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Três fenômenos maiores podem explicar a concepção e a percepção da guerra na Idade Média, bem como o papel privilegiado reservado às armas e aos homens de armas [...]: primeiro, o fim do Império Romano do Ocidente e, com ele, o fim de uma época em que a ordem, a paz e a justiça estavam garantidas; em seguida, a rude intromissão no tecido sociocultural, inicialmente romano e cristão, de povos com tradições e concepções germânicas que não permitiam distinguir entre direito civil e uso militar da força; enfim, os longos séculos de desordem e de violência que se abateram sobre a Europa. (Franco Cardini. “Guerra e cruzada”. In: Dicionário analítico do Ocidente Medieval , vol.

I. Jacques Le Goff, Jean Claude Schmitt (Orgs.), 2017) Como decorrência dos três fenômenos referidos pelo excerto, a Idade Média Ocidental caracterizou-se, em grande parte de sua vigência,

A pela aliança das monarquias nacionais com os Estados Pontifícios, com o objetivo de possibilitar a sobrevivência do feudalismo.
B pelo exercício do poder político-militar em múltiplas unidades feudais, em prejuízo do poder central.
C pela ruptura da unidade religiosa do continente europeu, com a propagação dos movimentos de contestação do cristianismo na sociedade feudal.
D pelo controle dos senhores territoriais pelos reis absolutistas, com a suspensão dos torneios militares dos nobres feudais.
E pela permanência do capitalismo nas cidades, em contraposição à introdução do feudalismo na Europa pelos povos bárbaros.

As exportações de algodão aumentaram de maneira vertiginosa de 1790 a 1860. Em 1820, os Estados Unidos já haviam se convertido no maior produtor mundial de algodão e uns dez estados e territórios dependiam em grande medida do sistema de plantações. (Philip Jenkis. Breve história dos Estados Unidos , 2017. Adaptado) O aumento da produção de algodão nos Estados Unidos foi condicionado por alguns fatores, entre os quais

A a Revolução Industrial e o aumento da exploração da mão de obra escrava.
B a natureza da colonização inglesa e a manutenção do pacto colonial.
C a unificação do país pelo governo central e a abolição da escravidão.
D a anexação de mercados no oeste e o emprego massivo da mão de obra imigrante.
E a consolidação do capitalismo na agricultura e a adoção da pequena propriedade.

A ênfase fortemente regionalista dos inconfidentes inclinava-se, às vezes, para o nacionalismo econômico. Isto era mais explícito nos pronunciamentos do alferes Tiradentes, embora ele não estivesse isolado em tal posição. Silva elogiava a beleza de Minas e apontava seus recursos naturais. Livre, republicano, industrializado, continuava o propagandista, o Brasil não teria necessidade de importar mercadorias estrangeiras. (Kenneth R. Maxwell. A devassa da devassa: a Inconfidência Mineira, Brasil – Portugal , 1750-1808 , 1978. Adaptado) Os projetos defendidos pelos inconfidentes podem ser explicados pela conjuntura histórica de

A reafirmação da prática econômica mercantilista e de instauração na metrópole portuguesa do absolutismo monárquico.
B avanço dos movimentos socialistas de contestação social e de difusão da concepção de igualdade natural dos homens.
C consolidação das independências políticas latino-americanas e de retração das riquezas proporcionadas pelas exportações agrícolas brasileiras.
D crítica ao Antigo Regime europeu e de aumento do peso da exploração colonial com o declínio da produção aurífera.
E disputas econômicas entre metrópoles coloniais e de guerras permanentes entre economias industrializadas europeias.

Mesmo depois de inaugurado o regime republicano, nunca, talvez, fomos envolvidos, em tão breve período, por uma febre tão intensa de reformas como a que se registrou precisamente nos meados do século [XIX] e especialmente nos anos de 51 a 55. Assim é que em 1851 tinha início o movimento de constituição das sociedades anônimas; na mesma data funda-se o segundo Banco do Brasil [...]; em 1852, inaugura-se a primeira linha telegráfica na cidade do Rio de Janeiro. [...] Em 1854 abre-se ao tráfego a primeira linha de estradas de ferro do país. (Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil , 1995) Pode-se explicar essa intensificação das atividades econômicas do período pela

A política de emissão de papel-moeda concedida pelo governo às instituições financeiras estatais.
B expansão do mercado consumidor interno com a adoção progressiva do trabalho assalariado.
C disponibilidade de capitais para novos investimentos devido à abolição do tráfico internacional de escravos.
D suspensão das dívidas dos fazendeiros com os fornecedores internacionais de implementos agrícolas.
E abolição da mão de obra escrava acompanhada de indenizações estatais às empresas escravistas.

A escassez de navios capazes de atravessar o oceano estimulou as exportações de artigos manufaturados e, ao mesmo tempo, desencorajou as suas importações. Os mercados consumidores da Argentina, do Uruguai, e de outros países sul-americanos se abriram para os brasileiros ao se fecharem as fontes habituais de suprimento de tecidos. As exportações de tecidos de algodão, em meados de 1942, só eram superadas em valor, pelo café; as carnes enlatadas e congeladas vinham em terceiro lugar. (Warren Dean. A industrialização de São Paulo (1880-1945), s/d) O excerto alude

A ao isolamento internacional da economia brasileira provocado pela Grande Guerra Mundial.
B ao efeito das leis governamentais de proteção ao trabalho no mercado interno brasileiro.
C ao entrave ao desenvolvimento industrial do Brasil decorrente da concorrência de produtos estrangeiros.
D à política de desvalorização da moeda brasileira com a finalidade de encarecer as mercadorias industrializadas importadas.
E à situação da economia do Brasil em um quadro de confrontos militares entre os países industrializados.

A ascensão do fundamentalismo islâmico foi visivelmente um movimento não apenas contra a ideologia da modernização pela ocidentalização, mas contra o próprio Ocidente. Não por acaso os ativistas desses movimentos perseguem seus fins perturbando as visitas de turistas ocidentais, como no Egito [...]. Por outro lado, o grosso da xenofobia popular nos países ricos era dirigido contra estrangeiros vindos do Terceiro Mundo, e a União Europeia represou suas fronteiras contra a inundação de pobres do Terceiro Mundo em busca de trabalho. (Eric J. Hobsbawm. Era dos extremos: o breve século XX: 1914-1991 , 1995) O historiador refere-se a uma situação conflituosa da história do final do século XX, que, no início do século seguinte,

A favoreceu a união ideológica e religiosa das antigas colônias afro-asiáticas.
B foi solucionada e pacificada pelas organizações políticas supranacionais.
C produziu uma aliança defensiva e militar antiterrorista entre as nações capitalistas.
D redundou na adoção da política liberal e laica nos Estados Islâmicos da Ásia Menor.
E implicou um crescimento da violência e do nacionalismo nos países desenvolvidos.

A Bioética é um ramo da ética que estuda conflitos, controvérsias, pesquisas e práticas que visam esclarecer e resolver questões éticas dentro da biologia. Um de seus objetivos centrais é estabelecer uma ponte entre o conhecimento científico e o humanístico a fim de evitar impactos negativos da ciência e da tecnologia sobre a vida. Entre os princípios da Bioética, destacam-se o Princípio da Autonomia, segundo o qual se deve respeitar as crenças, a vontade e os valores morais dos sujeitos da pesquisa, o Princípio da Não Maleficência, que busca preservar a integridade e minimizar a dor e os danos dos envolvidos na pesquisa, e o Princípio da Proporcionalidade, o qual defende o equilíbrio entre benefícios e riscos na pesquisa. Considerando a caracterização da Bioética apresentada no texto, é correto afirmar que

A experimentos dolorosos com animais na indústria cosmética devem ser evitados de acordo com o Princípio da não Maleficência.
B pesquisas que atendem interesses econômicos da indústria farmacêutica estão de acordo com o Princípio da Proporcionalidade.
C informações pessoais de pacientes que beneficiem terceiros podem ser divulgadas de acordo com o Princípio da Autonomia.
D impactos negativos de pesquisas médicas podem ser desconsiderados conforme o Princípio da Proporcionalidade.
E benefícios da pesquisa médica justificam riscos para a integridade dos sujeitos segundo o Princípio da não Maleficência.

O Estado é uma organização política, social e jurídica que ocupa um território e cuja lei máxima é uma Constituição, quando se trata de Estado Democrático de Direito. O Governo , por sua vez, refere-se ao Poder Executivo, uma das instituições que compõem o Estado, com a função de administrá-lo pelo período para o qual foram eleitos os governantes. Já a Nação , por fim, diz respeito à identidade ou identidades sociais que compartilham costumes, características, idiomas ou culturas e possuem tradições históricas comuns. Considerando as diferenças entre os conceitos de Estado, Governo e Nação, assinale a alternativa correta.

A Os interesses de Governo podem sobrepor-se às normas constitucionais segundo os princípios do Estado Democrático de Direito.
B A Nação é constituída por indivíduos que habitam o mesmo território, independentemente de fatores históricos.
C Os princípios do Estado de Direito assegurados constitucionalmente devem ser defendidos por Governos democráticos.
D O Poder Executivo deve implementar seu programa eleitoral vitorioso, independentemente das normas constitucionais.
E Os costumes da Nação devem prevalecer sobre normas constitucionais sempre que houver conflito entre eles.

O Brasil possui uma das dez maiores diferenças salariais do mundo entre o nível operacional e o alto escalão das empresas, de acordo com um estudo da consultoria Mercer, que analisou salários em 75 países. No Brasil, um profissional com um cargo de liderança, como gerência ou diretoria de departamento, recebe quase 14 vezes o salário de um funcionário de nível operacional, como operadores de máquinas. Isso faz do Brasil o décimo país com a maior diferença entre um nível e outro. (Acessível em https://economia.uol.com.br/noticias/valor-online/2013/05/28/ brasil-tem-uma-das-maiores-diferencas-salariais-entre-a-base-e-o-topo.htm) Considerando os dados e as informações do texto, selecione a alternativa correta.

A Os dados da notícia justificam a concepção de solidariedade orgânica, sustentando a divisão do trabalho, de acordo com Émile Durkheim.
B A ditadura do proletariado defende a divisão do trabalho entre atividades operacionais e de liderança, inspirada em Karl Marx.
C As diferenças salariais entre atividades operacionais e de liderança promovem a justiça social, conforme Max Weber.
D As diferenças salariais extremas na remuneração do trabalho estão de acordo com a ética protestante, segundo Émile Durkheim.
E A divisão do trabalho entre atividades operacionais e de liderança constitui instrumento de alienação, na perspectiva de Karl Marx.
Texto associado
Leia o trecho inicial da crônica de Machado de Assis para responder à questão. [19 maio de 1888] Bons dias! Eu pertenço a uma família de profetas après coup 1 , post factum 2 , depois do gato morto, ou como melhor nome tenha em holandês. Por isso digo, juro se necessário for, que toda a história desta lei de 13 de maio estava por mim prevista, tanto que na segunda-feira, antes mesmo dos debates, tratei de alforriar um molecote que tinha, pessoa de seus dezoito anos, mais ou menos. Alforriá-lo era nada; entendi que, perdido por mil, perdido por mil e quinhentos, e dei um jantar. Levantei-me eu com a taça de champanha e declarei que, acompanhando as ideias pregadas por Cristo, há dezoito séculos, restituía a liberdade ao meu escravo Pancrácio; que entendia que a nação inteira devia acompanhar as mesmas ideias e imitar o meu exemplo; finalmente, que a liberdade era um dom de Deus que os homens não podiam roubar sem pecado. Pancrácio, que estava à espreita, entrou na sala, como um furacão, e veio abraçar-me os pés. Todos os lenços comovidos apanharam as lágrimas de admiração. Caí na cadeirae não vi mais nada. De noite, recebi muitos cartões. Creio que estão pintando o meu retrato, e suponho que a óleo. No dia seguinte, chamei o Pancrácio e disse-lhe com rara franqueza: – Tu és livre, podes ir para onde quiseres. Aqui tens casa amiga, já conhecida e tens mais um ordenado, um ordenado que... – Oh! meu senhô! fico... – Um ordenado pequeno, mas que há de crescer. Tudo cresce neste mundo: tu cresceste imensamente. Quando nasceste eras um pirralho deste tamanho; hoje estás mais alto que eu. Deixa ver; olha, és mais alto quatro dedos... – Artura não qué dizê nada, não, senhô... – Pequeno ordenado, repito, uns seis mil-réis: mas é de grão em grão que a galinha enche o seu papo. Tu vales muito mais que uma galinha. – Justamente. Pois seis mil-réis. No fim de um ano, se andares bem, conta com oito. Oito ou sete. Pancrácio aceitou tudo: aceitou até um peteleco que lhe dei no dia seguinte, por me não escovar bem as botas; efeitos da liberdade. Mas eu expliquei-lhe que o peteleco, sendo um impulso natural, não podia anular o direito civil adquirido por um título que lhe dei. Ele continuava livre, eu de mau humor; eram dois estados naturais, quase divinos. Tudo compreendeu o meu bom Pancrácio: daí para cá, tenho-lhe despedido alguns pontapés, um ou outro puxão de orelhas. E chamo-lhe besta quando lhe não chamo filho do diabo; coisas todas que ele recebe humildemente, e (Deus me perdoe!) creio que até alegre. (Machado de Assis. Bons dias . www.dominiopublico.gov.br. Adaptado) 1 après coup : [francês] pós-golpe. 2 post factum : [latim] depois do fato.

Considere os vocábulos destacados e enumerados na seguinte passagem do texto: Levantei-me eu com a taça de champanha e declarei que

( 1 ) , acompanhando as ideias pregadas por Cristo, há dezoito séculos, restituía a liberdade ao meu escravo Pancrácio; que

( 2 ) entendia que

( 3 ) a nação inteira devia acompanhar as mesmas ideias e imitar o meu exemplo; finalmente, que

( 4 ) a liberdade era um dom de Deus que

( 5 ) os homens não podiam roubar sem pecado. O vocábulo que tem função pronominal, ou seja, que retoma e substitui uma expressão substantiva no texto, é o identificado pelo número

A 1.
B 2.
C 3.
D 4.
E 5.