Nos países desenvolvidos, as práticas sociais de leitura e de escrita assumiram a natureza de problema relevante no contexto da constatação de que a população, embora alfabetizada, não dominava as habilidades de leitura e de escrita necessárias para uma participação efetiva e competente nas práticas sociais e profissionais que envolvem a língua escrita. Assim, na França e nos Estados Unidos da América (EUA), para limitar a análise a esses dois países, os problemas de illettrisme e de literacy/illiteracy surgiram de forma independente da questão da aprendizagem básica da escrita.
Na França, o illettrisme surgiu para caracterizar jovens e adultos do chamado Quarto Mundo (expressão que designa a parte da população, nos países desenvolvidos, mais desfavorecida) que revelavam precário domínio das competências de leitura e de escrita, o que dificultava sua inserção no mundo social e no mundo do trabalho. Partindo do fato de que toda a população domina o sistema de escrita, porque passou pela escolarização básica, as discussões sobre o illettrisme se fazem sem relação com a questão do apprendre à lire et à écrire (a alfabetização escolar) e com a questão da alphabétisation (termo em geral reservado às ações desenvolvidas junto aos trabalhadores imigrantes, analfabetos na língua francesa).
O mesmo ocorreu nos EUA, onde o foco em problemas de literacy/illiteracy emergiu, no início dos anos 80 do século passado, como resultado da constatação de que jovens graduados na high school não dominavam as habilidades de leitura demandadas em práticas sociais e profissionais que envolvem a escrita. Também nesse caso, as discussões, os relatórios, as publicações apontaram que o problema não estava na illiteracy (no não saber ler e escrever), mas na literacy (no não domínio de competências de uso da leitura e da escrita).
O que se quer aqui destacar é que, tanto na França quanto nos EUA, os dois problemas — o domínio precário de competências de leitura e de escrita necessárias para a participação em práticas sociais letradas e as dificuldades no processo de aprendizagem do sistema de escrita, ou da tecnologia da escrita — são tratados de forma independente, o que revela o reconhecimento de suas especificidades e uma relação de não causalidade entre eles.
Magda Soares. Letramento e alfabetização: as muitas facetas.
Internet: www.scielo.br (com adaptações).
Com base na estrutura e no vocabulário do texto precedente, julgue os itens que se seguem.
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Texto associado
Com base no Estatuto da Criança e do Adolescente e na Lei Brasileira de Inclusão, julgue os próximos itens.
O cordão de fita com desenhos de girassóis, símbolo nacional de identificação de pessoas com deficiências ocultas, de uso opcional, substitui o documento comprobatório da deficiência em todas as instâncias.
Texto associado
Texto 11A2
Se a origem da linguagem é atravessada por grandes mistérios e ainda está longe de uma convincente abordagem científica (se é que ela será possível um dia, considerando-se a inexistência absoluta de dados), as coisas não são mais fáceis na abordagem de outras faces da linguagem verbal.
Uma observação fria da realidade deixa claro quão difícil é analisar cientificamente qualquer uma das muitas manifestações históricas da linguagem verbal — as diferentes línguas das sociedades humanas. Os linguistas, que são os estudiosos que se dedicam profissionalmente a essa tarefa, sabem disso muito bem porque se deparam continuamente com as inesgotáveis complexidades estruturais e funcionais das línguas.
Para se ter uma ideia dessa complexidade, basta lembrar que qualquer língua é uma realidade estrutural infinita. O número de sons da fala de que se serve uma língua é finito (em torno de três dezenas). O número de suas palavras (ainda que imenso) é finito (calcula-se que uma língua como o português tenha algo em torno de meio milhão de palavras). O número de regras com as quais organizamos os enunciados é também finito (embora não tenhamos ainda ideia clara de sua quantidade).
Apesar disso tudo, o número de enunciados possíveis em uma língua qualquer é infinito, ou seja, a língua é uma organização tal que nos permite fazer uso infinito de meios finitos.
Diante desse quadro, poderíamos supor que, sendo finitos os meios estruturais, bastaria que eles fossem descritos para alcançarmos uma apresentação científica completa de uma língua. No entanto, as coisas não são tão simples assim. Primeiro, porque a língua não se esgota em sua estrutura. Para analisá-la adequadamente, temos de considerar também seu funcionamento social.
Segundo, porque nenhuma língua é uma estrutura homogênea e uniforme. Qualquer língua se multiplica a tal ponto em inúmeras variedades, que muitos chegam a dizer que atrás de um nome — português, por exemplo — se escondem, de fato, muitas “línguas”. Qualquer língua é sempre, portanto, uma realidade plural e heterogênea.
Carlos Alberto Faraco. Linguagem escrita e alfabetização . São Paulo: Contexto, 2012 (com adaptações).
Se a origem da linguagem é atravessada por grandes mistérios e ainda está longe de uma convincente abordagem científica (se é que ela será possível um dia, considerando-se a inexistência absoluta de dados), as coisas não são mais fáceis na abordagem de outras faces da linguagem verbal.
Uma observação fria da realidade deixa claro quão difícil é analisar cientificamente qualquer uma das muitas manifestações históricas da linguagem verbal — as diferentes línguas das sociedades humanas. Os linguistas, que são os estudiosos que se dedicam profissionalmente a essa tarefa, sabem disso muito bem porque se deparam continuamente com as inesgotáveis complexidades estruturais e funcionais das línguas.
Para se ter uma ideia dessa complexidade, basta lembrar que qualquer língua é uma realidade estrutural infinita. O número de sons da fala de que se serve uma língua é finito (em torno de três dezenas). O número de suas palavras (ainda que imenso) é finito (calcula-se que uma língua como o português tenha algo em torno de meio milhão de palavras). O número de regras com as quais organizamos os enunciados é também finito (embora não tenhamos ainda ideia clara de sua quantidade).
Apesar disso tudo, o número de enunciados possíveis em uma língua qualquer é infinito, ou seja, a língua é uma organização tal que nos permite fazer uso infinito de meios finitos.
Diante desse quadro, poderíamos supor que, sendo finitos os meios estruturais, bastaria que eles fossem descritos para alcançarmos uma apresentação científica completa de uma língua. No entanto, as coisas não são tão simples assim. Primeiro, porque a língua não se esgota em sua estrutura. Para analisá-la adequadamente, temos de considerar também seu funcionamento social.
Segundo, porque nenhuma língua é uma estrutura homogênea e uniforme. Qualquer língua se multiplica a tal ponto em inúmeras variedades, que muitos chegam a dizer que atrás de um nome — português, por exemplo — se escondem, de fato, muitas “línguas”. Qualquer língua é sempre, portanto, uma realidade plural e heterogênea.
Carlos Alberto Faraco. Linguagem escrita e alfabetização . São Paulo: Contexto, 2012 (com adaptações).
Assinale a opção que apresenta uma palavra empregada em sentido conotativo no texto 11A2.
A respeito da Educação de Jovens e
Adultos, segundo o que dispõe a Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional,
assinale a alternativa INCORRETA.
Texto associado
TEXTO 1
Fonte: https://jornalggn.com.br/sites/default/files/admin/armandinho-saudade.png. Acesso em: 30 abr. 2019.
Fonte: https://jornalggn.com.br/sites/default/files/admin/armandinho-saudade.png. Acesso em: 30 abr. 2019.
Sobre figuras de linguagem, informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma a seguir
e assinale a alternativa com a sequência correta.
( ) Em “Doía quase que nem saudade!”, há um exemplo de símile.
( ) Em “[...] ele passava mercúrio no machucado!”, há um exemplo de catacrese.
( ) Em “Ele disse que mertiolate ardia muito”, há um exemplo de metonímia.
( ) Em “Quando o pai era pequeno [...]”, há exemplo de antonomásia.
Texto associado
TEXTO 2
Como incentivar o gosto pela leitura,
transformando-a em um hábito e não em uma
obrigação?
Fazer a criança e o jovem tomar gosto pela
leitura é um dos desafios dos educadores e pais
do século XXI. Na escola, o trabalho com a leitura
se inicia na Educação Infantil como forma de
despertar o interesse das crianças pelos livros
e estimular a imaginação. Esse processo tem
continuidade nas séries subsequentes com foco
na amplitude dos conhecimentos e no senso
crítico.
Segundo a autora Délia Lerner, em seu livro
“Ler e escrever na escola: o real, o possível e
o necessário”, um dos maiores desafios das
instituições escolares é desenvolver praticantes
da leitura e da escrita e não apenas sujeitos que
possam decifrar o sistema de escrita. Para a
autora, é fundamental que a escola forme leitores
críticos, capazes de ler entrelinhas e assumir
uma posição própria frente à mantida, explícita ou
implicitamente, pelos autores dos textos com os
quais interagem.
Fonte: Adaptado de: http://www.marupiara.com.br/como-incentivar-ogosto-
pela-leitura-transformando-a-em-um-habito-e-nao-em-uma-obrigacao/.
Acesso em: 22 abr. 2019.
Como incentivar o gosto pela leitura,
transformando-a em um hábito e não em uma
obrigação?
Fazer a criança e o jovem tomar gosto pela
leitura é um dos desafios dos educadores e pais
do século XXI. Na escola, o trabalho com a leitura
se inicia na Educação Infantil como forma de
despertar o interesse das crianças pelos livros
e estimular a imaginação. Esse processo tem
continuidade nas séries subsequentes com foco
na amplitude dos conhecimentos e no senso
crítico.
Segundo a autora Délia Lerner, em seu livro
“Ler e escrever na escola: o real, o possível e
o necessário”, um dos maiores desafios das
instituições escolares é desenvolver praticantes
da leitura e da escrita e não apenas sujeitos que
possam decifrar o sistema de escrita. Para a
autora, é fundamental que a escola forme leitores
críticos, capazes de ler entrelinhas e assumir
uma posição própria frente à mantida, explícita ou
implicitamente, pelos autores dos textos com os
quais interagem.
Fonte: Adaptado de: http://www.marupiara.com.br/como-incentivar-ogosto-
pela-leitura-transformando-a-em-um-habito-e-nao-em-uma-obrigacao/.
Acesso em: 22 abr. 2019.
Considere a frase “Fazer a criança e
o jovem tomar gosto pela leitura é um
dos desafios dos educadores e pais do
século XXI.”, do Texto 2, e assinale a
alternativa que apresenta a classificação
sintática correta do termo “a criança e o
jovem” em relação ao verbo “fazer”.
Texto associado
TEXTO 5
Sacolas biodegradáveis levam anos para se
decompor na natureza
Quando mercados começaram a trocar as
sacolinhas plásticas descartáveis por opções
feitas de materiais que se degradam no meio
ambiente, muitos comemoraram. [...] Mas um
novo estudo mostra que, por mais benéficas que
pareçam, as substitutas que se dizem ecológicas
não são, de fato, sustentáveis. Pesquisadores
da Universidade de Plymouth, no Reino Unido,
submeteram os tipos mais comuns de saquinhos
biodegradáveis, encontrados por lá em qualquer
esquina, a testes rigorosos de resistência. E
a conclusão foi preocupante — elas resistem
mais do que deveriam. [...] “Eu fiquei realmente
impressionada que, depois de três anos, as sacolas
ainda pudessem aguentar um monte de compras,
principalmente por serem biodegradáveis”, diz
Imogen Napper, principal autora do estudo.
[...]
O experimento consistiu em averiguar como
cada categoria de bioplástico se comportava
quando “descartada” ao ar livre, enterrada no
solo ou submersa na água do oceano. Além da
perda da área de superfície e da desintegração
ao longo do tempo, os pesquisadores britânicos
também avaliaram resistência, textura e estrutura
química. Só ao ar livre as sacolas tiveram um
fim satisfatório, fragmentando-se em apenas
nove meses. Já na terra e na água, o resultado
foi péssimo. Oxobiodegradáveis, biodegradáveis
e as sacolinhas convencionais permaneceram
inteiras depois de passarem três anos enterradas
e submersas. De tão intactas, ainda aguentavam
compras de supermercado. Só as compostáveis
se salvaram: desapareceram do ambiente
aquático em três meses e se quebraram um
pouco na terra, onde ainda assim os fragmentos
perduraram por 27 meses.
[...]
Ou seja, não adianta cobrar alguns centavos
pela sacolinha de plástico para desestimular seu
uso, como o Reino Unido e até o Brasil têm feito. É
preciso oferecer também opções verdadeiramente
sustentáveis ao consumidor, para que ele possa
comprar com a consciência limpa se, por algum
motivo, estiver sem sua sacola reutilizável.
Fonte: Adaptado de: https://super.abril.com.br/sociedade/sacolas-biodegradaveis-
levam-anos-para-se-decompor-na-natureza/. Acesso em:
30 abr. 2019.
Sacolas biodegradáveis levam anos para se
decompor na natureza
Quando mercados começaram a trocar as
sacolinhas plásticas descartáveis por opções
feitas de materiais que se degradam no meio
ambiente, muitos comemoraram. [...] Mas um
novo estudo mostra que, por mais benéficas que
pareçam, as substitutas que se dizem ecológicas
não são, de fato, sustentáveis. Pesquisadores
da Universidade de Plymouth, no Reino Unido,
submeteram os tipos mais comuns de saquinhos
biodegradáveis, encontrados por lá em qualquer
esquina, a testes rigorosos de resistência. E
a conclusão foi preocupante — elas resistem
mais do que deveriam. [...] “Eu fiquei realmente
impressionada que, depois de três anos, as sacolas
ainda pudessem aguentar um monte de compras,
principalmente por serem biodegradáveis”, diz
Imogen Napper, principal autora do estudo.
[...]
O experimento consistiu em averiguar como
cada categoria de bioplástico se comportava
quando “descartada” ao ar livre, enterrada no
solo ou submersa na água do oceano. Além da
perda da área de superfície e da desintegração
ao longo do tempo, os pesquisadores britânicos
também avaliaram resistência, textura e estrutura
química. Só ao ar livre as sacolas tiveram um
fim satisfatório, fragmentando-se em apenas
nove meses. Já na terra e na água, o resultado
foi péssimo. Oxobiodegradáveis, biodegradáveis
e as sacolinhas convencionais permaneceram
inteiras depois de passarem três anos enterradas
e submersas. De tão intactas, ainda aguentavam
compras de supermercado. Só as compostáveis
se salvaram: desapareceram do ambiente
aquático em três meses e se quebraram um
pouco na terra, onde ainda assim os fragmentos
perduraram por 27 meses.
[...]
Ou seja, não adianta cobrar alguns centavos
pela sacolinha de plástico para desestimular seu
uso, como o Reino Unido e até o Brasil têm feito. É
preciso oferecer também opções verdadeiramente
sustentáveis ao consumidor, para que ele possa
comprar com a consciência limpa se, por algum
motivo, estiver sem sua sacola reutilizável.
Fonte: Adaptado de: https://super.abril.com.br/sociedade/sacolas-biodegradaveis-
levam-anos-para-se-decompor-na-natureza/. Acesso em:
30 abr. 2019.