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Durante uma aula de Filosofia no 2º ano do Ensino Médio, a professora exibe trechos do documentário “O dilema das redes” (Netflix, 2020), que discute os impactos éticos das tecnologias de vigilância e manipulação algorítmica nas redes sociais. O documentário reúne ex-funcionários de grandes empresas de tecnologia para revelar como algoritmos influenciam emoções, escolhas políticas e relações sociais. Após a exibição, ela propõe aos estudantes um debate orientado pelas seguintes perguntas: • Como o uso de algoritmos interfere na autonomia do sujeito e na convivência democrática? • Como essa situação se relaciona com os debates filosóficos sobre a responsabilidade no uso de dados pessoais? Considerando a situação apresentada, qual propósito educativo orienta a atividade proposta pela docente ao exibir o documentário e conduzir o debate filosófico posterior com essas perguntas?

A Favorecer a análise dos fundamentos epistemológicos clássicos em diálogo com a crítica contemporânea da técnica.
B Desenvolver habilidades de pensamento por meio da análise lógica dos argumentos apresentados no documentário.
C Incentivar a formação de atletas de alto rendimento, com o objetivo de representar a escola em competições esportivas de nível regional e nacional.
D Promover a disciplina e o respeito às regras por meio da prática esportiva, visando a formação de cidadãos obedientes e cumpridores de seus deveres.
E Tematizar as práticas corporais em suas diversas formas, assegurando o desenvolvimento integral dos estudantes e a compreensão da cultura do movimento.

Um professor de Filosofia do 1º ano do Ensino Médio deseja introduzir o conceito de substância a partir da leitura do início da Metafísica, de Aristóteles. Ele menciona a seguinte definição: “o ente primeiro é ‘o que é’, o qual precisamente designa a essência” (1028a 10). Após perceber a dificuldade dos estudantes em acompanhar o vocabulário técnico do texto, ele reformula a abordagem da aula. Em vez de seguir com a leitura direta da obra, propõe uma reflexão a partir da seguinte pergunta: “O que faz uma coisa continuar sendo ela mesma mesmo quando muda?” A partir das respostas dos estudantes, ele reconstrói o conceito de substância de maneira gradual e dialógica. ARISTÓTELES. Metafísica – Livros VII-VIII. Trad. Lucas Angioni. Campinas: IFCH-UNICAMP, 2002 Diante dessa situação, a estratégia adotada pelo professor representa uma prática de transposição didática que:

A simplifica o conteúdo filosófico por meio de questões práticas do cotidiano.
B substitui conteúdos clássicos por experiências subjetivas dos estudantes.
C Promover a reflexão sobre as repercussões éticas da tecnologia na liberdade individual e na vida social.
D Estimular a compreensão do papel da tecnologia digital na conservação e uso sustentável do meio ambiente.
E Evidenciar os benefícios da tecnologia como expressão da razão instrumental nos contextos sociais atuais.

De modo a propor um debate contemporâneo com seu estudantes do 2º ano do Ensino Médio, uma professora de Filosofia apresenta uma reportagem sobre o uso de reconhecimento facial em escolas públicas para fins de segurança. Alguns estudantes se mostram entusiasmados com a aplicação da tecnologia, enquanto outros demonstram preocupação com possíveis abusos e perda de privacidade. A professora aproveita o debate para introduzir uma questão filosófica: “Toda inovação científica deve ser adotada simplesmente porque é possível?” Qual aprendizado a professora busca promover em seus estudantes com a atividade planejada?

A Compreender as leis científicas como verdades independentes dos fatores históricos e sociais.
B Problematizar a crença no progresso científico como neutro e necessariamente benéfico.
C fragmenta o saber filosófico para atender a expectativas escolares.
D substitui o texto original por debates livres sobre identidade pessoal.
E adapta conceitos complexos sem perda de rigor filosófico.

“Cantar, dançar e viver a experiência mágica de suspender o céu é comum em muitas tradições. Suspender o céu é ampliar o nosso horizonte; não o horizonte prospectivo, mas um existencial. É enriquecer as nossas subjetividades, que é a matéria que este tempo que nós vivemos quer consumir. Se existe uma ânsia por consumir a natureza, existe também uma por consumir subjetividades – as nossas subjetividades. Então vamos vivê-las com a liberdade que formos capazes de inventar, não botar ela no mercado. Já que a natureza está sendo assaltada de uma maneira tão indefensável, vamos, pelo menos, ser capazes de manter nossas subjetividades, nossas visões, nossas poéticas sobre a existência”. KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo . São Paulo: Companhia das Letras, 2019. No excerto, Ailton Krenak articula uma crítica que pode ser compreendida, do ponto de vista filosófico, como parte do esforço de descolonização epistêmica, pois

A questiona a ideia de que há apenas uma forma legítima de racionalidade.
B defende a universalização de valores civilizatórios como ideal ético comum.
C Reconhecer o desenvolvimento tecnológico como uma resposta definitiva aos problemas sociais e humanos.
D Analisar as diferenças conceituais entre ciência aplicada e ciência básica no contexto escolar.
E Valorizar a ciência como única forma legítima de conhecimento na contemporaneidade.

“A ciência normal, atividade na qual a maioria dos cientistas emprega inevitavelmente quase todo seu tempo, é baseada no pressuposto de que a comunidade científica sabe como é o mundo. Grande parte do sucesso do empreendimento deriva da disposição da comunidade para defender esse pressuposto – com custos consideráveis, se necessário. Por exemplo, a ciência normal frequentemente suprime novidades fundamentais, porque estas subvertem necessariamente seus compromissos básicos”. KUHN, Thomas S. A estrutura das revoluções científicas . São Paulo: Editora Perspectiva, 1998. Com base na concepção de ciência normal proposta por Thomas Kuhn, o progresso científico se dá quando

A novas descobertas confirmam teorias previamente formuladas por observação controlada e repetível.
B hipóteses centrais são continuamente falseadas, levando à eliminação das teorias inadequadas.
C associa o progresso técnico à superação das limitações da cultura tradicional.
D propõe a neutralidade das ciências como fundamento do respeito à diversidade.
E trata a subjetividade como expressão universal da razão comum a todos os povos.

Leia a estrofe da música Admirável chip novo , da cantora baiana Pitty: Pense, fale, compre, beba Leia, vote, não se esqueça Use, seja, ouça, diga Tenha, more, gaste, viva Pense, fale, compre, beba Leia, vote, não se esqueça Use, seja, ouça, diga Não, senhor, sim, senhor Não, senhor, sim, senhor PITTY. Admirável chip novo . [S.l.]: Deckdisc, 2003. 1 CD (3 min 38 s), estéreo. Faixa do álbum Admirável Chip Novo . As frases no imperativo indicam

A uma ideologia oriunda dos princípios tradicionais da sociedade.
B uma coerção sofrida pelo indivíduo que pertence ao sistema.
C I, III e IV, apenas.
D I e II, apenas.
E III e IV, apenas.

O estudo das condições a priori do conhecimento foi denominado por Kant “transcendental”, que nada tem a ver com o “transcendente”, mas com aquelas condições que, de parte do sujeito, contribuem constitutivamente para a possibilidade da experiência. A demonstração da necessidade a priori para a experiência ocupou o centro da Crítica da razão pura sob o nome de “Dedução transcendental das categorias” ROHDEN, Valério. O criticismo kantiano. In : REZENDE, Antonio (Org.). Curso de Filosofia: para professores e estudantes dos cursos de ensino médio e de graduação . Rio de Janeiro: Zahar, 1986. p. 131. Com base nesse trecho, assinale a alternativa correta.

A A dedução transcendental trata da experiência sensível direta e da negação das categorias do entendimento.
B O termo “transcendental” em Kant refere-se àquilo que está além de toda e qualquer experiência possível, como a “coisa em si”.
C uma coerção deliberada e aceita pelo indivíduo dentro da sociedade.
D uma forma de agir, pensar ou se comportar de forma livre.
E um modo de pensar e agir configurado em nosso livre-arbítrio.

Sobre origem das ideias e princípios de causalidade, temos a seguinte afirmação: Partindo dessa concepção da origem das ideias e do conhecimento, Hume, o mais radical dos empiristas, chegará a negar validade universal ao princípio de causalidade e à noção de necessidade a ele associada. A causalidade não seria, assim, uma propriedade do real, mas simplesmente o resultado de nossa forma habitual de perceber fenômenos, relacionando-os como causa e efeito, a partir de sua repetição constante. MARCONDES, Danilo. O empirismo inglês. In : REZENDE, Antonio (Org.). Curso de Filosofia: para professores e estudantes dos cursos de ensino médio e de graduação . Rio de Janeiro: Zahar, 1986. p. 120-121. Avalie as afirmações abaixo e julgue se elas são Verdadeiras (V) ou Falsas (F) em relação ao que se afirma no trecho.

( ) Podemos definir uma causa como um objeto seguido de outro de tal forma que todos os objetos semelhantes ao primeiro são seguidos de objetos semelhantes ao segundo.

( ) Objetos semelhantes sempre se encontram em conexão com outros objetos semelhantes.

( ) Um objeto seguido de outro, e cuja aparição sempre conduz o pensamento à ideia desse outro objeto.

( ) A relação de causa e efeito é obtida e fundamentada racionalmente sem relação direta com a experiência A sequência correta está descrita em:

A V, V, F, F.
B V, V, V, F.
C Para Kant, o conhecimento é totalmente empírico e dispensa estruturas a priori do sujeito.
D A dedução transcendental das categorias visa mostrar como conceitos puros do entendimento são necessários para possibilitar a experiência.
E O “transcendental” em Kant é sinônimo de “transcendente” e diz respeito ao conteúdo teológico da razão pura.

Leia os dois textos abaixo: Texto

I Se considerasse somente a força e o efeito que dela resulta, diria: quando um povo é obrigado a obedecer e o faz, age acertadamente; assim que pode sacudir esse jugo e o faz, age melhor ainda, porque, recuperando a liberdade pelo mesmo direito por que lha [sic] arrebataram, ou tem ele o direito de retomá-la ou não o tinham de subtraí-la. A ordem social, porém, é um direito sagrado que serve de base para todos os outros. Tal direito, no entanto, não se origina da natureza: funda-se, portanto, em convenções. ROUSSEAU, Jean-Jacques. Do contrato social . São Paulo: Nova Cultural, 1999. (Coleção Os Pensadores). p. 53-54. Texto

II Para bem compreender o poder político e derivá-lo de sua origem, devemos considerar em que estado todos os homens se acham naturalmente, sendo este um estado de perfeita liberdade para ordenar-lhes as ações e regular-lhes as posses e as pessoas conforme acharem conveniente, dentro dos limites da lei da natureza, sem pedir permissão ou depender da vontade de qualquer outro homem. (LOCKE, John. Segundo tratado sobre o governo . 3. Ed. São Paulo: Abril Cultural, 1983. [Coleção os Pensadores]. p. 35.) Com base nos textos apresentados e nos fundamentos teóricos de seus autores, assinale a alternativa correta.

A Ambos os textos defendem que o poder político legítimo é resultado de uma força natural que se impõe aos homens, sendo sua aceitação um dever racional.
B Rousseau e Locke compartilham a visão de que a origem da autoridade política reside na natureza humana e em suas inclinações racionais, sem necessidade de pactos formais.
C V, F, V, V.
D F, F, V, V.
E F, V, V, F.

No Prefácio dos “Princípios da Filosofia do Direito”, Hegel afirma que “o que é racional é real e o que é real é racional”, procurando constatar que a racionalidade do sujeito deva ser a mesma racionalidade do mundo. Tal afirmação visa, entre outras coisas, superar a dicotomia sujeito e objeto. HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. Princípios da filosofia do direito . São Paulo: Martins Fontes, 2003. Da mesma forma, partindo da afirmação hegeliana, pode-se dizer que é possível superar outra dicotomia, qual seja: a separação entre mundo virtual e mundo real. Ao compreender a afirmação de Hegel, comparando com a dicotomia real x virtual, pode-se dizer que

A o mundo virtual é irracional por definição, pois não possui existência material, sendo, portanto, oposto à realidade.
B a racionalidade da experiência humana é o critério que permite integrar o mundo virtual ao mundo real, desde que ambos tenham efeitos concretos e inteligíveis.
C Para Rousseau, diferentemente de Locke, o contrato social não busca preservar a liberdade natural dos indivíduos, mas substituí-la por uma liberdade civil, fruto de um pacto coletivo.
D O conceito de liberdade, para ambos os autores, se confunde com a ausência total de restrições, o que justifica uma rejeição comum ao papel da lei na organização social.
E Ambos os autores afirmam que a desobediência civil é ilegítima, pois rompe com a estabilidade do contrato social ou com a ordem natural estabelecida.