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Atenção : Para responder às questões de números 34 a 38, baseie-se no texto abaixo.

− Quer esse menininho para o senhor? Pode levar.
Aconteceu no Rio, como acontecem tantas coisas. O rapaz entrou no café da rua Luís de Camões e começou a oferecer o filho de seis meses. Em voz baixa, ao pé do ouvido, como esses vendedores clandestinos que nos propõem um relógio submersível. Com esta diferença: era dado, de presente. Uns não o levaram a sério, outros não acharam interessante a doação. Que iriam fazer com aquela coisinha exigente, boca aberta para mamar e devorar a escassa comida, corpo a vestir, pés a calçar, e mais dentista e médico e farmácia e colégio e tudo que custa um novo ser, em dinheiro e aflição?
− Fique com ele. É muito bonzinho, não chora nem reclama. Não lhe cobro nada…
Podia ser que fizesse aquilo para o bem do menino, um desses atos de renúncia que significam amor absoluto. O tom era sério, e a cara, angustiada. O rapaz era pobre, visivelmente. Mas todos ali o eram também, em graus diferentes. E a ninguém apetecia ganhar um bebê, ou, senão, quem nutria esse desejo o sofreava. Mesmo sem jamais ter folheado o Código Penal, toda gente sabe que carregar com filho dos outros dá cadeia, muita.
Mas o pai insistia, com bons modos e boas razões: desempregado, abandonado pela mulher. O bebê, de olhinhos tranquilos, olhava sem reprovação para tudo. De fato, não era de reclamar, parecia que ele próprio queria ser dado. Até que apareceu uma senhora gorda e topou o oferecimento:
− Já tenho seis lá em casa, que mal faz inteirar sete? Moço, eu fico com ele.
Disse mais que morava em Senador Camará, num sobradão assim assim, e lá se foi com o presente. O pai se esquecera de perguntar-lhe o nome, ou preferia não saber. Nenhum papel escrito selara o ajuste; nem havia ajuste. Havia um bebê que mudou de mãos e agora começa a fazer falta ao pai.
− Praquê fui dar esse menino? − interroga-se ele. Chega em casa e não sabe como explicar à mulher o que fizera. Porque não fora abandonado por ela; os dois tinham apenas brigado, e o marido, no vermelho da raiva, saíra com o filho para dá-lo a quem quisesse.
A mulher nem teve tempo de brigar outra vez. Correram os dois em busca do menino dado, foram ao vago endereço, perguntaram pela vaga senhora. Não há notícia. No estirão do subúrbio, no estirão maior deste Rio, como pode um bebê fazer-se notar? E logo esse, manso de natureza, pronto a aceitar quaisquer pais que lhe deem, talvez na pré-consciência mágica de que pais deixaram de ter importância.
E o pai volta ao café da rua Luís de Camões, interroga um e outro, nada: ninguém mais viu aquela senhora. Disposto a procurá-la por toda parte, ele anuncia:
− Fico sem camisa, mas compro o menino pelo preço que ela quiser.

(ANDRADE, Carlos Drummond de. “Caso de menino”. 70 historinhas. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 101-102)

O narrador recorre ao chamado discurso indireto livre no seguinte trecho:

A - Já tenho seis lá em casa, que mal faz inteirar sete? Moço, eu fico com ele. (6º parágrafo)
B - Praquê fui dar esse menino? - interroga-se ele. (8º parágrafo)
C Disse mais que morava em Senador Camará, num sobradão assim assim, e lá se foi com o presente. (7º parágrafo)
D O rapaz entrou no café da rua Luís de Camões e começou a oferecer o filho de seis meses. (2º parágrafo)
E Uns não o levaram a sério, outros não acharam interessante a doação. (2º parágrafo)
Texto associado
Atenção : Para responder às questões de números 39 a 44, baseie-se no texto abaixo.

Estabelecida na Sicília no século V a.C., a retórica terá como primeiros cultores a Empédocles, Córax e Tísias. Segundo Armando Plebe (1968, p. 3-6, passim), já nesse momento nebuloso de suas origens, a disciplina conheceria duas linhagens: primeira, uma demonstração técnica e racional do verossímil; segunda, uma psicagogia (literalmente, “condução da alma”), isto é, exploração do potencial de sedução da palavra, aquém ou além de sua inteligibilidade. A primeira linhagem aspira a tornar mais potente o discurso válido de uma perspectiva lógica, tendo como fonte Córax, Tísias e Protágoras; a segunda, mergulhada em princípios pitagóricos − magia, medicina e música como terapias − e parmenídicos − distinção entre a via da verdade e a da opinião − pretende trabalhar o fascínio enganador a que se presta a palavra, originando-se no pensamento de Empédocles, para daí passar a Górgias e depois a Isócrates.
A partir de fins do século V a. C., a retórica entra num período que ficou melhor documentado, podendo-se dizer, contudo, que a controvérsia já referida, entre a arte da palavra como embalagem do raciocínio ou como encantamento e ilusionismo, se transforma em verdadeiro mote do debate filosófico que atravessaria os séculos. Desse período, são de destacar as obras de Platão − que em geral reagiu contra a retórica enquanto hipertrofia da linguagem como forma sedutora, ou então a avaliou positivamente, desde que identificada com a dialética − e de Aristóteles − que lhe dedicou um tratado específico destinado a ampla influência, concebendo-a como técnica rigorosa de argumentação e como arte do estilo, além de estudá-la sob os pontos de vista do ethos do orador e do pathos dos ouvintes.

(Adaptado de ACÍZELO, Roberto. O império da eloquência: retórica e poética no Brasil oitocentista. Rio de Janeiro: EdUERJ: EdUFF, 1999, p. 7)

Em linhas gerais, os sofistas foram mestres da retórica e da oratória, que ensinavam na pólis aos cidadãos interessados em dominar as técnicas do discurso. No entanto, eram constantemente acusados por Platão e por Aristóteles, por exemplo, de empregar sofismas, silogismos falsos, para impressionar os seus ouvintes. Referência semelhante sobre a sofística e sobre os sofistas está presente em:

A [...] uma demonstração técnica e racional do verossímil. (1º parágrafo)
B Desse período são de destacar as obras de Platão [...]. (2º parágrafo)
C [...] pretende trabalhar o fascínio enganador a que se presta a palavra, originando-se no pensamento de Empédocles, para daí passar a Górgias e depois a Isócrates. (1º parágrafo)
D [...] já nesse momento nebuloso de suas origens, a disciplina conheceria duas linhagens [...]. (1º parágrafo)
E A partir de fins do século V a. C., a retórica entra num período que ficou melhor documentado [...]. (2º parágrafo)

A respeito das comissões parlamentares de inquérito, o Regimento Interno da Câmara Municipal de Fortaleza prescreve que:

A recebido o requerimento de instituição da Comissão Parlamentar de Inquérito, o Presidente, no prazo de até 5 (cinco) dias
úteis, ouvirá a Procuradoria Legislativa e a Coordenadoria Legislativa da Câmara para a verificação dos pressupostos
regimentais e constitucionais de admissibilidade da matéria, a ser respondida na forma de pareceres fundamentados.
B a Câmara Municipal, a requerimento de um terço de seus membros, instituirá Comissão Parlamentar de Inquérito para
apuração de fato determinado e por prazo certo, a qual terá poderes de investigação próprios das autoridades policiais.
C a Comissão Parlamentar de Inquérito será composta de 9 (nove) membros, observada tanto quanto possível a proporcionalidade
partidária, sendo o seu relator o Vereador autor principal do Requerimento.
D a Comissão Parlamentar de Inquérito não poderá atuar durante o recesso parlamentar.
E não será criada Comissão Parlamentar de Inquérito enquanto estiverem funcionando, pelo menos, 5 (cinco) na Câmara.

Está correta a redação do seguinte comentário:

A Consoante a observação de Simone de Beauvoir, ao redor dos velhos, que costumam ser estigmatizados, paira certa “conspiração do silêncio”.
B Observam-se que há pessoas as quais criam novos significados para o envelhecimento, desafiando as convenções sociais.
C Já não se enxerga em certas pessoas próximas dos 70 anos, as típicas consequências negativas associadas ao processo de envelhecer.
D Construir um projeto de vida ao qual desse significado permanente à existência são objetivos da maioria das pessoas.
E Rejeitam estereótipos, criando novos significados para o envelhecimento, àqueles a quem se classificam como “belos velhos”.

Acerca da Administração Tributária, o Código Tributário Nacional

A exige autorização judicial para as autoridades administrativas federais poderem requisitar o auxílio da força pública federal,
estadual ou municipal, quando necessário à efetivação de medida prevista na legislação tributária.
B relaciona as autoridades e entidades obrigadas a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham
com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros, mas tal obrigação não abrange a prestação de informações,
quanto a fatos sobre os quais o informante esteja legalmente obrigado a observar segredo em razão de cargo, ofício,
função, ministério, atividade ou profissão.
C determina que, salvo motivo de força maior e a critério da autoridade administrativa, é vedada a divulgação, por parte da
Fazenda Pública ou de seus servidores, de informação obtida em razão do ofício sobre a situação econômica ou financeira
do sujeito passivo ou de terceiros e sobre a natureza e o estado de seus negócios ou atividades.
D veda o intercâmbio de informação sigilosa, no âmbito da Administração Pública, o qual somente pode ser realizado quando
houver autorização judicial, após instauração de processo judicial, a pedido dos entes federados interessados, que tramitará
em segredo de justiça.
E dispõe que somente a lei complementar pode autorizar a Fazenda Pública da União e as dos Estados, do Distrito Federal
e dos Municípios a prestarem mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações.

Compete privativamente ao Presidente da República

A autorizar referendo e convocar plebiscito.
B conferir condecorações e distinções honoríficas.
C a fixação e modificação do efetivo das Forças Armadas.
D a transferência temporária da sede do Governo Federal.
E resolver definitivamente sobre tratados que acarretem encargos ao patrimônio nacional.

De acordo com o Código Civil, a anulação da constituição das sociedades, por defeito do ato respectivo, se sujeita a prazo

A prescricional, contado da publicação de sua inscrição no registro.
B prescricional, contado da data em que o interessado tiver ciência do defeito.
C decadencial, contado da data do ato.
D decadencial, contado da publicação de sua inscrição no registro.
E decadencial, contado da data em que o interessado tiver ciência do defeito.

Em Que cuido que estou livre do embaraço (2ª estrofe), o verbo “cuidar” está empregado na mesma acepção do verbo sublinhado
no seguinte trecho:

A cuidaram daquelas crianças por toda a vida.
B cuidava da casa com dedicação.
C em meio à crise, todos devem se cuidar.
D passara o dia cuidando o que ia dizer.
E nunca se aborrece no trabalho, sabe cuidar -se como ninguém.