Atenção : Considere o texto abaixo para responder às questões de números 10 a 17.
Em 1963, durante a exposição de pinturas rupestres de Lagoa Santa, Minas Gerais, no Museu Paulista da USP, Niède recebe informações sobre a existência de pinturas semelhantes no Piauí, no sítio arqueológico de São Raimundo Nonato. Ela não tem oportunidade de conhecê-lo naquele momento. Em consequência do golpe militar de 1964, Niède, para não ser presa, parte para o exílio na França. Após oito anos, consegue retornar ao Brasil e visitar o Piauí.
“Não dava para ver o fundo daquele buraco, aberto na pedra. Por certo que há dezenas de milhares de anos ninguém entrava ali, se é que algum dia alguém tinha entrado. Ela se pendurou numa corda e desceu, desceu, desceu 120 metros. A primeira coisa que encontrou lá embaixo, na caverna, foi o esqueleto de um tigre de dentes de sabre de, no mínimo, onze mil anos de idade. Subindo de volta, um enxame de abelhas que perturbava na descida a atacou, foram milhares de ferroadas. Não havia soro, ficou entre a vida e a morte; se resistisse a noite inteira, teria chances de sobreviver. Os companheiros de expedição não conseguiram dormir, até que às cinco da manhã ela abre os olhos e diz, animadinha: 'Vamos voltar lá agora!” É desta fibra que é feita Niède Guidon.
Por esse destemor a chamam de onça e até já se batizou uma aranha venenosa com seu nome. Além de abelhas, enfrentou outros "bichos" para, nos anos setenta, erguer e preservar um patrimônio do Brasil e da humanidade: o Parque Nacional da Serra da Capivara.
Suas vitórias foram inúmeras. Hoje muitos arqueólogos que trabalham na região foram formados em projetos promovidos por ela em parceria com projetos implementados nas escolas básicas, e depois puderam formar-se nos cursos superiores de Arqueologia e de Ciências da Natureza trazidos para a cidade de São Raimundo Nonato. Pensando em desenvolver o turismo, foram trazidos ceramistas para capacitar a população local na produção de cerâmica artesanal, assim como foram financiados cursos para criar abelhas e produzir mel, oferecendo, para a população local, alternativas sustentáveis de renda, para que não mais precisassem explorar o parque.
Quando não se falava em empoderamento das mulheres, Niède não falava, mas praticava isso. Fez questão de que todas as guariteiras do Parque fossem mulheres. É o único Parque Nacional do Brasil em que somente mulheres recepcionam os turistas. A essas mulheres foi garantido sustento e proteção, inclusive contra violência doméstica. Diziam na cidade: "Não mexam com as mulheres da Dra. Niède!” E lá todos sabiam que era valente como uma onça!
(Adaptado de: AJZENBERG, Elza. "O legado de Niède Guidon", disponível em https://jornal.usp.br, e de BIAL, Pedro. "Niède Guidon", em Laboratório de Popularização da Ciência, UFES, disponível em: https://leb.ufes.br/)
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De acordo com o texto,
O Ministério Público de Alagoas ajuizou ação civil pública em face de empresa mineradora, com sede administrativa no Rio de Janeiro, mas com atividade em vários Municípios do Estado de Alagoas. A ação proposta visava discutir danos localizados em Maceió e em alguns pequenos Municípios na região metropolitana. A competência para ajuizamento da ação é
No curso de processo criminal em trâmite em comarca do interior de Alagoas, o juiz competente acolhe requerimento da defesa, declarando a nulidade de parte da instrução criminal produzida. Ao Ministério Público, irresignado com esta decisão, é facultado interpor
Marcos, primário, foi investigado por ter praticado o delito de tráfico de drogas, haja vista ter sido flagrado em atitude de venda e com 17 g de cocaína em seu bolso esquerdo, além de certa quantia em dinheiro, tendo confessado os fatos em solo policial. Ato contínuo, o Ministério Público do Estado do Maranhão negou a possibilidade de acordo de não persecução penal, pois " o delito praticado por Marcos, tráfico de drogas, possui pena mínima superior a 4 anos ", oferecendo, então, a respectiva denúncia. A Defensoria Pública, no entanto, solicitou que, antes mesmo do recebimento da peça acusatória, o juiz competente enviasse os autos para o órgão superior do Ministério Público, nos exatos termos do art. 28 § 14, do CPP. Enviado os autos, a Procuradoria Geral de Justiça, manteve a recusa do acordo com idêntica fundamentação, devolvendo os autos ao juízo de origem. Nesse caso, deve o juiz
Um Prefeito, em outubro de 2025, último ano de seu mandato, autorizou a contratação de serviços de iluminação pública no valor de R$ 500.000,00. O contrato previa pagamento de R$ 200.000,00 em dezembro de 2025 e R$ 300.000,00 em fevereiro 2026. Na data da contratação, o Município possuía disponibilidade de caixa de R$ 500.000,00, livre de outras obrigações.
Considerando os crimes contra a ordem tributária, é correto afirmar que o Prefeito
Para consolidar um investimento em uma empresa no exterior, é necessária a conversão das demonstrações contábeis da empresa investida para a moeda funcional da investidora. Em relação ao processo de conversão,
Em um cumprimento de sentença que determinou o pagamento de prestação alimentícia em que o(a) defensor(a) atua em favor do credor, após esgotadas as buscas típicas por bens nos sistemas informatizados disponíveis, o executado, que é empresário de sucesso mas não possui bens em nome próprio, continua inadimplente. A Defensoria requer a suspensão da CNH e do passaporte do devedor. De acordo com o Código de Processo Civil e a jurisprudência consolidada do STJ e STF, tais medidas atípicas
Texto associado
Atenção : Considere a crônica de Carlos Drummond de Andrade, para responder às questões de números 1 a 10.
Quando a senhora foi descer do lotação, o motorista coçou a cabeça: — Mil cruzeiros! Como é que a senhora quer que eu troque mil cruzeiros?
— Desculpe, me esqueci completamente de trazer trocado.
— Não posso não, a madame não leu o aviso — olha ele ali — que o troco máximo é de 200 cruzeiros?
— Eu sei, mas que é que hei de fazer agora? O senhor nunca esqueceu nada na vida?
— Quem sabe se procurando de novo na bolsa...
Ela vasculhava, remexia, nada. Nenhum cavalheiro (como se dizia no tempo do meu pai) se moveu para salvar a situação, oferecendo troco ou se prontificando a pagar a passagem. Aquela hora não havia cavalheiros, pelo menos na lotação.
— Então o senhor me dá licença de saltar e ficar devendo.
— Pera aí. Vou ver se posso trocar.
Podia. Tirou do bolso de trás um bolo respeitável, foi botando as cédulas sobre o joelho, meticulosamente.
— Tá aqui o seu troco. De outra vez a madame já sabe, hem?
Ela desceu, o carro já havia começado a chispar, como é destino dos lotações, quando de repente o motorista freou e botou as mãos à cabeça: — Os senhores acreditam que em vez de guardar a nota de mil, eu de burro, devolvi com o troco?
Botou a cabeça fora do carro, à procura da senhora, que atravessava a rua, lá atrás: — Dona! Ó dona!A nota de mil cruzeiros! Os passageiros não pareciam interessados no prejuízo, como antes não se condoeram do vexame da senhora.
— Como é que eu posso tocar se perdi mil cruzeiros, gente? Quem vai me pagar esses mil cruzeiros?
Encostou o veículo e, num gesto solene: — Vou buscar meu cabral. A partir deste momento, confio este carro, com todos os seus pertences, à distinção dos senhores passageiros.
— Deixa que eu vou! — disse um deles, garoto. E precipitou-se para fora, antes do motorista.
Via-se o garoto correndo para alcançar a senhora, tocando-a pelo braço, os dois confabulando. Ela abria de novo a bolsa, tirava objetos, o pequeno ajudava. Os passageiros já se mostravam impacientes com a demora da expedição. O guarda veio estranhar o estacionamento e recebeu a explicação de força-maior, quem é que me paga meus mil cruzeiros? O Serviço de Trânsito Voltou o garoto, sem a nota. A senhora tinha apenas 987 cruzeiros, ele vira e jurava por ela.
— Tão vendo? Um prejuízo desses antes do almoço é de tirar a fome e a vontade de comer — disse em tom frio, sem revolta, como simples remate. E tocou.
Perto do colégio, o garoto desceu, repetindo, encabulado: — Pode acreditar, ela não tinha mesmo o dinheiro não.
O motorista respondeu-lhe baixinho: — Eu sei. Já vi que está ali debaixo da caixa de fósforos. Mas se eu disser isso, esse povo me mata.
(Adaptado de: ANDRADE, Carlos Drummond de. et al. Para gostar de ler, v.2. São Paulo: Atica, 1966, p. 43-45)
Quando a senhora foi descer do lotação, o motorista coçou a cabeça: — Mil cruzeiros! Como é que a senhora quer que eu troque mil cruzeiros?
— Desculpe, me esqueci completamente de trazer trocado.
— Não posso não, a madame não leu o aviso — olha ele ali — que o troco máximo é de 200 cruzeiros?
— Eu sei, mas que é que hei de fazer agora? O senhor nunca esqueceu nada na vida?
— Quem sabe se procurando de novo na bolsa...
Ela vasculhava, remexia, nada. Nenhum cavalheiro (como se dizia no tempo do meu pai) se moveu para salvar a situação, oferecendo troco ou se prontificando a pagar a passagem. Aquela hora não havia cavalheiros, pelo menos na lotação.
— Então o senhor me dá licença de saltar e ficar devendo.
— Pera aí. Vou ver se posso trocar.
Podia. Tirou do bolso de trás um bolo respeitável, foi botando as cédulas sobre o joelho, meticulosamente.
— Tá aqui o seu troco. De outra vez a madame já sabe, hem?
Ela desceu, o carro já havia começado a chispar, como é destino dos lotações, quando de repente o motorista freou e botou as mãos à cabeça: — Os senhores acreditam que em vez de guardar a nota de mil, eu de burro, devolvi com o troco?
Botou a cabeça fora do carro, à procura da senhora, que atravessava a rua, lá atrás: — Dona! Ó dona!A nota de mil cruzeiros! Os passageiros não pareciam interessados no prejuízo, como antes não se condoeram do vexame da senhora.
— Como é que eu posso tocar se perdi mil cruzeiros, gente? Quem vai me pagar esses mil cruzeiros?
Encostou o veículo e, num gesto solene: — Vou buscar meu cabral. A partir deste momento, confio este carro, com todos os seus pertences, à distinção dos senhores passageiros.
— Deixa que eu vou! — disse um deles, garoto. E precipitou-se para fora, antes do motorista.
Via-se o garoto correndo para alcançar a senhora, tocando-a pelo braço, os dois confabulando. Ela abria de novo a bolsa, tirava objetos, o pequeno ajudava. Os passageiros já se mostravam impacientes com a demora da expedição. O guarda veio estranhar o estacionamento e recebeu a explicação de força-maior, quem é que me paga meus mil cruzeiros? O Serviço de Trânsito Voltou o garoto, sem a nota. A senhora tinha apenas 987 cruzeiros, ele vira e jurava por ela.
— Tão vendo? Um prejuízo desses antes do almoço é de tirar a fome e a vontade de comer — disse em tom frio, sem revolta, como simples remate. E tocou.
Perto do colégio, o garoto desceu, repetindo, encabulado: — Pode acreditar, ela não tinha mesmo o dinheiro não.
O motorista respondeu-lhe baixinho: — Eu sei. Já vi que está ali debaixo da caixa de fósforos. Mas se eu disser isso, esse povo me mata.
(Adaptado de: ANDRADE, Carlos Drummond de. et al. Para gostar de ler, v.2. São Paulo: Atica, 1966, p. 43-45)