Texto II
Quando eu for bem velhinho — continuação 1
Era um menino quando meu coração gravou
essa música. Hoje, neste carnaval que acabou de
passar pela minha calçada, eu, velhinho, apenas vi
o bloco passar. Algo me diz que cada um de nós
5 pertence a muitos blocos. Uns nos são impostos;
outros, como os de carnaval, são escolhidos. Dir-
se-ia que os blocos impostos são opressivos e
obrigatórios — como a casa, os irmãos, a escola e
até mesmo o país, a etnia e o gênero; ao passo que
10 os escolhidos, como o bloco de carnaval figurado
nesta música, são marcados por liberdade. Há
uma verdade nisso, mas há também a ilusão que
o carnaval brasileiro representa muito bem. É que
15 o escolhido e o obrigatório também se confundem,
pois muito do que é “escolhido” é determinado por um
“obrigatório” vivido com mais ou menos intensidade.
Há quem transforme escolha em obrigação e quem
faça o justo oposto, diz o meu lado cinzento como
esta quarta-feira, outrora santificada — hoje parte
de um longo e fantasioso feriado.
DAMATTA, R. O Globo, Rio de Janeiro, 10 fev. 2016. Primeiro Caderno, p. 13. Adaptado.
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Uma servidora pública foi reintegrada por decisão administrativa.
Texto associado
O autor do Texto II, ao dizer que “cada um de nós pertence a muitos blocos” ( ℓ . 4-5), está-se referindo
Texto associado
Considere o croqui de parte de uma instalação elétrica predial e os dados a seguir para responder às questões de n os 31 e 32.
Dados:
• Ponto I: um interruptor de duas seções, sendo uma three-way e uma simples;
• Ponto II: um interruptor three-way ;
• “a” e “b” são pontos de luz;
• Tensão monofásica;
• Não considerar o terra;
• O ponto de luz “a” é acionado pelos pontos I e II.
Dados:
• Ponto I: um interruptor de duas seções, sendo uma three-way e uma simples;
• Ponto II: um interruptor three-way ;
• “a” e “b” são pontos de luz;
• Tensão monofásica;
• Não considerar o terra;
• O ponto de luz “a” é acionado pelos pontos I e II.
Completando o diagrama unifilar, a quantidade de condutores que passa no trecho compreendido entre o ponto de luz “b” e o ponto II é
A encefalopatia crônica da infância (ECI) ou paralisia cerebral pode ser caracterizada como uma desordem não progressiva, com comprometimento principalmente da postura e do movimento, além de deficit sensorial a partir de uma lesão precoce do sistema nervoso central. O sistema respiratório, secundariamente, também sofre prejuízos e pode levar a criança com ECI a internações hospitalares sucessivas. Considere as características do sistema respiratório da criança com quadriplegia espástica.
I - aumento da capacidade de realizar suspiros, o que auxilia na movimentação das secreções facilitando a expectoração.
II - padrão superficial de respiração que pode ocasionar hipoventilação alveolar, atelectasias e hipoxemia.
III - padrão restritivo pulmonar, com piora progressiva das trocas gasosas alveolares nos casos de mau posicionamento da criança por períodos prolongados.
IV - alteração da frequência respiratória, hipercapnia e encurtamento do diafragma, visto que é pouco solicitado na sua amplitude de movimento ideal.
São características do sistema respiratório da criança com quadriplegia espástica APENAS as apresentadas em
Texto associado
O suor e a lágrima
Fazia calor no Rio, 40 graus e qualquer coisa,
quase 41. No dia seguinte, os jornais diriam que fora
o mais quente deste verão que inaugura o século e
o milênio. Cheguei ao Santos Dumont, o vôo estava
5 atrasado, decidi engraxar os sapatos. Pelo menos
aqui no Rio, são raros esses engraxates, só existem
nos aeroportos e em poucos lugares avulsos.
Sentei-me naquela espécie de cadeira canônica,
de coro de abadia pobre, que também pode parecer
10 o trono de um rei desolado de um reino desolante.
O engraxate era gordo e estava com calor — o
que me pareceu óbvio. Elogiou meus sapatos, cromo
italiano, fabricante ilustre, os Rosseti. Uso-o pouco,
em parte para poupá-lo, em parte porque quando
15 posso estou sempre de tênis.
Ofereceu-me o jornal que eu já havia lido e co-
meçou seu ofício. Meio careca, o suor encharcou-lhe
a testa e a calva. Pegou aquele paninho que dá brilho
final nos sapatos e com ele enxugou o próprio suor,
20 que era abundante.
Com o mesmo pano, executou com maestria
aqueles movimentos rápidos em torno da biqueira,
mas a todo instante o usava para enxugar-se — caso
contrário, o suor inundaria o meu cromo italiano.
25 E foi assim que a testa e a calva do valente filho
do povo ficaram manchadas de graxa e o meu sapato
adquiriu um brilho de espelho à custa do suor alheio.
Nunca tive sapatos tão brilhantes, tão dignamente
suados.
30 Na hora de pagar, alegando não ter nota menor,
deixei-lhe um troco generoso. Ele me olhou espanta-
do, retribuiu a gorjeta me desejando em dobro tudo o
que eu viesse a precisar nos restos dos meus dias.
Saí daquela cadeira com um baita sentimento
35 de culpa. Que diabo, meus sapatos não estavam tão
sujos assim, por míseros tostões, fizera um filho do
povo suar para ganhar seu pão. Olhei meus sapa-
tos e tive vergonha daquele brilho humano, salgado
como lágrima.
CONY, C. H. In: NESTROVSKI, A. (Org.). Figuras do Brasil –
80 autores em 80 anos de Folha. São Paulo: Publifolha. 2001.
p. 319.
Fazia calor no Rio, 40 graus e qualquer coisa,
quase 41. No dia seguinte, os jornais diriam que fora
o mais quente deste verão que inaugura o século e
o milênio. Cheguei ao Santos Dumont, o vôo estava
5 atrasado, decidi engraxar os sapatos. Pelo menos
aqui no Rio, são raros esses engraxates, só existem
nos aeroportos e em poucos lugares avulsos.
Sentei-me naquela espécie de cadeira canônica,
de coro de abadia pobre, que também pode parecer
10 o trono de um rei desolado de um reino desolante.
O engraxate era gordo e estava com calor — o
que me pareceu óbvio. Elogiou meus sapatos, cromo
italiano, fabricante ilustre, os Rosseti. Uso-o pouco,
em parte para poupá-lo, em parte porque quando
15 posso estou sempre de tênis.
Ofereceu-me o jornal que eu já havia lido e co-
meçou seu ofício. Meio careca, o suor encharcou-lhe
a testa e a calva. Pegou aquele paninho que dá brilho
final nos sapatos e com ele enxugou o próprio suor,
20 que era abundante.
Com o mesmo pano, executou com maestria
aqueles movimentos rápidos em torno da biqueira,
mas a todo instante o usava para enxugar-se — caso
contrário, o suor inundaria o meu cromo italiano.
25 E foi assim que a testa e a calva do valente filho
do povo ficaram manchadas de graxa e o meu sapato
adquiriu um brilho de espelho à custa do suor alheio.
Nunca tive sapatos tão brilhantes, tão dignamente
suados.
30 Na hora de pagar, alegando não ter nota menor,
deixei-lhe um troco generoso. Ele me olhou espanta-
do, retribuiu a gorjeta me desejando em dobro tudo o
que eu viesse a precisar nos restos dos meus dias.
Saí daquela cadeira com um baita sentimento
35 de culpa. Que diabo, meus sapatos não estavam tão
sujos assim, por míseros tostões, fizera um filho do
povo suar para ganhar seu pão. Olhei meus sapa-
tos e tive vergonha daquele brilho humano, salgado
como lágrima.
CONY, C. H. In: NESTROVSKI, A. (Org.). Figuras do Brasil –
80 autores em 80 anos de Folha. São Paulo: Publifolha. 2001.
p. 319.
A palavra em negrito em “Pelo menos aqui no Rio, são raros esses engraxates, só existem nos aeroportos e em poucos lugares avulsos .” ( ℓ . 5-7) pode ser substituída, no texto, sem alteração de sentido por
Texto associado
Considere as Tabelas a seguir para responder às questões de nos 52, 53, 54, 55 e 56.
Essas Tabelas fazem parte do esquema de um banco de dados usado por uma associação de criadores de cães para organizar informações sobre os torneios que ela promove.
Observações:
• A Tabela CAO contém os dados dos cães inscritos na referida associação. A coluna NOME_PAI indica o nome do pai de um cão, a coluna RACA indica a raça do mesmo, e a coluna NOME_PROPR indica o nome do seu proprietário. As demais colunas são autoexplicativas.
• A Tabela COMPETICAO contém informações sobre as competições patrocinadas pela associação. Suas colunas são autoexplicativas.
• A Tabela PARTICIPACAO informa as competições das quais participaram os cães registrados na associação. Cada linha dessa tabela indica a colocação obtida por um cão em uma determinada competição. Suas colunas são autoexplicativas.
• A Tabela ARBITRO contém os dados dos árbitros que julgam os cães que participam de competições. Suas colunas são autoexplicativas.
• Cada linha da Tabela AVALIACAO representa a nota atribuída a um cão, por um determinado árbitro em uma determinada competição. Suas colunas são autoexplicativas.
Essas Tabelas fazem parte do esquema de um banco de dados usado por uma associação de criadores de cães para organizar informações sobre os torneios que ela promove.
Observações:
• A Tabela CAO contém os dados dos cães inscritos na referida associação. A coluna NOME_PAI indica o nome do pai de um cão, a coluna RACA indica a raça do mesmo, e a coluna NOME_PROPR indica o nome do seu proprietário. As demais colunas são autoexplicativas.
• A Tabela COMPETICAO contém informações sobre as competições patrocinadas pela associação. Suas colunas são autoexplicativas.
• A Tabela PARTICIPACAO informa as competições das quais participaram os cães registrados na associação. Cada linha dessa tabela indica a colocação obtida por um cão em uma determinada competição. Suas colunas são autoexplicativas.
• A Tabela ARBITRO contém os dados dos árbitros que julgam os cães que participam de competições. Suas colunas são autoexplicativas.
• Cada linha da Tabela AVALIACAO representa a nota atribuída a um cão, por um determinado árbitro em uma determinada competição. Suas colunas são autoexplicativas.
As Figuras a seguir exibem os dados presentes, em determinado instante, nas Tabelas CAO, COMPETICAO e PARTICIPACAO.
TABELA CAO
COD
NOME
RACA
NOME_PAI
NOME_PROPR
1111
GINGER
SETTER
LUANA ALBUQUERQUE
3333
BIBA
POINTER
RALPH
JOAO MARTINS
6666
BETINA
SETTER
BETINO
TELMA AGUIAR
4444
QUIM
PASTOR ALEMAO
MARIA IDALINA
5555
TAINA
PASTOR ALEMAO
PEDRO ALMEIDA
7777
JANIS
COCKER
TED
ANA PAULA PINTO
2222
JUDY
POINTER
JOSE MARTINS
8888
VIVI
SHITZU
FERNANDA MATHIAS
TABELA COMPETICAO
COD
DESCR
2222
TERESÓPOLIS OPEN
3333
TORNEIO DE FRIBURGO
1111
ABERTO DO RIO
TABELA PARTICIPACAO
COD_CAO
COD_COMP
COLOCACAO
4444
1111
4
8888
2222
1
3333
2222
2
2222
2222
3
1111
1111
1
2222
1111
2
3333
1111
3
5555
1111
5
1111
2222
5
4444
2222
3
Qual comando irá inserir uma nova linha no banco de dados em questão?
A dor, em maior ou menor grau, está presente frequentemente nas doenças. Muitas das dores podem ser eliminadas com remédios, mas muitas outras resistem à mais potente das medicações. A Sociedade Internacional de Estudos sobre a Dor propõe que a dor seja vista como uma experiência sensorial e emocional desagradável, vivida de forma subjetiva, ressaltando que cada indivíduo utiliza este termo por meio de suas próprias experiências traumáticas. Desse modo, cada dor é a dor de uma pessoa. Nesse contexto, considere o caso descrito abaixo.
Um homem, 67 anos, diagnosticado com câncer, passou a ter dores muito fortes. Diante disso, ele conseguiu atenção e amparo de sua família, antes muito afastada. Os médicos receitaram analgésicos, porém ele não os tomava, justificando problemas no estômago. Na verdade, ele temia perder o acolhimento recém-conquistado de seus familiares.
Nesse caso, a equipe de psicologia deve atuar com a compreensão de que as dores do paciente
Em relação à actinomicose, considere as seguintes afirmativas:
I - A actinomicose é causada por um fungo, o actnomyces .
II - A actinomicose é causada por uma bactéria anaeróbica gram negativa.
III - A actinomicose é uma doença crônica com frequente envolvimento do aparelho respiratório.
É correta a afirmativa
Texto associado
O suor e a lágrima
Fazia calor no Rio, 40 graus e qualquer coisa,
quase 41. No dia seguinte, os jornais diriam que fora
o mais quente deste verão que inaugura o século e
o milênio. Cheguei ao Santos Dumont, o vôo estava
5 atrasado, decidi engraxar os sapatos. Pelo menos
aqui no Rio, são raros esses engraxates, só existem
nos aeroportos e em poucos lugares avulsos.
Sentei-me naquela espécie de cadeira canônica,
de coro de abadia pobre, que também pode parecer
10 o trono de um rei desolado de um reino desolante.
O engraxate era gordo e estava com calor — o
que me pareceu óbvio. Elogiou meus sapatos, cromo
italiano, fabricante ilustre, os Rosseti. Uso-o pouco,
em parte para poupá-lo, em parte porque quando
15 posso estou sempre de tênis.
Ofereceu-me o jornal que eu já havia lido e co-
meçou seu ofício. Meio careca, o suor encharcou-lhe
a testa e a calva. Pegou aquele paninho que dá brilho
final nos sapatos e com ele enxugou o próprio suor,
20 que era abundante.
Com o mesmo pano, executou com maestria
aqueles movimentos rápidos em torno da biqueira,
mas a todo instante o usava para enxugar-se — caso
contrário, o suor inundaria o meu cromo italiano.
25 E foi assim que a testa e a calva do valente filho
do povo ficaram manchadas de graxa e o meu sapato
adquiriu um brilho de espelho à custa do suor alheio.
Nunca tive sapatos tão brilhantes, tão dignamente
suados.
30 Na hora de pagar, alegando não ter nota menor,
deixei-lhe um troco generoso. Ele me olhou espanta-
do, retribuiu a gorjeta me desejando em dobro tudo o
que eu viesse a precisar nos restos dos meus dias.
Saí daquela cadeira com um baita sentimento
35 de culpa. Que diabo, meus sapatos não estavam tão
sujos assim, por míseros tostões, fizera um filho do
povo suar para ganhar seu pão. Olhei meus sapa-
tos e tive vergonha daquele brilho humano, salgado
como lágrima.
CONY, C. H. In: NESTROVSKI, A. (Org.). Figuras do Brasil –
80 autores em 80 anos de Folha. São Paulo: Publifolha. 2001.
p. 319.
Fazia calor no Rio, 40 graus e qualquer coisa,
quase 41. No dia seguinte, os jornais diriam que fora
o mais quente deste verão que inaugura o século e
o milênio. Cheguei ao Santos Dumont, o vôo estava
5 atrasado, decidi engraxar os sapatos. Pelo menos
aqui no Rio, são raros esses engraxates, só existem
nos aeroportos e em poucos lugares avulsos.
Sentei-me naquela espécie de cadeira canônica,
de coro de abadia pobre, que também pode parecer
10 o trono de um rei desolado de um reino desolante.
O engraxate era gordo e estava com calor — o
que me pareceu óbvio. Elogiou meus sapatos, cromo
italiano, fabricante ilustre, os Rosseti. Uso-o pouco,
em parte para poupá-lo, em parte porque quando
15 posso estou sempre de tênis.
Ofereceu-me o jornal que eu já havia lido e co-
meçou seu ofício. Meio careca, o suor encharcou-lhe
a testa e a calva. Pegou aquele paninho que dá brilho
final nos sapatos e com ele enxugou o próprio suor,
20 que era abundante.
Com o mesmo pano, executou com maestria
aqueles movimentos rápidos em torno da biqueira,
mas a todo instante o usava para enxugar-se — caso
contrário, o suor inundaria o meu cromo italiano.
25 E foi assim que a testa e a calva do valente filho
do povo ficaram manchadas de graxa e o meu sapato
adquiriu um brilho de espelho à custa do suor alheio.
Nunca tive sapatos tão brilhantes, tão dignamente
suados.
30 Na hora de pagar, alegando não ter nota menor,
deixei-lhe um troco generoso. Ele me olhou espanta-
do, retribuiu a gorjeta me desejando em dobro tudo o
que eu viesse a precisar nos restos dos meus dias.
Saí daquela cadeira com um baita sentimento
35 de culpa. Que diabo, meus sapatos não estavam tão
sujos assim, por míseros tostões, fizera um filho do
povo suar para ganhar seu pão. Olhei meus sapa-
tos e tive vergonha daquele brilho humano, salgado
como lágrima.
CONY, C. H. In: NESTROVSKI, A. (Org.). Figuras do Brasil –
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p. 319.