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O coordenador do Núcleo de Segurança do Paciente (NSP) de um hospital universitário apresenta o relatório anual à diretoria, e os dados mostram um aumento de 40% no número de notificações de incidentes em relação ao ano anterior, sendo que 90% destes foram classificados como near miss (quase erro) ou incidentes sem dano. Diante desses dados e baseando-se na RDC 36/2013 e nos princípios da Cultura de Segurança, qual é a interpretação técnica correta e a conduta a ser adotada?

A O aumento das notificações indica, inequivocamente, uma piora na qualidade assistencial e insegurança nos processos, exigindo a identificação imediata e punição dos profissionais reincidentes.
B O foco da gestão deve ser redirecionado exclusivamente para os incidentes com dano permanente, visto que a RDC 36/2013 desobriga a análise de eventos que não geraram lesão ao paciente.
C As notificações de near miss devem ser descartadas da análise estatística do NSP, pois, por definição, não atingiram o paciente e distorcem os indicadores de qualidade hospitalar.
D A diretoria deve intervir para restringir o acesso ao sistema de notificação, garantindo que apenas eventos adversos graves ( sentinel events ) sejam registrados para não comprometer a reputação institucional.
E O cenário sugere o fortalecimento da Cultura de Segurança, pois o aumento de relatos de incidentes sem dano demonstra confiança da equipe no sistema de notificação não punitivo ( just culture ).

Um paciente de 55 anos, previamente hígido (ECOG 0), é diagnosticado com carcinomatose peritoneal. Diante disso, a equipe cirúrgica multidisciplinar avalia a elegibilidade para Cirurgia Citorredutora (CRS) associada à Quimioterapia Intraperitoneal Hipertérmica (HIPEC). Considerando os princípios e as indicações desse procedimento, assinale a situação clínica que melhor representa uma indicação clássica e com maior potencial de benefício oncológico.

A Adenocarcinoma de pâncreas com disseminação peritoneal e ascite, mesmo com doença extraabdominal controlada.
B Adenocarcinoma gástrico difuso (tipo anel de sinete) com carcinomatose extensa (PCI > 20) e resposta parcial à quimioterapia neoadjuvante.
C Adenocarcinoma colorretal apresentando metástases hepáticas e pulmonares não ressecáveis, além de carcinomatose peritoneal limitada.
D Mesotelioma peritoneal maligno, sem doença extra-abdominal, avaliado em centro com equipe experiente em CRS/HIPEC.
E Tumor abdominal primário de qualquer histologia, desde que seja possível realizar citorredução CC2.

Um trabalhador da construção civil de 45 anos é levado ao pronto-socorro após queda de 3 metros, sendo atingido por um vergalhão que causou ferimento transfixante na região axilar direita, logo abaixo da clavícula, sendo que o objeto já foi removido no local. Ao dar entrada, o paciente está agitado, com sudorese fria, murmúrio vesicular abolido à direita, enfisema subcutâneo palpável no pescoço e tórax e turgência jugular. Diante deste quadro, qual é a conduta prioritária imediata?

A Obter dois acessos venosos calibrosos e iniciar reposição volêmica agressiva.
B Realizar radiografia de tórax (AP) no leito para confirmar o diagnóstico.
C Realizar a drenagem torácica (toracostomia) no 5º espaço intercostal.
D Solicitar avaliação urgente da cirurgia vascular pela lesão axilar.
E Realizar intubação orotraqueal e ventilação com pressão positiva.

Mulher de 62 anos, no 21º dia de pós-operatório de mastectomia radical modificada à esquerda, retorna ao ambulatório queixando-se de “inchaço” e desconforto na região axilar e parede torácica. O dreno aspirativo foi removido no 10º DPO. Ao exame, não há hiperemia ou calor local, mas nota-se abaulamento flutuante. A ultrassonografia confirma coleção líquida anecoica (compatível com seroma) de aproximadamente 90 mL. Essa é a terceira avaliação pela mesma queixa, tendo sido puncionada (com esvaziamento) duas vezes na última semana, com recidiva rápida do volume. Diante desse quadro de seroma persistente, a conduta prioritária é

A manter as punções aspirativas seriadas, sob técnica asséptica, e associar bandagem compressiva.
B indicar exploração cirúrgica para drenagem aberta e descolamento de retalhos.
C instalar novo dreno aspirativo percutâneo guiado por ultrassonografia.
D iniciar antibioticoterapia empírica para Staphylococcus aureus devido às múltiplas manipulações.
E suspender a fisioterapia de ombro e manter repouso absoluto do membro.

Homem de 62 anos, com histórico de diabetes mellitus tipo 2 controlado, é encaminhado para investigação de anemia ferropriva sintomática (cansaço e dispneia aos esforços). A colonoscopia identificou uma lesão ulcerovegetante, friável, ocupando 50% da circunferência da luz na flexura hepática, e as biópsias confirmaram adenocarcinoma invasivo. O estadiamento (TC de tórax e abdome) revelou espessamento parietal na transição cólon ascendente/transverso, sem invasão de órgãos adjacentes, e ausência de metástases à distância (cT3 N0 M0). Qual procedimento cirúrgico oferece a ressecção oncológica curativa ideal para esse caso?

A Ressecção segmentar da flexura hepática, com ligadura dos ramos locais e anastomose colo-cólica.
B Hemicolectomia direita clássica, com ligadura da artéria ileocólica e dos vasos cólicos direitos em seus troncos secundários (linfadenectomia D2).
C Colectomia transversa, com preservação da artéria cólica direita e ligadura da artéria cólica média.
D Colectomia direita estendida (incluindo o ângulo hepático e o terço proximal do cólon transverso), com ligadura alta na origem (nível D3) dos vasos cólicos direitos e da artéria cólica média.
E Colectomia total profilática com anastomose íleo-retal, devido ao risco de lesão vascular.

Homem de 62 anos, submetido à parotidectomia superficial por adenoma pleomórfico, evolui no 12º dia pós-operatório com saída de secreção clara pela ferida cervical, que aumenta durante a alimentação. Não há sinais de infecção local. Qual é a medida inicial mais apropriada para o manejo desse quadro?

A Indicar reabordagem cirúrgica imediata com revisão da anastomose ductal.
B Manter ferida aberta para cicatrização por segunda intenção.
C Realizar compressão suave no local associada à drenagem e ao uso de agente antissecretor salivar.
D Iniciar antibioticoterapia empírica sem drenagem.
E Aplicar solução hipertônica para fechamento químico da fístula.

Durante o manejo de um paciente com carcinoma epidermoide de pulmão estádio III, optou-se por tratamento combinado com quimioterapia e radioterapia administradas de forma concomitante. Essa estratégia tem como principal objetivo

A reduzir a dose total de radiação necessária para o controle local.
B diminuir a resistência tumoral à hipóxia, aumentando a oxigenação tecidual.
C potencializar o dano ao DNA tumoral por sinergismo entre agentes citotóxicos e radiação.
D minimizar a mielossupressão causada pelos quimioterápicos.
E melhorar a sobrevida global, sendo um tratamento neoadjuvante.

Mulher de 64 anos, previamente hígida, procura atendimento por tenesmo e episódios de enterorragia há 3 meses. Sua colonoscopia revela lesão ulcerada e estenosante em reto baixo, a 4 cm da margem anal, e a biópsia confirma adenocarcinoma. O estadiamento por Ressonância Magnética de Pelve demonstra: lesão T3 (invadindo a gordura mesorretal em 6 mm) e múltiplos linfonodos mesorretais suspeitos (N2), com distância de 1 mm da fáscia mesorretal (fáscia ameaçada), sem metástases à distância. A paciente possui status de performance (ECOG 0). Considerando o estadiamento e as diretrizes atuais para câncer de reto localmente avançado, nesse caso, a sequência terapêutica inicial mais adequada é

A quimiorradioterapia neoadjuvante padrão (long-course) seguida de cirurgia (Ressecção Total do Mesorreto) e, posteriormente, quimioterapia adjuvante (FOLFOX/CAPOX).
B cirurgia radical imediata (Amputação Abdominoperineal) devido à localização baixa e ao status N2, seguida de quimioterapia adjuvante.
C iniciar Terapia Neoadjuvante Total (TNT), com quimioterapia de indução (ex: FOLFOX) seguida de quimiorradioterapia, visando ao “downstaging” máximo antes da reavaliação cirúrgica.
D radioterapia de curta duração (5x5 Gy) seguida imediatamente pela cirurgia de ressecção total do mesorreto.
E observação vigilante (“Watch and Wait”), reservando a cirurgia apenas em caso de progressão dos sintomas de tenesmo.

Homem de 68 anos apresenta carcinoma ductal de pâncreas na cabeça pancreática (T2N1M0, AJCC 8ª ed.). O tumor provoca estenose duodenal e icterícia obstrutiva, tratada previamente com colocação de prótese plástica por papilotomia endoscópica. O paciente refere perda ponderal acentuada e passa a maior parte do dia no leito, embora consiga realizar higiene e alimentação com auxílio. Considerando o estadiamento, o desempenho funcional e os princípios de decisão terapêutica multidisciplinar, qual é a conduta inicial mais adequada para esse caso?

A Realizar gastroduodenopancreatectomia imediata, visto que o tumor é localizado e a icterícia foi controlada pela prótese biliar.
B Indicar radio e quimioterapia neoadjuvante, sem necessidade de nova intervenção cirúrgica, visando reduzir o volume tumoral e melhorar a capacidade alimentar antes de reavaliar a ressecabilidade.
C Realizar derivação digestiva (gastrojejunostomia ou jejunostomia) para suporte nutricional e controle da obstrução, associando tratamento sistêmico neoadjuvante, sendo esta uma conduta indicada para pacientes com ECOG 3.
D Efetuar duodenopancreatectomia parcial com linfadenectomia limitada, indicada apenas em pacientes com ECOG 2 e infiltração duodenal, como abordagem inicial de menor extensão.
E Manter cuidados paliativos clínicos e controle sintomático, sendo esta uma conduta compatível com pacientes em ECOG 4.

Um homem de 60 anos, portador de carcinoma pulmonar de não pequenas células (CPNPC) metastático, apresenta alta expressão tumoral de PD-L1 (TPS 80%). Foi iniciado tratamento com pembrolizumabe, um anticorpo monoclonal amplamente empregado na imunoterapia do CPNPC avançado. Assinale a alternativa que descreve corretamente o efeito imunológico esperado dessa terapêutica.

A Inibe a transdução de sinal da tirosina-quinase EGFR, bloqueando a proliferação celular.
B Reduz a ligação do CTLA-4, potencializando a ativação de linfócitos T na fase inicial da resposta imune.
C Interrompe a via do VEGF, diminuindo a formação de novos vasos tumorais.
D Impede a interação entre PD-1 e PD-L1, permitindo a reativação citotóxica das células T contra o tumor.
E Estimula diretamente a lise tumoral por mecanismo de anticorpo-dependente.