Texto II
O vício em smartphones prejudica profissionais e empresas
Nomofobia é a moléstia psíquica relacionada ao pavor de ser separado de seu smartphone
(...) Os smartphones surgiram no fim da década de 1990 e foram adotados em massa na década seguinte. De símbolo de status, transformaram-se rapidamente em bem de consumo obrigatório para todas as idades e estratos sociais.
Junto às fantasias prometidas pela tecnologia, vieram os efeitos colaterais. No fim de 2016, a American Academy of Pediatrics divulgou um estudo bem amplo sobre os efeitos das mídias digitais (frequentemente difundidas por meio de smartphones) sobre crianças e adolescentes.
Na longa lista de problemas, velhos conhecidos de pais e mães: efeitos negativos sobre o sono, a atenção e o aprendizado; relação preocupante com a obesidade e a depressão; exposição a conteúdos inadequados; e riscos relacionados à privacidade.
Em um ensaio de grande repercussão veiculado na revista The Atlantic em 2017, Jean M. Twenge, professora de psicologia na Universidade Estadual de San Diego, alertou sobre o risco de uma crise mental iminente afetando crianças e adolescentes. (...)
Para adultos no mundo do trabalho, os efeitos começam a ser estudados e analisados. A conectividade 24/7 (24 horas por dia, 7 dias por semana) já existia antes dos smartphones, porém foi intensificada com os novos aplicativos de troca de mensagens. A disponibilidade permanente gera ansiedade e estresse ou tecnoestresse, outra invenção da época. (...)
No trabalho, percebe-se facilmente o efeito negativo dos aparelhinhos sobre a produtividade. Faltava, entretanto, comprovação científica. O estudo, conduzido com 262 voluntários, comprova que há relação entre o vício em smartphone e a percepção de perda de produtividade.
Diversos outros estudos revelam que o uso dos smartphones rouba horas do dia de trabalho. Seus sinais visuais e sonoros constantes interrompem fluxos de raciocínio e prolongam desnecessariamente o tempo de realização de atividades.
O uso mal administrado de smartphones ajuda a criar um ambiente de emergência permanente, transforma problemas gerenciáveis em incêndios ameaçadores e faz com que todos se sintam como bombeiros sem equipamentos, frustrados e impotentes, diante de circunstâncias supostamente avassaladoras.
De forma geral, o entendimento científico sobre os efeitos colaterais dos smartphones ainda está engatinhando. Vários efeitos e fenômenos correlatos precisam ser estudados e compreendidos. (...)
Realizar mais estudos científicos é importante para contrapor à propaganda avassaladora dos fabricantes de smartphones, coligados e inocentes úteis da mídia. Não se trata de combater, tal qual luditas, a tecnologia. Os pequenos computadores pessoais constituem avanço importante. É preciso, entretanto, conhecer melhor seus efeitos colaterais e desenvolver antídotos.
Adaptado de: http://debatendo-a-educacao.blogspot.com/2017/12/. Acesso em: 08 dez. 2019.
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Texto associado
Considere os seguintes excertos:
- “De símbolo de status, transformaram-se rapidamente em bem de consumo obrigatório para todas as idades e estratos sociais”.
- “No fim de 2016, a American Academy of Pediatrics divulgou um estudo bem amplo sobre os efeitos das mídias digitais (...)”.
Sobre o uso do termo em destaque em ambos os excertos, analise as assertivas e assinale a alternativa que aponta as corretas.
I. O termo “bem” tem as mesmas funções – sintática e semântica – nos dois contextos em questão.
II. No primeiro caso, “bem” funciona como substantivo e, no segundo, como advérbio.
III. No primeiro caso, “bem” refere-se à designação para “aquilo que alguém possui” e, no segundo, intensifica o adjetivo “amplo”.
IV. No primeiro caso, “bem” tem sentido de algo que “causa alegria, sensação positiva” e, no segundo, indica uma circunstância de modo.
Texto associado
Analise os textos I e II
para responder às questões 01 a 10.
Texto I
Disponível em:
https://www.espacovital.com.br/publicacao-
36954-fake-news-o-mal-do-seculo-21. Acesso
em: 08 dez. 2019.
Texto II
Fake News: as
mentiras que viram notícias
Será que todos os que se manifestam sobre
qualquer assunto estão devidamente
preparados para utilizar devidamente os
modernos canais de comunicação?
Danillo Saes
A realidade do
mundo de hoje é ligada à
velocidade, à digitalização e,
consequentemente, à exposição em redes. Com
a inserção da tecnologia no dia a dia das
pessoas, é possível presenciar diversas
mudanças, como o fato de um indivíduo com um
perfil em uma plataforma social ser
propagador de informações e não mais apenas
receptor.
Este cenário de disseminação de ideias
–
boas ou ruins, certas ou erradas, do mesmo
ponto de vista que o seu ou não – faz parte
de um mundo moderno e democrático. Neste
contexto, a tecnologia tem sido utilizada
como ferramenta de propagação destes
posicionamentos. Ao ter o poder do clique em
mãos, as pessoas passam a ser mais ativas
diante das informações que recebem. Os meios
de comunicação mudaram as formas de divulgar
suas notícias diante deste comportamento que
os indivíduos passaram a adquirir com o
passar do tempo. Há alguns anos,
pesquisadores divulgaram artigos sobre a
influência da “segunda tela”: o notebook ou
o smartphone começavam a se infiltrar como
coadjuvantes da tela da televisão.
Telespectadores comentavam suas novelas,
criticavam o técnico do seu time de futebol
e faziam outros tipos de comentários. Hoje,
os dispositivos móveis não são mais uma
segunda tela, mas uma extensão real – e,
muitas vezes, protagonista – para receber,
digerir e disseminar as informações
recebidas.
De meros
mortais que até então era como
éramos tratados pela grande mídia, como
depósitos de informações – certas ou
erradas, boas ou ruins, favoráveis ou
contrárias –, passamos a ser também
protagonistas através do “poder” que a tela
de um dispositivo móvel nos dá. É incrível
e, ao mesmo tempo, muito preocupante. Será
que todos os que se manifestam sobre
qualquer tipo de assunto estão devidamente
preparados para isso? Será que têm bagagem
suficiente para criticar? Os ditos
“influenciadores” realmente têm o espírito
crítico necessário unido à sua
responsabilidade de “influenciar” ao
publicar seus posicionamentos? São
provocações, indagações, não
afirmações.
Quando nos
deparamos com as famosas fake
news , por sermos ativos através das
plataformas sociais, assumimos uma parcela
(grande) de responsabilidade ao disseminá-
las. Ao receber aquela notícia através do
WhatsApp, ou aquele áudio que afirmam ser de
uma determinada figura pública e, com nosso
“dedinho ansioso”, compartilhamos o conteúdo
em grupos com o intuito de dar “furos de
reportagem” que até então eram coisa apenas
de jornalistas, damos nosso aval àquela
informação.
As pessoas que
criam as fake news não estão
isentas de responsabilidades – pelo
contrário. O que desejo é provocar o leitor
a desenvolver seu senso crítico diante da
informação que se consome e, com isso, não
tomar como verdade tudo aquilo que o
impacta. O mesmo “poder” que a tecnologia
nos dá para disseminar informações também
nos proporciona a possibilidade de
investigá-las, contestá-las, analisá-las. No
entanto, investigar, contestar e analisar é
trabalhoso, exige esforço de pensamento e
queima de fosfato.
A diferença
entre as fake news serem
desmascaradas ou se transformarem em
“verdade” está no pequeno intervalo de tempo
entre o momento em que as consumimos e o
momento em que clicamos em “encaminhar”.
Danillo Saes é coordenador de Análise e
Desenvolvimento de Sistemas da EAD
Unicesumar.
Disponível em:
https://www.gazetadopovo.com.br/. Acesso em:
08 dez. 2019.
para responder às questões 01 a 10.
Texto I
Disponível em:
https://www.espacovital.com.br/publicacao-
36954-fake-news-o-mal-do-seculo-21. Acesso
em: 08 dez. 2019.
Texto II
Fake News: as
mentiras que viram notícias
Será que todos os que se manifestam sobre
qualquer assunto estão devidamente
preparados para utilizar devidamente os
modernos canais de comunicação?
Danillo Saes
A realidade do
mundo de hoje é ligada à
velocidade, à digitalização e,
consequentemente, à exposição em redes. Com
a inserção da tecnologia no dia a dia das
pessoas, é possível presenciar diversas
mudanças, como o fato de um indivíduo com um
perfil em uma plataforma social ser
propagador de informações e não mais apenas
receptor.
Este cenário de disseminação de ideias
–
boas ou ruins, certas ou erradas, do mesmo
ponto de vista que o seu ou não – faz parte
de um mundo moderno e democrático. Neste
contexto, a tecnologia tem sido utilizada
como ferramenta de propagação destes
posicionamentos. Ao ter o poder do clique em
mãos, as pessoas passam a ser mais ativas
diante das informações que recebem. Os meios
de comunicação mudaram as formas de divulgar
suas notícias diante deste comportamento que
os indivíduos passaram a adquirir com o
passar do tempo. Há alguns anos,
pesquisadores divulgaram artigos sobre a
influência da “segunda tela”: o notebook ou
o smartphone começavam a se infiltrar como
coadjuvantes da tela da televisão.
Telespectadores comentavam suas novelas,
criticavam o técnico do seu time de futebol
e faziam outros tipos de comentários. Hoje,
os dispositivos móveis não são mais uma
segunda tela, mas uma extensão real – e,
muitas vezes, protagonista – para receber,
digerir e disseminar as informações
recebidas.
De meros
mortais que até então era como
éramos tratados pela grande mídia, como
depósitos de informações – certas ou
erradas, boas ou ruins, favoráveis ou
contrárias –, passamos a ser também
protagonistas através do “poder” que a tela
de um dispositivo móvel nos dá. É incrível
e, ao mesmo tempo, muito preocupante. Será
que todos os que se manifestam sobre
qualquer tipo de assunto estão devidamente
preparados para isso? Será que têm bagagem
suficiente para criticar? Os ditos
“influenciadores” realmente têm o espírito
crítico necessário unido à sua
responsabilidade de “influenciar” ao
publicar seus posicionamentos? São
provocações, indagações, não
afirmações.
Quando nos
deparamos com as famosas fake
news , por sermos ativos através das
plataformas sociais, assumimos uma parcela
(grande) de responsabilidade ao disseminá-
las. Ao receber aquela notícia através do
WhatsApp, ou aquele áudio que afirmam ser de
uma determinada figura pública e, com nosso
“dedinho ansioso”, compartilhamos o conteúdo
em grupos com o intuito de dar “furos de
reportagem” que até então eram coisa apenas
de jornalistas, damos nosso aval àquela
informação.
As pessoas que
criam as fake news não estão
isentas de responsabilidades – pelo
contrário. O que desejo é provocar o leitor
a desenvolver seu senso crítico diante da
informação que se consome e, com isso, não
tomar como verdade tudo aquilo que o
impacta. O mesmo “poder” que a tecnologia
nos dá para disseminar informações também
nos proporciona a possibilidade de
investigá-las, contestá-las, analisá-las. No
entanto, investigar, contestar e analisar é
trabalhoso, exige esforço de pensamento e
queima de fosfato.
A diferença
entre as fake news serem
desmascaradas ou se transformarem em
“verdade” está no pequeno intervalo de tempo
entre o momento em que as consumimos e o
momento em que clicamos em “encaminhar”.
Danillo Saes é coordenador de Análise e
Desenvolvimento de Sistemas da EAD
Unicesumar.
Disponível em:
https://www.gazetadopovo.com.br/. Acesso em:
08 dez. 2019.