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Texto associado
Texto I

“Quando eu for bem velhinho /

Bem velhinho, que [precise] usar um bastão /
Eu hei de ter um netinho, ah... / Pra me levar pela
mão / No carnaval, eu não fico em casa / Eu não
5 fico, eu vou brincar! / Nem que eu vá me sentar na
calçada / Pra ver meu bloco passar...”
Lupicínio Rodrigues — autor de elaboradas
e densas canções de amor — surpreende escre-
vendo, em 1936, ano em que nasci, essa singela e
10 comovente marchinha carnavalesca. Uma raridade
que constrói e, ao mesmo tempo, define um carna-
val. O carnaval como um ritual — como um encon-
tro necessário, como as festas religiosas e algumas
cerimônias cívicas — e não como uma brincadeira
15 da qual se escolhe, livre e individualmente, parti-
cipar. O carnaval faz parte do calendário religioso
católico romano que, mesmo no Brasil republicano,
burguês e pós-moderno, continua a ser observa-
do. Hoje, ao lado da Semana Santa e da Semana
20 da Pátria, ele talvez seja mais um feriado festivo
do que uma ocasião que coage o nosso comporta-
mento, obrigando à participação, como deixa claro
a marchinha de Lupicínio.
Ouvi a música pelo piano de mamãe quando
25 era um menino: supunha-me o netinho que levava o avô
pela mão até o seu bloco de carnaval. Hoje, sendo
um avô feliz e orgulhoso de cinco lindas moças e
três belos rapazes, tenho nada mais nada menos
do que 16 mãos dispostas a, amorosamente, me
30 conduzirem ao meu bloco que passa todo ano pela
minha calçada.
Leitor querido: se você tiver alguma recorda-
ção dessa música, ouça-a. Se você não souber
manipular algum aparelho eletrônico, seu netinho
35 o ajuda. E ouvindo a simplicidade dessa tocante
canção, você vai ler esta crônica como eu a escre-
vo: com os olhos molhados dos antigos carnavais.

DAMATTA, R. O Globo, Rio de Janeiro, 10 fev. 2016. Primeiro Caderno, p. 13. Adaptado.

No final do segundo parágrafo do Texto I, o autor usa o verbo coagir (“uma ocasião que coage o nosso comportamento, obrigando à participação” — ( ℓ . 21-22), que pode ser substituído, sem alterar o sentido original, pelo seguinte verbo:

A exime
B alvoroça
C desobstrui
D força
E desampara
Texto associado
O suor e a lágrima
Fazia calor no Rio, 40 graus e qualquer coisa,
quase 41. No dia seguinte, os jornais diriam que fora
o mais quente deste verão que inaugura o século e
o milênio. Cheguei ao Santos Dumont, o vôo estava
5 atrasado, decidi engraxar os sapatos. Pelo menos
aqui no Rio, são raros esses engraxates, só existem
nos aeroportos e em poucos lugares avulsos.
Sentei-me naquela espécie de cadeira canônica,
de coro de abadia pobre, que também pode parecer
10 o trono de um rei desolado de um reino desolante.
O engraxate era gordo e estava com calor — o
que me pareceu óbvio. Elogiou meus sapatos, cromo
italiano, fabricante ilustre, os Rosseti. Uso-o pouco,
em parte para poupá-lo, em parte porque quando
15 posso estou sempre de tênis.
Ofereceu-me o jornal que eu já havia lido e co-
meçou seu ofício. Meio careca, o suor encharcou-lhe
a testa e a calva. Pegou aquele paninho que dá brilho
final nos sapatos e com ele enxugou o próprio suor,
20 que era abundante.
Com o mesmo pano, executou com maestria
aqueles movimentos rápidos em torno da biqueira,
mas a todo instante o usava para enxugar-se — caso
contrário, o suor inundaria o meu cromo italiano.
25 --- E foi assim que a testa e a calva do valente filho
do povo ficaram manchadas de graxa e o meu sapato
adquiriu um brilho de espelho à custa do suor alheio.
Nunca tive sapatos tão brilhantes, tão dignamente
suados
30 --- Na hora de pagar, alegando não ter nota menor,
deixei-lhe um troco generoso. Ele me olhou espanta-
do, retribuiu a gorjeta me desejando em dobro tudo o
que eu viesse a precisar nos restos dos meus dias.
Saí daquela cadeira com um baita sentimento
35 de culpa. Que diabo, meus sapatos não estavam tão
sujos assim, por míseros tostões, fizera um filho do
povo suar para ganhar seu pão. Olhei meus sapa-
tos e tive vergonha daquele brilho humano, salgado
como lágrima.

CONY, C. H. In : NESTROVSKI, A. (Org.). Figuras do Brasil –
80 autores em 80 anos de Folha. São Paulo: Publifolha. 2001.
p. 319.

Em “Elogiou meus sapatos, cromo italiano, fabricante ilustre, os Rosseti .” ( ℓ . 12-13), o trecho em destaque cumpre a função de

A especificar o fabricante dos sapatos.
B destacar o nome do dono dos sapatos.
C convocar o produtor de seus calçados.
D assinalar o tipo de solado.
E menosprezar o tipo de calçado.

Que associação é feita entre um risco físico à saúde do trabalhador e o seu efeito indesejado?

A Ruído - discrasia sanguínea
B Radiação ionizante - hipertensão arterial
C Calor excessivo - hipotireoidismo
D Vibração - osteoporose
E Umidade - neuropatia periférica

Um servidor apresentou requerimento com pedido de licença para acompanhar tratamento de seu padrasto, que é portador de doença grave e incapacitante, atestada por laudo médico.

Nos termos da Lei n o 8.112/1990, e suas alterações, verifica-se que, nesse caso, a(o)

A remuneração no período da licença será, no máximo, por trinta dias.
B licença poderá ser concedida a cada período de doze meses.
C licença concedida a cada período será remunerada por seis meses.
D licença será deferida apenas se existirem servidores em número suficiente na repartição para o atendimento.
E padrasto não se inclui no conceito de pessoa da família.

A tabela de temporalidade e destinação de documentos representa o registro esquemático do ciclo de vida documental e possui alguns campos necessários à aposição de informações essenciais ao trâmite e à destinação final dos documentos.

A respeito dos campos em uma tabela de temporalidade e destinação, aquele que corresponde às unidades de classificação é conhecido como

A Nome do Órgão
B Assunto
C Prazos de Guarda
D Destinação Final
E Observações

Paciente masculino, 45 anos, iniciou quadro de paraparesia progressiva que evoluiu com paralisia em 5 semanas. Tomografia computadorizada de coluna vertebral evidenciou lesão intramedular de 2 cm de diâmetro com áreas necróticas. Foi realizada biópsia da lesão, que exibia hipercelularidade com pleomorfismo intenso, infiltrando tecido nervoso medular. O perfil imuno-histoquímico da lesão foi: GFAP negativo, citocertinas pool negativo, HMB45 negativo. Tirosinase e S100 positivos.

Qual a provável histogênese da lesão?

A Adenocarcinoma metastático
B Carcinoma escamoso metastático
C Sarcoma metastático
D Glioma de alto grau
E Melanoma

A topografia de uma região se correlaciona diretamente com as suas características microclimáticas.

Ao implantar uma edificação em área de perfil inclinado, é necessário observar suas particularidades ambientais porque encostas voltadas para barlavento têm como característica predominante

A intensa radiação
B nebulosidade alta
C grande amplitude térmica
D velocidade baixa do vento
E presença de nascentes

A Sala de Espera de um ambulatório oncológico é o local onde pacientes aguardam um atendimento, consulta ou resposta de diagnóstico, sendo um cenário tenso e de muitas expectativas e fantasias sobre um veredito, e um dos momentos mais difíceis para o paciente e para sua família.

Sendo assim, o trabalho do psicólogo em grupos de sala de espera de clínica oncológica deve ser visto como um(a)

A momento de pesquisa da história de vida do paciente para posterior controle da doença.
B espaço de aconselhamento em relação ao desamparo diante da doença ou da morte.
C espaço de maior informação e pesquisa dos efeitos psicossomáticos da quimioterapia.
D possibilidade de um espaço potencial de informação e trocas de vivências, em que o paciente possa flexibilizar expectativas e restaurar a luta por sua saúde.
E primeira fase de uma estratégia de terapia psicossomática da doença.

O reconhecimento e o tratamento fisioterapêutico da exacerbação aguda da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) devem ser realizados o mais breve possível. Nesse sentido, considere o seguinte caso clínico.

LFM, 70 anos de idade, com DPOC de longa duração, é internado no hospital, e o exame físico revela diminuição bilateral dos ruídos respiratórios, sem a presença de sibilos. A gasometria arterial realizada em ar ambiente apresenta:

PaO 2 = 48 mmHg
PCO 2 = 67 mmHg
pH = 7,30
HCO 3 = 30 mEq/L

Qual distúrbio gasométrico o paciente apresenta e qual o tratamento fisioterapêutico adequado?

A Acidose respiratória e inspirometria de incentivo.
B Alcalose metabólica e inspirometria de incentivo.
C Acidose respiratória e ventilação com pressão positiva não invasiva.
D Acidose metabólica e ventilação com pressão positiva não invasiva.
E Alcalose respiratória e indicação de oxigenioterapia.

A sobrecarga de trabalho em linhas de produção pode gerar danos ao sistema músculo-esquelético, decorrentes da sua utilização excessiva e falta de tempo de recuperação, caracterizando os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT).

Nessa síndrome,

A a etiologia multifatorial facilita o estabelecimento do nexo causal, gerando alta prevalência.
B a alta prevalência tem sido explicada por transformações do trabalho e das empresas focadas no estabelecimento de metas e produtividade.
C as tendinopatias, expressão clínica mais habitual, correspondem à primeira causa de concessão de auxílio-acidentário.
D os fatores de risco são independentes e devem ser analisados de forma individualizada.
E os quadros são equiparados aos acidentes de trabalho de média gravidade sem a necessidade de notificação compulsória.