Texto I
Banhos de mar
Meu pai acreditava que todos os anos se devia
fazer uma cura de banhos de mar. E nunca fui tão fe-
liz quanto naquelas temporadas de banhos em Olin-
da, Recife.
5 Meu pai também acreditava que o banho de mar
salutar era o tomado antes de o sol nascer. Como ex-
plicar o que eu sentia de presente prodigioso em sair
de casa de madrugada e pegar o bonde vazio que
nos levaria para Olinda ainda na escuridão?
10 De noite eu ia dormir, mas o coração se manti-
nha acordado, em expectativa. E de puro alvoroço, eu
acordava às quatro e pouco da madrugada e desper-
tava o resto da família. Nós nos vestíamos depressa
e saíamos em jejum. Porque meu pai acreditava que
15 assim devia ser: em jejum.
Saímos para uma rua toda escura, recebendo
a brisa da pré-madrugada. E esperávamos o bonde.
Até que lá de longe ouvíamos o seu barulho se apro-
ximando. Eu me sentava bem na ponta do banco, e
minha felicidade começava. Atravessar a cidade es
cura me dava algo que jamais tive de novo. No bon
de mesmo o tempo começava a clarear, e uma luz
trêmula de sol escondido nos banhava e banhava o
mundo.
25 Eu olhava tudo: as poucas pessoas na rua, a
passagem pelo campo com os bichos-de-pé: “Olhe,
um porco de verdade!” gritei uma vez, e a frase de
deslumbramento ficou sendo uma das brincadeiras
da minha família, que de vez em quando me dizia
30 rindo: “Olhe, um porco de verdade.”
Eu não sei da infância alheia. Mas essa viagem
diária me tornava uma criança completa de alegria. E
me serviu como promessa de felicidade para o futu-
ro. Minha capacidade de ser feliz se revelava. Eu me
35 agarrava, dentro de uma infância muito infeliz, a essa
ilha encantada que era a viagem diária.
LISPECTOR, C. A Descoberta do Mundo . São Paulo: Rocco,
1999, p. 175. Adaptado
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INSTITUTO AOCP
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NUCEPE
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FUNIVERSA
348 questões
FAURGS
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FIOCRUZ
48 questões
MACKENZIE
48 questões
CETRO
17 questões
166 questões encontradas
Na evolução da indústria do petróleo, em relação ao transporte, constata-se desde a atividade dos primeiros poços, que os carroceiros estavam visivelmente presentes nas estradas de oil regions, nos Estados Unidos, com sua carga de barris. O poder dos carroceiros ocasionou uma mobilização para formular uma alternativa criativa: o transporte por oleodutos.
COSTA, P. A evolução da indústria petrolífera: uma caracterização geral. In: Monié, F.; Binsztok, J. (Org.). Geografia e geopolítica do petróleo . Rio de Janeiro: Mauad, 2012, p. 65. Adaptado.
O surgimento dos oleodutos resultou de uma mobilização contra a seguinte atuação dos carroceiros de petróleo:
Sr. K é submetido a processo administrativo por comissão presidida por Sr. Y, seu antigo chefe e com quem não mantinha relações cordiais.
Nos termos do regramento da Lei n o 9.784/1999, com relação à presidência da comissão ser exercida por Sr. Y, será caso de
Texto associado
Texto II
Festival reúne caravelas em barcos
Dizem que o passado não volta, mas a cada
cinco anos boa parte da história marítima da Euro-
pa se reúne para navegar junto entre o Mar do Norte
e o canal de Amsterdã. Caravelas e barcos a vapor
5 do século passado se juntam a veleiros e lanchas
contemporâneas que vêm de vários países para um
dos maiores encontros náuticos gratuitos do mundo.
Durante o Amsterdam Sail, entre os dias 19 e 23 de
agosto, cerca de 600 embarcações celebram a arte
10 de deslizar sobre as águas.
Desde 1975 o grande encontro aquático junta
apaixonados pelo mar e curiosos às margens dos ca-
nais para ver barcos históricos e gente fazendo festa
ao longo de cinco dias – na última edição, o público
15 estimado foi de 1,7milhão de pessoas. Há aulas de
vela e de remo para adultos e crianças, além de atra-
ções musicais. [...]
Você pode até achar que é coisa de criança, mas
o jogo em que cada um leva o próprio balde e simula
20 as tarefas a bordo de um navio é instrutivo e divertido
para todas as idades.
MORTARA, F. O Estado de S. Paulo , São Paulo, 4 ago. 2015,
Caderno D, p. 10. Adaptado.
Festival reúne caravelas em barcos
Dizem que o passado não volta, mas a cada
cinco anos boa parte da história marítima da Euro-
pa se reúne para navegar junto entre o Mar do Norte
e o canal de Amsterdã. Caravelas e barcos a vapor
5 do século passado se juntam a veleiros e lanchas
contemporâneas que vêm de vários países para um
dos maiores encontros náuticos gratuitos do mundo.
Durante o Amsterdam Sail, entre os dias 19 e 23 de
agosto, cerca de 600 embarcações celebram a arte
10 de deslizar sobre as águas.
Desde 1975 o grande encontro aquático junta
apaixonados pelo mar e curiosos às margens dos ca-
nais para ver barcos históricos e gente fazendo festa
ao longo de cinco dias – na última edição, o público
15 estimado foi de 1,7milhão de pessoas. Há aulas de
vela e de remo para adultos e crianças, além de atra-
ções musicais. [...]
Você pode até achar que é coisa de criança, mas
o jogo em que cada um leva o próprio balde e simula
20 as tarefas a bordo de um navio é instrutivo e divertido
para todas as idades.
MORTARA, F. O Estado de S. Paulo , São Paulo, 4 ago. 2015,
Caderno D, p. 10. Adaptado.
Texto I
Banhos de mar
Meu pai acreditava que todos os anos se devia
fazer uma cura de banhos de mar. E nunca fui tão fe-
liz quanto naquelas temporadas de banhos em Olin-
da, Recife.
5 Meu pai também acreditava que o banho de mar
salutar era o tomado antes de o sol nascer. Como ex-
plicar o que eu sentia de presente prodigioso em sair
de casa de madrugada e pegar o bonde vazio que
nos levaria para Olinda ainda na escuridão?
10 De noite eu ia dormir, mas o coração se manti-
nha acordado, em expectativa. E de puro alvoroço, eu
acordava às quatro e pouco da madrugada e desper-
tava o resto da família. Nós nos vestíamos depressa
e saíamos em jejum. Porque meu pai acreditava que
15 assim devia ser: em jejum.
Saímos para uma rua toda escura, recebendo
a brisa da pré-madrugada. E esperávamos o bonde.
Até que lá de longe ouvíamos o seu barulho se apro-
ximando. Eu me sentava bem na ponta do banco, e
20 minha felicidade começava. Atravessar a cidade es
cura me dava algo que jamais tive de novo. No bon
de mesmo o tempo começava a clarear, e uma luz
trêmula de sol escondido nos banhava e banhava o
mundo.
25 Eu olhava tudo: as poucas pessoas na rua, a
passagem pelo campo com os bichos-de-pé: “Olhe,
um porco de verdade!” gritei uma vez, e a frase de
deslumbramento ficou sendo uma das brincadeiras
da minha família, que de vez em quando me dizia
30 rindo: “Olhe, um porco de verdade.”
Eu não sei da infância alheia. Mas essa viagem
diária me tornava uma criança completa de alegria. E
me serviu como promessa de felicidade para o futu-
ro. Minha capacidade de ser feliz se revelava. Eu me
35 agarrava, dentro de uma infância muito infeliz, a essa
ilha encantada que era a viagem diária.
LISPECTOR, C. A Descoberta do Mundo . São Paulo: Rocco, 1999, p. 175. Adaptado
Comparando-se o conteúdo e a tipologia do Texto I e do Texto II, tem-se que
Texto associado
Low Oil Prices Could Be Good
for Electricity and Renewables
By Robert Fares
Since I first wrote about the price of oil last
December, the global oil price has fallen to levels
not seen in over five years. For many, the recent
price decline brings back memories of the 1980s oil
5 price collapse, which followed the 70s oil price spike
and drew attention away from renewable energy
and other alternatives — famously prompting U.S.
President Ronald Reagan to remove the White House
solar panels that had been installed by the previous
10 administration.
Thankfully, this time around, the outlook for
renewable energy isn’t so bleak. In fact, it is possible
low oil prices could actually improve the economics
of renewable energy. It all comes down to the
15 relationship between oil and gas production and the
price of electricity, which directly affects the bottom
line of technologies like wind and solar.
In 1973, the year the Arab Oil Embargo caused
a steep rise in oil prices, the United States produced
20 17 percent of its electricity using petroleum. When the
oil price increased, the price of electricity increased
too. This increase in price prompted greater interest in
domestic sources of electricity, like coal, nuclear, and
renewable energy.
25 Due in part to the turn away from oil in the 70s,
today the United States produces just 0.7 percent of
its electricity using petroleum. Therefore, the price of
oil has no direct impact on the price of electricity. Most
electricity comes from coal (39 percent) and natural
30 gas (27 percent), with the remainder coming from
nuclear, hydroelectric, wind, and other renewables.
The fuel with the most direct impact on the price
of electricity is natural gas, because natural gas
generation often sets the price of electricity in the
35 market. To gauge how low oil prices might affect the
price of electricity, it’s really important to think about
how they might affect the price of natural gas.
Although oil and natural gas prices have
decoupled in recent years, there is still an indirect link
40 between the price of oil and the price of natural gas,
because both oil and natural gas are often produced
from the same well. While most U.S. natural gas is
produced from wells drilled for the express purpose
of extracting gas, a portion comes from wells that
45 are drilled to extract oil, but produce natural gas as
a byproduct. This “associated gas” or “casinghead
gas” is often flared in regions like the Bakken in North
Dakota, which has limited pipeline infrastructure.
However, in regions like Texas’s Eagle Ford and
50 Permian Basin, this gas is often injected into the
existing pipeline network. Because drillers are really
after the more-valuable oil, associated natural gas is
often simply dumped into the pipelines at little or no
cost — depressing the overall price of natural gas.
55 The Railroad Commission of Texas, which
regulates the oil and gas industry, collects separate
data on natural gas produced from gas wells and
natural gas produced as a byproduct from oil wells.
These data show that, while overall Texas natural gas
60 production has increased since 2008, the amount
of gas produced from purpose-drilled gas wells has
actually declined. On the other hand, natural gas
associated with oil production has increased markedly
since 2008.
Available at:
low-oil-prices-could-be-good-for-electricity-and-renewables/>.
Retrieved on: Nov. 10th, 2015. Adapted.
for Electricity and Renewables
By Robert Fares
Since I first wrote about the price of oil last
December, the global oil price has fallen to levels
not seen in over five years. For many, the recent
price decline brings back memories of the 1980s oil
5 price collapse, which followed the 70s oil price spike
and drew attention away from renewable energy
and other alternatives — famously prompting U.S.
President Ronald Reagan to remove the White House
solar panels that had been installed by the previous
10 administration.
Thankfully, this time around, the outlook for
renewable energy isn’t so bleak. In fact, it is possible
low oil prices could actually improve the economics
of renewable energy. It all comes down to the
15 relationship between oil and gas production and the
price of electricity, which directly affects the bottom
line of technologies like wind and solar.
In 1973, the year the Arab Oil Embargo caused
a steep rise in oil prices, the United States produced
20 17 percent of its electricity using petroleum. When the
oil price increased, the price of electricity increased
too. This increase in price prompted greater interest in
domestic sources of electricity, like coal, nuclear, and
renewable energy.
25 Due in part to the turn away from oil in the 70s,
today the United States produces just 0.7 percent of
its electricity using petroleum. Therefore, the price of
oil has no direct impact on the price of electricity. Most
electricity comes from coal (39 percent) and natural
30 gas (27 percent), with the remainder coming from
nuclear, hydroelectric, wind, and other renewables.
The fuel with the most direct impact on the price
of electricity is natural gas, because natural gas
generation often sets the price of electricity in the
35 market. To gauge how low oil prices might affect the
price of electricity, it’s really important to think about
how they might affect the price of natural gas.
Although oil and natural gas prices have
decoupled in recent years, there is still an indirect link
40 between the price of oil and the price of natural gas,
because both oil and natural gas are often produced
from the same well. While most U.S. natural gas is
produced from wells drilled for the express purpose
of extracting gas, a portion comes from wells that
45 are drilled to extract oil, but produce natural gas as
a byproduct. This “associated gas” or “casinghead
gas” is often flared in regions like the Bakken in North
Dakota, which has limited pipeline infrastructure.
However, in regions like Texas’s Eagle Ford and
50 Permian Basin, this gas is often injected into the
existing pipeline network. Because drillers are really
after the more-valuable oil, associated natural gas is
often simply dumped into the pipelines at little or no
cost — depressing the overall price of natural gas.
55 The Railroad Commission of Texas, which
regulates the oil and gas industry, collects separate
data on natural gas produced from gas wells and
natural gas produced as a byproduct from oil wells.
These data show that, while overall Texas natural gas
60 production has increased since 2008, the amount
of gas produced from purpose-drilled gas wells has
actually declined. On the other hand, natural gas
associated with oil production has increased markedly
since 2008.
Available at:
low-oil-prices-could-be-good-for-electricity-and-renewables/>.
Retrieved on: Nov. 10th, 2015. Adapted.
The main objective of the text is to
Texto associado
Low Oil Prices Could Be Good
for Electricity and Renewables
By Robert Fares
Since I first wrote about the price of oil last
December, the global oil price has fallen to levels
not seen in over five years. For many, the recent
price decline brings back memories of the 1980s oil
5 price collapse, which followed the 70s oil price spike
and drew attention away from renewable energy
and other alternatives — famously prompting U.S.
President Ronald Reagan to remove the White House
solar panels that had been installed by the previous
10 administration.
Thankfully, this time around, the outlook for
renewable energy isn’t so bleak. In fact, it is possible
low oil prices could actually improve the economics
of renewable energy. It all comes down to the
15 relationship between oil and gas production and the
price of electricity, which directly affects the bottom
line of technologies like wind and solar.
In 1973, the year the Arab Oil Embargo caused
a steep rise in oil prices, the United States produced
20 17 percent of its electricity using petroleum. When the
oil price increased, the price of electricity increased
too. This increase in price prompted greater interest in
domestic sources of electricity, like coal, nuclear, and
renewable energy.
25 Due in part to the turn away from oil in the 70s,
today the United States produces just 0.7 percent of
its electricity using petroleum. Therefore, the price of
oil has no direct impact on the price of electricity. Most
electricity comes from coal (39 percent) and natural
30 gas (27 percent), with the remainder coming from
nuclear, hydroelectric, wind, and other renewables.
The fuel with the most direct impact on the price
of electricity is natural gas, because natural gas
generation often sets the price of electricity in the
35 market. To gauge how low oil prices might affect the
price of electricity, it’s really important to think about
how they might affect the price of natural gas.
Although oil and natural gas prices have
decoupled in recent years, there is still an indirect link
40 between the price of oil and the price of natural gas,
because both oil and natural gas are often produced
from the same well. While most U.S. natural gas is
produced from wells drilled for the express purpose
of extracting gas, a portion comes from wells that
45 are drilled to extract oil, but produce natural gas as
a byproduct. This “associated gas” or “casinghead
gas” is often flared in regions like the Bakken in North
Dakota, which has limited pipeline infrastructure.
However, in regions like Texas’s Eagle Ford and
50 Permian Basin, this gas is often injected into the
existing pipeline network. Because drillers are really
after the more-valuable oil, associated natural gas is
often simply dumped into the pipelines at little or no
cost — depressing the overall price of natural gas.
55 The Railroad Commission of Texas, which
regulates the oil and gas industry, collects separate
data on natural gas produced from gas wells and
natural gas produced as a byproduct from oil wells.
These data show that, while overall Texas natural gas
60 production has increased since 2008, the amount
of gas produced from purpose-drilled gas wells has
actually declined. On the other hand, natural gas
associated with oil production has increased markedly
since 2008.
Available at:
low-oil-prices-could-be-good-for-electricity-and-renewables/>.
Retrieved on: Nov. 10th, 2015. Adapted.
for Electricity and Renewables
By Robert Fares
Since I first wrote about the price of oil last
December, the global oil price has fallen to levels
not seen in over five years. For many, the recent
price decline brings back memories of the 1980s oil
5 price collapse, which followed the 70s oil price spike
and drew attention away from renewable energy
and other alternatives — famously prompting U.S.
President Ronald Reagan to remove the White House
solar panels that had been installed by the previous
10 administration.
Thankfully, this time around, the outlook for
renewable energy isn’t so bleak. In fact, it is possible
low oil prices could actually improve the economics
of renewable energy. It all comes down to the
15 relationship between oil and gas production and the
price of electricity, which directly affects the bottom
line of technologies like wind and solar.
In 1973, the year the Arab Oil Embargo caused
a steep rise in oil prices, the United States produced
20 17 percent of its electricity using petroleum. When the
oil price increased, the price of electricity increased
too. This increase in price prompted greater interest in
domestic sources of electricity, like coal, nuclear, and
renewable energy.
25 Due in part to the turn away from oil in the 70s,
today the United States produces just 0.7 percent of
its electricity using petroleum. Therefore, the price of
oil has no direct impact on the price of electricity. Most
electricity comes from coal (39 percent) and natural
30 gas (27 percent), with the remainder coming from
nuclear, hydroelectric, wind, and other renewables.
The fuel with the most direct impact on the price
of electricity is natural gas, because natural gas
generation often sets the price of electricity in the
35 market. To gauge how low oil prices might affect the
price of electricity, it’s really important to think about
how they might affect the price of natural gas.
Although oil and natural gas prices have
decoupled in recent years, there is still an indirect link
40 between the price of oil and the price of natural gas,
because both oil and natural gas are often produced
from the same well. While most U.S. natural gas is
produced from wells drilled for the express purpose
of extracting gas, a portion comes from wells that
45 are drilled to extract oil, but produce natural gas as
a byproduct. This “associated gas” or “casinghead
gas” is often flared in regions like the Bakken in North
Dakota, which has limited pipeline infrastructure.
However, in regions like Texas’s Eagle Ford and
50 Permian Basin, this gas is often injected into the
existing pipeline network. Because drillers are really
after the more-valuable oil, associated natural gas is
often simply dumped into the pipelines at little or no
cost — depressing the overall price of natural gas.
55 The Railroad Commission of Texas, which
regulates the oil and gas industry, collects separate
data on natural gas produced from gas wells and
natural gas produced as a byproduct from oil wells.
These data show that, while overall Texas natural gas
60 production has increased since 2008, the amount
of gas produced from purpose-drilled gas wells has
actually declined. On the other hand, natural gas
associated with oil production has increased markedly
since 2008.
Available at:
low-oil-prices-could-be-good-for-electricity-and-renewables/>.
Retrieved on: Nov. 10th, 2015. Adapted.
In the fragment of the text “It all comes down to the relationship between oil and gas production and the price of electricity, which directly affects the bottom line of technologies like wind and solar” (lines 14-17), the pronoun which refers to
Texto associado
Entrevista com Frédéric Martel
Uma guerra mundial pelo conteúdo dos meios
de comunicação se trava pela conquista do público
dentro e fora dos países criadores. Batalhas se
desenrolam pelo domínio da notícia, do formato de
5 programas de TV e pela exibição de filmes, vídeos,
música, livros. Nesse processo, um gigante domina:
os Estados Unidos, com sua capacidade de produzir
cultura de massas que agrada ao grande público
em todos os continentes. Essa penetração cultural
10 americana, que muitos críticos preferem chamar de
imperialismo, leva os filmes, a música e a televisão
americana para o mundo. Sua arma é o inverso
da alta cultura, da contracultura, da subcultura, de
nichos especializados. Visa o público em geral,
15 cultura de massa, de milhões. Tornou-se a cultura
internacional dominante, principal, a chamada
mainstream, conforme o título do livro escrito pelo
sociólogo francês Frédéric Martel. Para escrever
Mainst ream , ele percorreu 30 países durante cinco
20 anos, entrevistou mais de 1.200 pessoas em todas
as capitais do entertainment , analisou a ação dos
protagonistas, a lógica dos grupos e acompanhou a
circulação internacional de conteúdo.
É um imperialismo diferente daquele político e
militar. É uma espécie de imperialismo cultural que
é bem recebido no mundo. A esse respeito, afirma
Frédéric Martel: “É o que basicamente chamamos
de soft power. Soft power significa influenciar as
pessoas com coisas legais. Você é amigável,
30 não é contundente. Você tem as forças armadas,
tem a diplomacia tradicional e grandes empresas
econômicas, que formam o hard power , e tem o soft
power, que influencia as pessoas através de filmes,
de livros, da internet e de valores.”
35 “A língua é importante. Eu acredito — e essa é
a principal conclusão do meu livro — que, no mundo
em que estamos entrando, que reúne globalização e
digitalização, a língua é importante. E eu acredito que
a batalha, a luta, mesmo a guerra de conteúdo, será
40 uma batalha a respeito da cultura nacional. Você pode
ouvir Lady Gaga, gostar de Avatar e ler O Código
Da Vinci, mas, no final das contas, a maior parte
da cultura que você consome e ama geralmente é
nacional, local, regional, e não global. A cultura global
45 é apenas uma pequena parte do que você gosta.
Então, no final das contas, os americanos são os
únicos a poder prover essa cultura dominante global,
mas essa cultura dominante global continua pequena.
Por quê? Porque a língua é muito importante,
50 porque a identidade é muito importante. Quando
você compra um livro de não ficção, quer saber o
que acontece aqui, no seu país, e não na Coreia do
Sul, por exemplo. Na Coreia do Sul você quer ouvir
K-pop, que é a música pop coreana, e ver um drama
55 coreano, e não ouvir uma música brasileira. Portanto,
nós estamos em um mundo cada vez mais global,
mas, ao mesmo tempo, a cultura ainda é e será muito
nacional. Para resumir as coisas, eu diria que todos
temos duas culturas: a nossa e a americana.”
60 “Nós, como europeus, temos o mesmo tipo de
relação que você, como brasileiro, tem com os EUA.
Nós os amamos e odiamos. É uma complicada relação
de amor e ódio. Nós esperamos que eles sejam
como são; nós queremos criticá-los, mas, ao mesmo
65 tempo, nós protestamos contra eles com tênis Nike
nos pés. Nós trabalhamos para ser um pouco como
eles, muito embora nós queiramos manter nossa
identidade e cultura. E, a propósito, a boa notícia é
que o debate no mundo hoje e no futuro não será
70 entre nós — brasileiros, franceses, europeus — e os
americanos. Será entre todos nós. O que eu quero
dizer é que hoje não há apenas dois povos: nós e os
EUA. O mundo é muito mais complicado, com países
emergentes, que serão fundamentais nesse novo
75 jogo.”
“Para resumir, afirma Martel, eu diria que os
EUA continuarão sendo peça importante da guerra
de conteúdo, podemos dizer, nos próximos anos e
décadas. Eu não acredito e não compro a ideia do
80 declínio da cultura americana. Eu acho que eles são
fortes e continuarão sendo fortes. Mas eles não são os
únicos no jogo. Agora temos os países emergentes,
que estão emergindo não só demográfica e
economicamente, como pensávamos. E eu fui um
85 dos primeiros a mostrar que eles estão emergindo
com sua cultura, sua mídia e com a internet.”
“Nesse mundo, a internet pode ser uma peça
importante. O Brasil, por exemplo, vai crescer com
a internet, com certeza. Criam-se ferramentas
90 inovadoras de alfabetização, por exemplo, em
comunidades, em favelas, em lugares onde os
moradores não têm acesso a uma livraria ou
biblioteca. Mas eles terão acesso à internet em lan
houses , por exemplo, e mesmo no telefone. Hoje,
95 todo mundo tem um telefone celular barato. Mesmo
na África, todos têm celulares com funções básicas.
Em cinco anos, todos terão um smartphone, pois os
preços estão caindo muito. Assim, todos poderão
acessar a internet pelo smartphone. Se você tem
100 acesso à internet, pode baixar livros, acessar a rede,
pode ver filmes e daí por diante.”
“A questão não é se essa tecnologia é boa,
conclui Martel. A questão é: ela não será boa ou
ruim sozinha. Ela será o que você, o povo, o governo
100 deste país e nós formos capazes de fazer com ela,
criando uma boa internet e uma maneira melhor de
ter acesso ao conteúdo através da internet.”
BOCCANERA, S. Entrevista concedida pelo sociólogo Frédéric Martel, Programa Milênio, Globo News . Disponível em: . Acesso em: 10 nov. 2015. Adaptado.
Uma guerra mundial pelo conteúdo dos meios
de comunicação se trava pela conquista do público
dentro e fora dos países criadores. Batalhas se
desenrolam pelo domínio da notícia, do formato de
5 programas de TV e pela exibição de filmes, vídeos,
música, livros. Nesse processo, um gigante domina:
os Estados Unidos, com sua capacidade de produzir
cultura de massas que agrada ao grande público
em todos os continentes. Essa penetração cultural
10 americana, que muitos críticos preferem chamar de
imperialismo, leva os filmes, a música e a televisão
americana para o mundo. Sua arma é o inverso
da alta cultura, da contracultura, da subcultura, de
nichos especializados. Visa o público em geral,
15 cultura de massa, de milhões. Tornou-se a cultura
internacional dominante, principal, a chamada
mainstream, conforme o título do livro escrito pelo
sociólogo francês Frédéric Martel. Para escrever
Mainst ream , ele percorreu 30 países durante cinco
20 anos, entrevistou mais de 1.200 pessoas em todas
as capitais do entertainment , analisou a ação dos
protagonistas, a lógica dos grupos e acompanhou a
circulação internacional de conteúdo.
É um imperialismo diferente daquele político e
militar. É uma espécie de imperialismo cultural que
é bem recebido no mundo. A esse respeito, afirma
Frédéric Martel: “É o que basicamente chamamos
de soft power. Soft power significa influenciar as
pessoas com coisas legais. Você é amigável,
30 não é contundente. Você tem as forças armadas,
tem a diplomacia tradicional e grandes empresas
econômicas, que formam o hard power , e tem o soft
power, que influencia as pessoas através de filmes,
de livros, da internet e de valores.”
35 “A língua é importante. Eu acredito — e essa é
a principal conclusão do meu livro — que, no mundo
em que estamos entrando, que reúne globalização e
digitalização, a língua é importante. E eu acredito que
a batalha, a luta, mesmo a guerra de conteúdo, será
40 uma batalha a respeito da cultura nacional. Você pode
ouvir Lady Gaga, gostar de Avatar e ler O Código
Da Vinci, mas, no final das contas, a maior parte
da cultura que você consome e ama geralmente é
nacional, local, regional, e não global. A cultura global
45 é apenas uma pequena parte do que você gosta.
Então, no final das contas, os americanos são os
únicos a poder prover essa cultura dominante global,
mas essa cultura dominante global continua pequena.
Por quê? Porque a língua é muito importante,
50 porque a identidade é muito importante. Quando
você compra um livro de não ficção, quer saber o
que acontece aqui, no seu país, e não na Coreia do
Sul, por exemplo. Na Coreia do Sul você quer ouvir
K-pop, que é a música pop coreana, e ver um drama
55 coreano, e não ouvir uma música brasileira. Portanto,
nós estamos em um mundo cada vez mais global,
mas, ao mesmo tempo, a cultura ainda é e será muito
nacional. Para resumir as coisas, eu diria que todos
temos duas culturas: a nossa e a americana.”
60 “Nós, como europeus, temos o mesmo tipo de
relação que você, como brasileiro, tem com os EUA.
Nós os amamos e odiamos. É uma complicada relação
de amor e ódio. Nós esperamos que eles sejam
como são; nós queremos criticá-los, mas, ao mesmo
65 tempo, nós protestamos contra eles com tênis Nike
nos pés. Nós trabalhamos para ser um pouco como
eles, muito embora nós queiramos manter nossa
identidade e cultura. E, a propósito, a boa notícia é
que o debate no mundo hoje e no futuro não será
70 entre nós — brasileiros, franceses, europeus — e os
americanos. Será entre todos nós. O que eu quero
dizer é que hoje não há apenas dois povos: nós e os
EUA. O mundo é muito mais complicado, com países
emergentes, que serão fundamentais nesse novo
75 jogo.”
“Para resumir, afirma Martel, eu diria que os
EUA continuarão sendo peça importante da guerra
de conteúdo, podemos dizer, nos próximos anos e
décadas. Eu não acredito e não compro a ideia do
80 declínio da cultura americana. Eu acho que eles são
fortes e continuarão sendo fortes. Mas eles não são os
únicos no jogo. Agora temos os países emergentes,
que estão emergindo não só demográfica e
economicamente, como pensávamos. E eu fui um
85 dos primeiros a mostrar que eles estão emergindo
com sua cultura, sua mídia e com a internet.”
“Nesse mundo, a internet pode ser uma peça
importante. O Brasil, por exemplo, vai crescer com
a internet, com certeza. Criam-se ferramentas
90 inovadoras de alfabetização, por exemplo, em
comunidades, em favelas, em lugares onde os
moradores não têm acesso a uma livraria ou
biblioteca. Mas eles terão acesso à internet em lan
houses , por exemplo, e mesmo no telefone. Hoje,
95 todo mundo tem um telefone celular barato. Mesmo
na África, todos têm celulares com funções básicas.
Em cinco anos, todos terão um smartphone, pois os
preços estão caindo muito. Assim, todos poderão
acessar a internet pelo smartphone. Se você tem
100 acesso à internet, pode baixar livros, acessar a rede,
pode ver filmes e daí por diante.”
“A questão não é se essa tecnologia é boa,
conclui Martel. A questão é: ela não será boa ou
ruim sozinha. Ela será o que você, o povo, o governo
100 deste país e nós formos capazes de fazer com ela,
criando uma boa internet e uma maneira melhor de
ter acesso ao conteúdo através da internet.”
BOCCANERA, S. Entrevista concedida pelo sociólogo Frédéric Martel, Programa Milênio, Globo News . Disponível em: . Acesso em: 10 nov. 2015. Adaptado.
Algumas palavras são formadas pelo acréscimo de prefixos ou de sufixos. É o caso de “contracultura”, que é formada pela combinação entre o prefixo “contra” e a palavra “cultura”.
O grupo que é formado por palavras em que “contra” é um prefixo que expressa “sentido contrário” é
Uma das redes da sede de uma empresa foi invadida por um software que coletou informações de vários computadores, instalou favoritos, barras de ferramentas e links indesejados nos navegadores da Web, alterou home pages padrão e fez com que fossem exibidos anúncios de pop-ups frequentemente.
Um modo de previnir invasões desse gênero é
Texto associado
Entrevista com Frédéric Martel
Uma guerra mundial pelo conteúdo dos meios
de comunicação se trava pela conquista do público
dentro e fora dos países criadores. Batalhas se
desenrolam pelo domínio da notícia, do formato de
5 programas de TV e pela exibição de filmes, vídeos,
música, livros. Nesse processo, um gigante domina:
os Estados Unidos, com sua capacidade de produzir
cultura de massas que agrada ao grande público
em todos os continentes. Essa penetração cultural
10 americana, que muitos críticos preferem chamar de
imperialismo, leva os filmes, a música e a televisão
americana para o mundo. Sua arma é o inverso
da alta cultura, da contracultura, da subcultura, de
nichos especializados. Visa o público em geral,
15 cultura de massa, de milhões. Tornou-se a cultura
internacional dominante, principal, a chamada
mainstream, conforme o título do livro escrito pelo
sociólogo francês Frédéric Martel. Para escrever
Mainst ream , ele percorreu 30 países durante cinco
20 anos, entrevistou mais de 1.200 pessoas em todas
as capitais do entertainment , analisou a ação dos
protagonistas, a lógica dos grupos e acompanhou a
circulação internacional de conteúdo.
É um imperialismo diferente daquele político e
militar. É uma espécie de imperialismo cultural que
é bem recebido no mundo. A esse respeito, afirma
Frédéric Martel: “É o que basicamente chamamos
de soft power. Soft power significa influenciar as
pessoas com coisas legais. Você é amigável,
30 não é contundente. Você tem as forças armadas,
tem a diplomacia tradicional e grandes empresas
econômicas, que formam o hard power , e tem o soft
power, que influencia as pessoas através de filmes,
de livros, da internet e de valores.”
35 “A língua é importante. Eu acredito — e essa é
a principal conclusão do meu livro — que, no mundo
em que estamos entrando, que reúne globalização e
digitalização, a língua é importante. E eu acredito que
a batalha, a luta, mesmo a guerra de conteúdo, será
40 uma batalha a respeito da cultura nacional. Você pode
ouvir Lady Gaga, gostar de Avatar e ler O Código
Da Vinci, mas, no final das contas, a maior parte
da cultura que você consome e ama geralmente é
nacional, local, regional, e não global. A cultura global
45 é apenas uma pequena parte do que você gosta.
Então, no final das contas, os americanos são os
únicos a poder prover essa cultura dominante global,
mas essa cultura dominante global continua pequena.
Por quê? Porque a língua é muito importante,
50 porque a identidade é muito importante. Quando
você compra um livro de não ficção, quer saber o
que acontece aqui, no seu país, e não na Coreia do
Sul, por exemplo. Na Coreia do Sul você quer ouvir
K-pop, que é a música pop coreana, e ver um drama
55 coreano, e não ouvir uma música brasileira. Portanto,
nós estamos em um mundo cada vez mais global,
mas, ao mesmo tempo, a cultura ainda é e será muito
nacional. Para resumir as coisas, eu diria que todos
temos duas culturas: a nossa e a americana.”
60 “Nós, como europeus, temos o mesmo tipo de
relação que você, como brasileiro, tem com os EUA.
Nós os amamos e odiamos. É uma complicada relação
de amor e ódio. Nós esperamos que eles sejam
como são; nós queremos criticá-los, mas, ao mesmo
65 tempo, nós protestamos contra eles com tênis Nike
nos pés. Nós trabalhamos para ser um pouco como
eles, muito embora nós queiramos manter nossa
identidade e cultura. E, a propósito, a boa notícia é
que o debate no mundo hoje e no futuro não será
70 entre nós — brasileiros, franceses, europeus — e os
americanos. Será entre todos nós. O que eu quero
dizer é que hoje não há apenas dois povos: nós e os
EUA. O mundo é muito mais complicado, com países
emergentes, que serão fundamentais nesse novo
75 jogo.”
“Para resumir, afirma Martel, eu diria que os
EUA continuarão sendo peça importante da guerra
de conteúdo, podemos dizer, nos próximos anos e
décadas. Eu não acredito e não compro a ideia do
80 declínio da cultura americana. Eu acho que eles são
fortes e continuarão sendo fortes. Mas eles não são os
únicos no jogo. Agora temos os países emergentes,
que estão emergindo não só demográfica e
economicamente, como pensávamos. E eu fui um
85 dos primeiros a mostrar que eles estão emergindo
com sua cultura, sua mídia e com a internet.”
“Nesse mundo, a internet pode ser uma peça
importante. O Brasil, por exemplo, vai crescer com
a internet, com certeza. Criam-se ferramentas
90 inovadoras de alfabetização, por exemplo, em
comunidades, em favelas, em lugares onde os
moradores não têm acesso a uma livraria ou
biblioteca. Mas eles terão acesso à internet em lan
houses , por exemplo, e mesmo no telefone. Hoje,
95 todo mundo tem um telefone celular barato. Mesmo
na África, todos têm celulares com funções básicas.
Em cinco anos, todos terão um smartphone, pois os
preços estão caindo muito. Assim, todos poderão
acessar a internet pelo smartphone. Se você tem
100 acesso à internet, pode baixar livros, acessar a rede,
pode ver filmes e daí por diante.”
“A questão não é se essa tecnologia é boa,
conclui Martel. A questão é: ela não será boa ou
ruim sozinha. Ela será o que você, o povo, o governo
100 deste país e nós formos capazes de fazer com ela,
criando uma boa internet e uma maneira melhor de
ter acesso ao conteúdo através da internet.”
BOCCANERA, S. Entrevista concedida pelo sociólogo Frédéric Martel, Programa Milênio, Globo News . Disponível em: . Acesso em: 10 nov. 2015. Adaptado.
Uma guerra mundial pelo conteúdo dos meios
de comunicação se trava pela conquista do público
dentro e fora dos países criadores. Batalhas se
desenrolam pelo domínio da notícia, do formato de
5 programas de TV e pela exibição de filmes, vídeos,
música, livros. Nesse processo, um gigante domina:
os Estados Unidos, com sua capacidade de produzir
cultura de massas que agrada ao grande público
em todos os continentes. Essa penetração cultural
10 americana, que muitos críticos preferem chamar de
imperialismo, leva os filmes, a música e a televisão
americana para o mundo. Sua arma é o inverso
da alta cultura, da contracultura, da subcultura, de
nichos especializados. Visa o público em geral,
15 cultura de massa, de milhões. Tornou-se a cultura
internacional dominante, principal, a chamada
mainstream, conforme o título do livro escrito pelo
sociólogo francês Frédéric Martel. Para escrever
Mainst ream , ele percorreu 30 países durante cinco
20 anos, entrevistou mais de 1.200 pessoas em todas
as capitais do entertainment , analisou a ação dos
protagonistas, a lógica dos grupos e acompanhou a
circulação internacional de conteúdo.
É um imperialismo diferente daquele político e
militar. É uma espécie de imperialismo cultural que
é bem recebido no mundo. A esse respeito, afirma
Frédéric Martel: “É o que basicamente chamamos
de soft power. Soft power significa influenciar as
pessoas com coisas legais. Você é amigável,
30 não é contundente. Você tem as forças armadas,
tem a diplomacia tradicional e grandes empresas
econômicas, que formam o hard power , e tem o soft
power, que influencia as pessoas através de filmes,
de livros, da internet e de valores.”
35 “A língua é importante. Eu acredito — e essa é
a principal conclusão do meu livro — que, no mundo
em que estamos entrando, que reúne globalização e
digitalização, a língua é importante. E eu acredito que
a batalha, a luta, mesmo a guerra de conteúdo, será
40 uma batalha a respeito da cultura nacional. Você pode
ouvir Lady Gaga, gostar de Avatar e ler O Código
Da Vinci, mas, no final das contas, a maior parte
da cultura que você consome e ama geralmente é
nacional, local, regional, e não global. A cultura global
45 é apenas uma pequena parte do que você gosta.
Então, no final das contas, os americanos são os
únicos a poder prover essa cultura dominante global,
mas essa cultura dominante global continua pequena.
Por quê? Porque a língua é muito importante,
50 porque a identidade é muito importante. Quando
você compra um livro de não ficção, quer saber o
que acontece aqui, no seu país, e não na Coreia do
Sul, por exemplo. Na Coreia do Sul você quer ouvir
K-pop, que é a música pop coreana, e ver um drama
55 coreano, e não ouvir uma música brasileira. Portanto,
nós estamos em um mundo cada vez mais global,
mas, ao mesmo tempo, a cultura ainda é e será muito
nacional. Para resumir as coisas, eu diria que todos
temos duas culturas: a nossa e a americana.”
60 “Nós, como europeus, temos o mesmo tipo de
relação que você, como brasileiro, tem com os EUA.
Nós os amamos e odiamos. É uma complicada relação
de amor e ódio. Nós esperamos que eles sejam
como são; nós queremos criticá-los, mas, ao mesmo
65 tempo, nós protestamos contra eles com tênis Nike
nos pés. Nós trabalhamos para ser um pouco como
eles, muito embora nós queiramos manter nossa
identidade e cultura. E, a propósito, a boa notícia é
que o debate no mundo hoje e no futuro não será
70 entre nós — brasileiros, franceses, europeus — e os
americanos. Será entre todos nós. O que eu quero
dizer é que hoje não há apenas dois povos: nós e os
EUA. O mundo é muito mais complicado, com países
emergentes, que serão fundamentais nesse novo
75 jogo.”
“Para resumir, afirma Martel, eu diria que os
EUA continuarão sendo peça importante da guerra
de conteúdo, podemos dizer, nos próximos anos e
décadas. Eu não acredito e não compro a ideia do
80 declínio da cultura americana. Eu acho que eles são
fortes e continuarão sendo fortes. Mas eles não são os
únicos no jogo. Agora temos os países emergentes,
que estão emergindo não só demográfica e
economicamente, como pensávamos. E eu fui um
85 dos primeiros a mostrar que eles estão emergindo
com sua cultura, sua mídia e com a internet.”
“Nesse mundo, a internet pode ser uma peça
importante. O Brasil, por exemplo, vai crescer com
a internet, com certeza. Criam-se ferramentas
90 inovadoras de alfabetização, por exemplo, em
comunidades, em favelas, em lugares onde os
moradores não têm acesso a uma livraria ou
biblioteca. Mas eles terão acesso à internet em lan
houses , por exemplo, e mesmo no telefone. Hoje,
95 todo mundo tem um telefone celular barato. Mesmo
na África, todos têm celulares com funções básicas.
Em cinco anos, todos terão um smartphone, pois os
preços estão caindo muito. Assim, todos poderão
acessar a internet pelo smartphone. Se você tem
100 acesso à internet, pode baixar livros, acessar a rede,
pode ver filmes e daí por diante.”
“A questão não é se essa tecnologia é boa,
conclui Martel. A questão é: ela não será boa ou
ruim sozinha. Ela será o que você, o povo, o governo
100 deste país e nós formos capazes de fazer com ela,
criando uma boa internet e uma maneira melhor de
ter acesso ao conteúdo através da internet.”
BOCCANERA, S. Entrevista concedida pelo sociólogo Frédéric Martel, Programa Milênio, Globo News . Disponível em: . Acesso em: 10 nov. 2015. Adaptado.