais de pontuação é a seguinte:
Um assistente administrativo da secretaria de cursos de
graduação de uma universidade está insatisfeito com sua
organização. Ele tem percebido uma falta de equidade na
distribuição de recompensas, na atribuição de tarefas e
nas oportunidades de carreira.
Essa percepção ocorre porque a justiça
Uma das primeiras e mais importantes teorias sobre a
motivação humana foi criada por Abraham Maslow, na
década de 50: a Teoria da Hierarquia das Necessidades
ou Pirâmide das Necessidades.
De acordo com essa teoria, os dois primeiros estágios de
necessidades humanas a serem satisfeitos são as necessidades
O gerente de um departamento de empresa presta atenção
às preocupações e às necessidades de desenvolvimento
de seus liderados e acaba por modificar a maneira com que
eles lidam com as diferentes situações. Com isso, esse
gerente ajuda os liderados a pensarem nos problemas
da organização de forma diferente e gera entusiasmo
suficiente para que o grupo dê o máximo de si na busca
por atingir os objetivos da organização.
No tocante à abordagem de liderança, esse gerente é
classificado como líder
Texto associado
Texto II
Serviu suas famosas bebidas
para Vinicius, Carybé e Pelé
____ Os pedaços de coco in natura são colocados no
liquidificador e triturados. O líquido resultante é coado
com uma peneira de palha e recolocado no aparelho,
onde é batido com açúcar e leite condensado. Ao fim,
5 adiciona-se aguardente.
____ A receita de Diolino Gomes Damasceno, ditada à
Folha por seu filho Otaviano, parece trivial, mas a co-
nhecida batida de coco resultante não é. Afinal, não é
possível que uma bebida qualquer tenha encantado
10 um time formado por Jorge Amado (diabético, tomava
sem açúcar), Pierre Verger, Carybé, Mussum, João
Ubaldo Ribeiro, Angela Rô Rô, Wando, Vinicius de
Moraes e Pelé (tomava dentro do carro).
____ Baiano nascido em 1931 na cidade de Ipecaetá,
15 interior do estado, Diolino abriu seu primeiro estabe-
lecimento em 1968, no bairro do Rio Vermelho, reduto
boêmio de Salvador. Localizado em uma garagem,
ganhou o nome de MiniBar.
____ A batida de limão — feita com cachaça, suco de
20 limão galego, mel de abelha de primeiríssima quali-
dade e açúcar refinado, segundo o escritor Ubaldo
Marques Porto Filho — chamava a atenção dos homens,
mas Diolino deu por falta das mulheres da época.
É que elas não queriam ser vistas bebendo em
25 público, e então arranjavam alguém para comprar as
batidas e bebiam dentro do automóvel.
____ Diolino bolou então o sistema de atendimento di-
reto aos veículos, em que os garçons iam até os carros
que apenas encostavam e saíam em disparada. A
30 novidade alavancou a fama do bar. No auge, chegou
a produzir 6.000 litros de batida por mês.
SETO, G. Folha de S.Paulo. Caderno “Cotidiano”. 17 maio
2019, p. B2. Adaptado.
Serviu suas famosas bebidas
para Vinicius, Carybé e Pelé
____ Os pedaços de coco in natura são colocados no
liquidificador e triturados. O líquido resultante é coado
com uma peneira de palha e recolocado no aparelho,
onde é batido com açúcar e leite condensado. Ao fim,
5 adiciona-se aguardente.
____ A receita de Diolino Gomes Damasceno, ditada à
Folha por seu filho Otaviano, parece trivial, mas a co-
nhecida batida de coco resultante não é. Afinal, não é
possível que uma bebida qualquer tenha encantado
10 um time formado por Jorge Amado (diabético, tomava
sem açúcar), Pierre Verger, Carybé, Mussum, João
Ubaldo Ribeiro, Angela Rô Rô, Wando, Vinicius de
Moraes e Pelé (tomava dentro do carro).
____ Baiano nascido em 1931 na cidade de Ipecaetá,
15 interior do estado, Diolino abriu seu primeiro estabe-
lecimento em 1968, no bairro do Rio Vermelho, reduto
boêmio de Salvador. Localizado em uma garagem,
ganhou o nome de MiniBar.
____ A batida de limão — feita com cachaça, suco de
20 limão galego, mel de abelha de primeiríssima quali-
dade e açúcar refinado, segundo o escritor Ubaldo
Marques Porto Filho — chamava a atenção dos homens,
mas Diolino deu por falta das mulheres da época.
É que elas não queriam ser vistas bebendo em
25 público, e então arranjavam alguém para comprar as
batidas e bebiam dentro do automóvel.
____ Diolino bolou então o sistema de atendimento di-
reto aos veículos, em que os garçons iam até os carros
que apenas encostavam e saíam em disparada. A
30 novidade alavancou a fama do bar. No auge, chegou
a produzir 6.000 litros de batida por mês.
SETO, G. Folha de S.Paulo. Caderno “Cotidiano”. 17 maio
2019, p. B2. Adaptado.
O Texto II diz que o principal motivo do sucesso da vendagem no estabelecimento de Diolino Damasceno foi
Considere cada uma das afirmações a seguir:
• se eu não for almoçar, então termino meu relatório;
• se eu for almoçar, então não pago minha conta no banco.
Sabendo que a conta foi paga, é correto afirmar que
Texto associado
Mentalidade Self-service e a ilusão
de liberdade
Simone Ribeiro Cabral Fuzaro
Hoje, gostaria de refletir sobre uma ideia que
foi entrando em nosso cotidiano, foi se enraizando
em nossas vidas e transformando nosso modo
de ver o mundo e as coisas: a mentalidade “selfservice”.
Essa expressão da língua inglesa,
traduzida livremente ao Português, significa
“serviço próprio” ou “autosserviço”. O selfservice
é um sistema de atendimento adotado
principalmente em restaurantes, pelo qual o
cliente tem a possibilidade de servir o seu próprio
prato, de acordo com as opções disponibilizadas
pelo estabelecimento.
Apesar de ter tido seu início em restaurantes,
esse tipo de serviço foi se expandindo a diversos
outros estabelecimentos, em que é possível que o
próprio cliente execute integral ou parcialmente o
atendimento (lavanderias, postos de combustível,
caixas eletrônicos...).
Apesar dos benefícios e facilidades inegáveis
trazidas por esse tipo de serviço, é importante
olharmos para os demais efeitos que causa em
nosso modo de ver as coisas e, consequentemente,
em nossas vidas. Essa possibilidade de
autosserviço, no qual se paga por exatamente
aquilo que se deseja consumir, foi aos poucos
contribuindo na transformação das relações, uma
vez que foi fomentando a possibilidade de que
cada um atenda efetivamente aos seus próprios
desejos e interesses sem restrições relativas ao
grupo que o acompanha ou àquele que presta
o serviço. Já não há mais a necessidade de se
escolher em família (ou em grupo) que prato
pedir no restaurante e, com isso, de se negociar
desejos, gostos, preferências. Mesmo que não
percebamos com muita clareza, está implícito aí
um engrandecimento do eu em detrimento do nós.
Já não se faz mais necessário abrir mão de um
gosto, de comer um pouco do que não aprecio
tanto para satisfazer alguém com quem me
importo. Pouco a pouco, sem percebermos, vamos
vivendo cada vez mais um modo autocentrado de
ver os serviços que utilizamos, as pessoas que
nos rodeiam.... o mundo. Vai ficando forte a ideia
de que pago somente pelo que quero consumir,
consumo somente aquilo que me interessa do serviço oferecido, ganhando o direito de “recortálo”
segundo meus interesses e sem considerar os
interesses daqueles que prestam o serviço e, às
vezes, até mesmo se o serviço prestado será de
qualidade se for adaptado ao meu querer.
Se olharmos a realidade, por exemplo, das
escolas infantis, veremos uma quantidade cada
vez maior de pais que querem escolher livremente
o horário de entrada e saída dos filhos sem
levar em conta os períodos escolares que são
importantíssimos por vários motivos: contemplam
uma rotina necessária para as crianças pequenas,
asseguram um mesmo grupo de colegas e
professores, o que transmite segurança e conforto
afetivo, possibilitam que participem das atividades
planejadas à fase escolar em que se encontram
etc. O que os pais estão buscando, no entanto,
é uma “escola self-service” e não percebem que
acabam por prejudicar o próprio filho, que terá um
serviço que não garantirá o atendimento às suas
necessidades básicas para um desenvolvimento
saudável.
Reina uma ideia de que temos o direito de ser
“livres” para escolher segundo nossos desejos
e nossas necessidades. Questiono, porém:
podemos considerar essa possibilidade de
escolha como liberdade? Parece-me haver um
equívoco claro nessa ideia, afinal, a liberdade nos
leva a escolher o bem. O que há hoje são pessoas
absolutamente escravizadas, em primeiro lugar,
pelos seus próprios desejos de satisfação,
conforto, facilidade. Depois, escravizadas ao
ter – é preciso muito para viver nessa gana de
satisfações, e, então, escravizamo-nos às rotinas
malucas de trabalho que roubam o direito de
atendermos às necessidades reais de nossa
saúde, de nossa família, de uma vida mais
equilibrada.
Vale refletirmos: em que situações estamos
nos deixando levar por essa “mentalidade selfservice”
exagerada? Vamos olhar de modo crítico
as facilidades, afinal, já sabemos: as grandes e
fundamentais aprendizagens acontecem quando
enfrentamos as dificuldades e não quando nos
desviamos delas.
Disponível em: < http: e-a-ilusao-de-liberdade="" mentalidade-selfservice-="" colunas="" www.osaopaulo.org.br="" >. Acesso em: 25 jun. 2019.
de liberdade
Simone Ribeiro Cabral Fuzaro
Hoje, gostaria de refletir sobre uma ideia que
foi entrando em nosso cotidiano, foi se enraizando
em nossas vidas e transformando nosso modo
de ver o mundo e as coisas: a mentalidade “selfservice”.
Essa expressão da língua inglesa,
traduzida livremente ao Português, significa
“serviço próprio” ou “autosserviço”. O selfservice
é um sistema de atendimento adotado
principalmente em restaurantes, pelo qual o
cliente tem a possibilidade de servir o seu próprio
prato, de acordo com as opções disponibilizadas
pelo estabelecimento.
Apesar de ter tido seu início em restaurantes,
esse tipo de serviço foi se expandindo a diversos
outros estabelecimentos, em que é possível que o
próprio cliente execute integral ou parcialmente o
atendimento (lavanderias, postos de combustível,
caixas eletrônicos...).
Apesar dos benefícios e facilidades inegáveis
trazidas por esse tipo de serviço, é importante
olharmos para os demais efeitos que causa em
nosso modo de ver as coisas e, consequentemente,
em nossas vidas. Essa possibilidade de
autosserviço, no qual se paga por exatamente
aquilo que se deseja consumir, foi aos poucos
contribuindo na transformação das relações, uma
vez que foi fomentando a possibilidade de que
cada um atenda efetivamente aos seus próprios
desejos e interesses sem restrições relativas ao
grupo que o acompanha ou àquele que presta
o serviço. Já não há mais a necessidade de se
escolher em família (ou em grupo) que prato
pedir no restaurante e, com isso, de se negociar
desejos, gostos, preferências. Mesmo que não
percebamos com muita clareza, está implícito aí
um engrandecimento do eu em detrimento do nós.
Já não se faz mais necessário abrir mão de um
gosto, de comer um pouco do que não aprecio
tanto para satisfazer alguém com quem me
importo. Pouco a pouco, sem percebermos, vamos
vivendo cada vez mais um modo autocentrado de
ver os serviços que utilizamos, as pessoas que
nos rodeiam.... o mundo. Vai ficando forte a ideia
de que pago somente pelo que quero consumir,
consumo somente aquilo que me interessa do serviço oferecido, ganhando o direito de “recortálo”
segundo meus interesses e sem considerar os
interesses daqueles que prestam o serviço e, às
vezes, até mesmo se o serviço prestado será de
qualidade se for adaptado ao meu querer.
Se olharmos a realidade, por exemplo, das
escolas infantis, veremos uma quantidade cada
vez maior de pais que querem escolher livremente
o horário de entrada e saída dos filhos sem
levar em conta os períodos escolares que são
importantíssimos por vários motivos: contemplam
uma rotina necessária para as crianças pequenas,
asseguram um mesmo grupo de colegas e
professores, o que transmite segurança e conforto
afetivo, possibilitam que participem das atividades
planejadas à fase escolar em que se encontram
etc. O que os pais estão buscando, no entanto,
é uma “escola self-service” e não percebem que
acabam por prejudicar o próprio filho, que terá um
serviço que não garantirá o atendimento às suas
necessidades básicas para um desenvolvimento
saudável.
Reina uma ideia de que temos o direito de ser
“livres” para escolher segundo nossos desejos
e nossas necessidades. Questiono, porém:
podemos considerar essa possibilidade de
escolha como liberdade? Parece-me haver um
equívoco claro nessa ideia, afinal, a liberdade nos
leva a escolher o bem. O que há hoje são pessoas
absolutamente escravizadas, em primeiro lugar,
pelos seus próprios desejos de satisfação,
conforto, facilidade. Depois, escravizadas ao
ter – é preciso muito para viver nessa gana de
satisfações, e, então, escravizamo-nos às rotinas
malucas de trabalho que roubam o direito de
atendermos às necessidades reais de nossa
saúde, de nossa família, de uma vida mais
equilibrada.
Vale refletirmos: em que situações estamos
nos deixando levar por essa “mentalidade selfservice”
exagerada? Vamos olhar de modo crítico
as facilidades, afinal, já sabemos: as grandes e
fundamentais aprendizagens acontecem quando
enfrentamos as dificuldades e não quando nos
desviamos delas.
Disponível em: < http: e-a-ilusao-de-liberdade="" mentalidade-selfservice-="" colunas="" www.osaopaulo.org.br="" >. Acesso em: 25 jun. 2019.